Fui ontem a uma consulta médica com minha mãe no melhor hospital do Ceará. Supostamente.
A consulta estava marcada pras 14h20. Deu 14h30 e não fomos chamadas. Olhei pro relógio novamente: 14h45. Confesso que não sou uma pessoa muito paciente, o que me fez ir à atendente perguntar o porquê do atraso e que horas seríamos atendidas.
A atendente, com a maior cara lavada, explicou que a outra garota que trabalha com a médica marcou as consultas de cinco em cinco minutos. Não acreditei quando ouvi isso. Ou essa menina achava que a médica era muito ninja pra conseguir consultar alguém em cinco minutos ou a capacidade mental da secretária é que era pequena mesmo. Fico com a segunda opção.
Perguntei quantas pessoas ainda estavam na nossa frente. Seis. Que maravilha. Como ainda tínhamos que fazer algumas compras, mamãe e eu fomos fazê-las enquanto todas essas pessoas eram atendidas.
Ao finalizarmos as compras e voltarmos ao hospital, ainda tinham duas pessoas na nossa frente. Retirei minha revista Runners e fiquei lendo – ou tentando – enquanto não nos chamavam.
Durante a leitura, era possível escutar berros de um lado ao outro da recepção do hospital. Levantei minha cabeça pra ver o que era aquilo. Eram as recepcionistas falando umas com as outras, super alto, na maior cara de pau e falta de educação. Lembrei-me das aulas de legislação de trânsito: não podemos passar com nosso carro buzinando em frente a hospitais a fim de não perturbar os pacientes. Só não sei do que adianta não ter barulho do lado de fora, mas ter uma zorra do lado de dentro. Pra mim não faz muito nexo; talvez pro hospital, sim.
Pra completar minha indignação, as secretárias ficavam comendo no balcão. No balcão! Cadê a etiqueta nessas horas? Não tem nada pior do que ir falar com alguém na recepção e a pessoa ficar fazendo gestinhos de “pare” com as mãos para que espere a comida descer goela abaixo. Se a pessoa está com tanta fome que não pode esperar, por que não vai a um lugar reservado comer? Como alguém pode se portar de forma tão bárbara em um hospital de nível considerado superior?
Essas três situações foram suficientes para me revoltar. Mas a médica, que nos atendeu às 16h, fez questão de fechar o dia com chave de ouro ao atender a uma ligação particular na hora de consulta, levando mais 10 minutos do meu tempo.
Tem gente que ainda não sabe o perigo de deixar um cliente irado. E é porque minha consulta não era de graça. Imagina se o fosse.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
"Filantropia" brasileira é só para uma platéia.
Sabe aquelas pessoas que fazem palestra sobre auto-ajuda? Sobre como ser um líder, como lidar com filhos e esposa, como ser feliz em qualquer situação, como ganhar dinheiro sem se matar no trabalho, dentre outros “como’s” que prometem salvar nossa vida?
Agora, você pega esses palestrantes e pesquisa sobre a vida deles. Pois bem, a gente se frustra quando percebe que, muitas vezes, eles não fazem nem 10% do que falam. Essas pessoas se preocupam tanto em aconselhar as outras que se esquecem de cuidar da sua própria vida e de solucionar seus próprios problemas.
Recentemente houve um terremoto no Haiti de repercussão mundial, onde muitas vidas foram ceifadas e tudo o que restou foram pessoas sem moradia e odores de corpos abandonados sobre ruínas.
Antes do terremoto no Haiti, ocorreram várias catástrofes aqui no Brasil, como as mortes em Angra dos Reis devido ao deslizamento de terra, a ponte que caiu entre as cidades de Agudo e Restinga Seca, no RS, fora os alagamentos em SP e RS que deixaram muitas pessoas sem moradia e sem uma forma adequada de locomoção.

A mídia brasileira tem mostrado toda a catástrofe no Haiti, vários brasileiros tem ido ao país para ajudar os haitianos na busca por vivos – ou mortos – nos escombros. Falamos e mostramos isso com orgulho. Claro, é bom saber que brasileiros gostam de ajudar a outras pessoas. Só não entendo o porquê de todas as pessoas, depois do terremoto, quererem ajudar o Haiti, mas poucos se pronunciaram em relação aos problemas pelos quais tantos brasileiros tem passado diariamente em vários estados do país.
O ministro Nelson Jobim defendeu hoje a prorrogação por mais cinco anos da Missão de Paz Brasileira no Haiti [1]. Quem lê isso pensa que o Brasil vive num mar de rosas e não precisa de ajuda. Se for assim que o Governo vê nosso país, que nos isente de pagar impostos absurdos, para que possamos, com esse dinheiro, realmente cuidar da nossa segurança e nos prevenir de possíveis desastres, quer sejam eles naturais ou não, da forma que melhor nos aprouver.
O Brasil é como esses palestrantes de auto-ajuda: “preocupa-se” tanto em ajudar os outros a melhorarem, que se esquece de olhar pra si e resolver seus próprios problemas.
[1]http://noticias.uol.com.br/especiais/terremoto-haiti/ultnot/2010/01/16/ult9967u76.jhtm
Agora, você pega esses palestrantes e pesquisa sobre a vida deles. Pois bem, a gente se frustra quando percebe que, muitas vezes, eles não fazem nem 10% do que falam. Essas pessoas se preocupam tanto em aconselhar as outras que se esquecem de cuidar da sua própria vida e de solucionar seus próprios problemas.
Recentemente houve um terremoto no Haiti de repercussão mundial, onde muitas vidas foram ceifadas e tudo o que restou foram pessoas sem moradia e odores de corpos abandonados sobre ruínas.
Antes do terremoto no Haiti, ocorreram várias catástrofes aqui no Brasil, como as mortes em Angra dos Reis devido ao deslizamento de terra, a ponte que caiu entre as cidades de Agudo e Restinga Seca, no RS, fora os alagamentos em SP e RS que deixaram muitas pessoas sem moradia e sem uma forma adequada de locomoção.

A mídia brasileira tem mostrado toda a catástrofe no Haiti, vários brasileiros tem ido ao país para ajudar os haitianos na busca por vivos – ou mortos – nos escombros. Falamos e mostramos isso com orgulho. Claro, é bom saber que brasileiros gostam de ajudar a outras pessoas. Só não entendo o porquê de todas as pessoas, depois do terremoto, quererem ajudar o Haiti, mas poucos se pronunciaram em relação aos problemas pelos quais tantos brasileiros tem passado diariamente em vários estados do país.
O ministro Nelson Jobim defendeu hoje a prorrogação por mais cinco anos da Missão de Paz Brasileira no Haiti [1]. Quem lê isso pensa que o Brasil vive num mar de rosas e não precisa de ajuda. Se for assim que o Governo vê nosso país, que nos isente de pagar impostos absurdos, para que possamos, com esse dinheiro, realmente cuidar da nossa segurança e nos prevenir de possíveis desastres, quer sejam eles naturais ou não, da forma que melhor nos aprouver.
O Brasil é como esses palestrantes de auto-ajuda: “preocupa-se” tanto em ajudar os outros a melhorarem, que se esquece de olhar pra si e resolver seus próprios problemas.
[1]http://noticias.uol.com.br/especiais/terremoto-haiti/ultnot/2010/01/16/ult9967u76.jhtm
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Marcos, o frentista solidário.
Meu pai tem um posto de gasolina no Ceará. Como vim passar as férias no estado, resolvi ajudar no posto alguns dias, passando cartão e abastecendo carro quando necessário.
No posto, papai oferece café expresso para os clientes. Sim, mesmo nesse calor do Ceará as pessoas adoram tomar um café. O problema é que algumas pessoas costumam passar aqui no posto pra tomar um cafezinho, mesmo não sendo clientes.
Quando é uma vez ou outra, não tem problema. A questão é que se abrirmos uma exceção para alguém, esse alguém fica mal acostumado. Comentando isso com meu pai, ele me contou uma história que ocorreu no posto com um antigo frentista.
O Marcos, antigo frentista lá do posto, deixava que pessoas da região fossem lá pegar café. Essas pessoas, pouco satisfeitas, não se contentavam em pegar o copinho de plástico oferecido pelo posto. Elas simplesmente levavam seus copos maiores de casa.
Meu pai, vendo o que estava acontecendo, foi falar com o Marcos e dizer que aquilo não era permitido. Marcos, muito filantrópico, retrucou:
-Mas dá pra negar café pra essa gente?
Ora, meu amigo, se ele tem pena, que mande a esposa dele fazer café com a própria renda, coloque em dez garrafas térmicas e saia oferecendo pra todo mundo.
Fazer caridade com o dinheiro alheio é muito cômodo. Marcos e Governo que o digam. Qualquer semelhança, mera coincidência.
No posto, papai oferece café expresso para os clientes. Sim, mesmo nesse calor do Ceará as pessoas adoram tomar um café. O problema é que algumas pessoas costumam passar aqui no posto pra tomar um cafezinho, mesmo não sendo clientes.
Quando é uma vez ou outra, não tem problema. A questão é que se abrirmos uma exceção para alguém, esse alguém fica mal acostumado. Comentando isso com meu pai, ele me contou uma história que ocorreu no posto com um antigo frentista.
O Marcos, antigo frentista lá do posto, deixava que pessoas da região fossem lá pegar café. Essas pessoas, pouco satisfeitas, não se contentavam em pegar o copinho de plástico oferecido pelo posto. Elas simplesmente levavam seus copos maiores de casa.
Meu pai, vendo o que estava acontecendo, foi falar com o Marcos e dizer que aquilo não era permitido. Marcos, muito filantrópico, retrucou:
-Mas dá pra negar café pra essa gente?
Ora, meu amigo, se ele tem pena, que mande a esposa dele fazer café com a própria renda, coloque em dez garrafas térmicas e saia oferecendo pra todo mundo.
Fazer caridade com o dinheiro alheio é muito cômodo. Marcos e Governo que o digam. Qualquer semelhança, mera coincidência.
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domingo, 3 de janeiro de 2010
Aprendendo Com a Gafe do Boris.
Não vim aqui jogar pedra no Boris Casoy pelo infeliz comentário proferido durante a apresentação do seu jornal na Band. Todo mundo comete gafe e isso é inquestionável. O importante é saber como sair bem dela – e isso, infelizmente, Boris não soube.
Ao fazer algo errado, a melhor atitude a tomar é assumir o erro e mostrar uma saída para reverter a situação. Quando falamos algo errado o modo de agir não é menos importante, tampouco diferente.
A frase de Boris que gerou desconforto e choque em milhares de telespectadores, "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho", me impressionou mais por ter vindo dele do que pelo valor da frase em si. As pessoas são hipócritas demais para dizerem que pensam a mesma coisa, mas sem dúvida alguma Boris não é o único.

Após uma gafe dessas, a primeira atitude a tomar é desculpar-se. Boris fez isso durante um telefonema à Folha Online. Eis sua frase: "Foi um erro. Vazou, era intervalo e supostamente os microfones estavam desligados. Errei mesmo. Falei uma bobagem, falei uma frase infeliz. E vou pedir desculpas”[1].
Perceberam a infelicidade da frase acima? O melhor que o Boris Casoy poderia ter feito seria dizer apenas que errou, que foi uma frase infeliz e dizer a atitude que tomaria (pedir desculpas). E só.
A partir do momento em que ele diz que os microfones deveriam estar desligados, fica óbvio que suas desculpas foram pro forma. Dando a entender que, para ele, os garis realmente são a escória do profissionalismo e que infeliz foi ele ter falado aquilo no lugar errado, na hora errada, visto que os microfones estavam ligados. Portanto, ele não se arrependeu da frase e do seu conteúdo em si, mas do momento (errado) escolhido para expô-la. O erro de Boris foi querer se justificar. Ninguém justifica uma gafe. Assume.
Boris tentou reverter a situação, mas só fez piorar. Não vou julga-lo por ter dito a primeira frase, pois todos temos algum preconceito, não adianta negar. O que importa é saber quando, como e o que falar, para não cometermos gafes como esta e, quando cometermos, sabermos sair da situação de forma menos constrangedora, e não piorando ainda mais, ao cometer outra gafe por cima.
Quem me conhece desde criança sabe o quanto sou fã do Boris e dos seus comentários nos jornais, mas, como ninguém é perfeito, o famoso bordão do Boris acabou virando contra ele.
Na próxima vez que cometerem uma gafe, não justifiquem, desculpem-se. Justificar-se não é apenas humilhante, mas perigoso e completamente inútil.
[1] http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u673601.shtml
Ao fazer algo errado, a melhor atitude a tomar é assumir o erro e mostrar uma saída para reverter a situação. Quando falamos algo errado o modo de agir não é menos importante, tampouco diferente.
A frase de Boris que gerou desconforto e choque em milhares de telespectadores, "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho", me impressionou mais por ter vindo dele do que pelo valor da frase em si. As pessoas são hipócritas demais para dizerem que pensam a mesma coisa, mas sem dúvida alguma Boris não é o único.

Após uma gafe dessas, a primeira atitude a tomar é desculpar-se. Boris fez isso durante um telefonema à Folha Online. Eis sua frase: "Foi um erro. Vazou, era intervalo e supostamente os microfones estavam desligados. Errei mesmo. Falei uma bobagem, falei uma frase infeliz. E vou pedir desculpas”[1].
Perceberam a infelicidade da frase acima? O melhor que o Boris Casoy poderia ter feito seria dizer apenas que errou, que foi uma frase infeliz e dizer a atitude que tomaria (pedir desculpas). E só.
A partir do momento em que ele diz que os microfones deveriam estar desligados, fica óbvio que suas desculpas foram pro forma. Dando a entender que, para ele, os garis realmente são a escória do profissionalismo e que infeliz foi ele ter falado aquilo no lugar errado, na hora errada, visto que os microfones estavam ligados. Portanto, ele não se arrependeu da frase e do seu conteúdo em si, mas do momento (errado) escolhido para expô-la. O erro de Boris foi querer se justificar. Ninguém justifica uma gafe. Assume.
Boris tentou reverter a situação, mas só fez piorar. Não vou julga-lo por ter dito a primeira frase, pois todos temos algum preconceito, não adianta negar. O que importa é saber quando, como e o que falar, para não cometermos gafes como esta e, quando cometermos, sabermos sair da situação de forma menos constrangedora, e não piorando ainda mais, ao cometer outra gafe por cima.
Quem me conhece desde criança sabe o quanto sou fã do Boris e dos seus comentários nos jornais, mas, como ninguém é perfeito, o famoso bordão do Boris acabou virando contra ele.
Na próxima vez que cometerem uma gafe, não justifiquem, desculpem-se. Justificar-se não é apenas humilhante, mas perigoso e completamente inútil.
[1] http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u673601.shtml
domingo, 20 de dezembro de 2009
A Legalização Que as Prostitutas Não Querem
Ontem, durante a aula de legislação no trânsito, meu professor comentou sobre o processo feito contra a banda de forró Mastruz com Leite pela Associação das Prostitutas do Ceará (!!), a APROCE, devido a uma música da banda “Bomba no Cabaré”. Bom, pelo título da música, já fica implícito o motivo do processo, que não é o meu foco nesse texto.
Enquanto o professor comentou sobre isso – mesmo não tendo nenhuma relação com a aula – algumas pessoas se perguntaram se a profissão já era legalizada. Nessas horas é interessantíssimo observar a reação delas. Uns ficam horrorizados, outros não tão nem aí, e a maioria tá mais preocupado com a partida de futebol do fim de semana. O que será, no entanto, que as prostitutas dizem sobre isso?

Óbvio que elas estão pouco se lixando. No Brasil, prostituta não vai pra prisão mesmo. Ser prostituta no nosso país não é ser criminosa, é ser vítima. O único criminoso, de acordo com o Código Penal, é o cafetão, o empresário capitalista amante do dinheiro que faz lavagem cerebral nas moças para que se tornem mulheres da vida ou, como prefere a Cartilha do Politicamente Correto e o próprio Ministério do Trabalho, profissionais do sexo.
Prostituta não quer sua profissão legalizada. Legalizá-la significaria pagar impostos, seguir normas governamentais como a realização de exames de saúde periódicos – ora, o cara que decide se deitar com uma mulher que não conhece, está correndo o risco de contrair uma DST por livre e espontânea vontade – e ainda ter que aumentar o preço do trabalho para que o lucro permaneça o mesmo.
A prostituta, então, não levaria vantagem com a legalização. E quem levaria? O cafetão? Não, porque ele continuaria sendo, perante a lei, um criminoso. A não ser que houvesse uma reforma no Código Penal em relação ao seu trabalho, que nada mais seria do que o patrão da prostituta que não quisesse trabalhar por conta própria. Mas será que o cafetão gostaria dessa legalização? Também não. Além dos impostos que pagaria ao Estado, ainda teria que se preocupar em estar conforme a CLT, fora a questão da insalubridade. Quantos por cento a prostituta receberia do patrão como adicional por ser uma profissão insalubre, estando ela sujeita a agentes biológicos?
Não. O cafetão não sairia ganhando. Mais do que estampado na nossa cara, quem sairia ganhando nisso tudo seria o Estado. Assim como só ele tem ganhado ao longo dos anos através do trabalho de todos os outros cidadãos devido à legalização de seus empregos.
No final de tudo, todos só sairemos ganhando quando nossos empregos forem descriminalizados, mas não legalizados, como é o caso das prostitutas que parecem estar perdendo quando, na verdade, ganham.
Enquanto o professor comentou sobre isso – mesmo não tendo nenhuma relação com a aula – algumas pessoas se perguntaram se a profissão já era legalizada. Nessas horas é interessantíssimo observar a reação delas. Uns ficam horrorizados, outros não tão nem aí, e a maioria tá mais preocupado com a partida de futebol do fim de semana. O que será, no entanto, que as prostitutas dizem sobre isso?
Óbvio que elas estão pouco se lixando. No Brasil, prostituta não vai pra prisão mesmo. Ser prostituta no nosso país não é ser criminosa, é ser vítima. O único criminoso, de acordo com o Código Penal, é o cafetão, o empresário capitalista amante do dinheiro que faz lavagem cerebral nas moças para que se tornem mulheres da vida ou, como prefere a Cartilha do Politicamente Correto e o próprio Ministério do Trabalho, profissionais do sexo.
Prostituta não quer sua profissão legalizada. Legalizá-la significaria pagar impostos, seguir normas governamentais como a realização de exames de saúde periódicos – ora, o cara que decide se deitar com uma mulher que não conhece, está correndo o risco de contrair uma DST por livre e espontânea vontade – e ainda ter que aumentar o preço do trabalho para que o lucro permaneça o mesmo.
A prostituta, então, não levaria vantagem com a legalização. E quem levaria? O cafetão? Não, porque ele continuaria sendo, perante a lei, um criminoso. A não ser que houvesse uma reforma no Código Penal em relação ao seu trabalho, que nada mais seria do que o patrão da prostituta que não quisesse trabalhar por conta própria. Mas será que o cafetão gostaria dessa legalização? Também não. Além dos impostos que pagaria ao Estado, ainda teria que se preocupar em estar conforme a CLT, fora a questão da insalubridade. Quantos por cento a prostituta receberia do patrão como adicional por ser uma profissão insalubre, estando ela sujeita a agentes biológicos?
Não. O cafetão não sairia ganhando. Mais do que estampado na nossa cara, quem sairia ganhando nisso tudo seria o Estado. Assim como só ele tem ganhado ao longo dos anos através do trabalho de todos os outros cidadãos devido à legalização de seus empregos.
No final de tudo, todos só sairemos ganhando quando nossos empregos forem descriminalizados, mas não legalizados, como é o caso das prostitutas que parecem estar perdendo quando, na verdade, ganham.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Exame Psicotécnico e Renovação de CNH
Eu não entendo os órgãos públicos. Para ser mais sincera, há o que entender?
Ontem fui fazer meu exame psicotécnico no DETRAN que, para variar, pasmem, está em greve. Na sala de aula havia somente mais uma pessoa com o intuito de tirar a CNH, as outras buscavam apenas renovação.
Os que queriam renovar a carteira, todos homens, não passaram. Seriam eles loucos? Sinceramente fiquei me perguntando o porquê de não haverem sido aprovados. Afinal, eles só precisaram desenhar uma árvore, uma casa e uma pessoa; além de ter que buscar em várias filas de figuras, as três figuras exigidas no início do teste.
Será que não desenharam o chão, ao rabiscarem a pessoa, a casa e a árvore? Bom, eu jamais teria feito um chão no meu desenho se antes não me tivessem alertado sobre isso. Será que desenharam a pessoa com menos de cinco dedos em alguma das mãos? Vai que quem estava desenhando tentava fazer uma caricatura do Lula? Isso faz dele um louco? Confesso que teria desenhado uma pessoa em forma de palito se também não me tivessem antes alertado. E a casa? Como será que fizeram? Sem teto? Sem chaminé, janela? Minha casa seria um triângulo com um retângulo embaixo, se não me tivessem, também, alertado sobre como deveria fazer o desenho.
Agora fico a pensar, se não tivesse conseguido essas dicas antes, será que eu também não teria reprovado? Agora nós precisamos ser desenhistas para termos um atestado de sanidade mental? Precisamos desenhar uma pessoa com cinco dedos, dois olhos e uma boca pra podermos dirigir?
O segundo teste que esses homens realizaram, assim com eu e a outra garota que queria apenas tirar a CNH, era o das figuras que disse anteriormente. Era tudo cronometrado. Para quem tem déficit de atenção, raciocínio mais lento ou qualquer problema que seja, esse exercício é mais complicado, principalmente quando tem que se preocupar também com o tempo.
Quando questionei isso, rebateram dizendo: “É, mas esse exercício é importante, porque um dislexo, por exemplo, troca as posições de uma seta. Temos que detectar isso, porque é perigoso trocar a posição de uma curva numa placa”.
Concordo. É perigoso avistar uma placa mostrando que tem uma curva acentuada à esquerda quando, na verdade, ela diz que tem uma curva acentuada à direita. Entretanto, quando alguém estiver dirigindo e observando a estrada, não vai ver uma curva que está à direita, à esquerda. Desenho numa placa ou folha de papel é uma coisa. Situação real, outra. Conheço dislexos e sei que eles não cometeriam esse erro. Se assim o fosse, iam viver caindo no chão ao tentar sentar numa cadeira por não saberem a real posição do assento.
Confesso que não tinha parado para pensar nisso até um dos senhores sair da sala dizendo que tinha que passar no exame pra continuar trabalhando. Como sei que ele não passou, sei também que perdeu o emprego. O Estado deixou mais uma pessoa desempregada por absolutamente nada. Quantas outras pessoas também não passam pela mesma situação que esse senhor?
O que me indigna ainda mais é ver uma suposta preocupação em renovar a CNH de uma pessoa “inapta psicologicamente” a dirigir, mas ver ruas em Messejana (bairro do estado do Ceará) sem placas nem sinalizações. Quem não é daqui, não sabe se a pista é mão dupla ou única, não sabe se está na contramão ou não, sem contar as faixas de pedestres que são escassas.
Acredite, acidentes no trânsito e mortes são causados bem mais por culpa do Estado do que por alguém dislexo ou com qualquer outro problema. Os órgãos públicos são tão insignificantes que não percebem sua própria inaptidão para existir.
Ontem fui fazer meu exame psicotécnico no DETRAN que, para variar, pasmem, está em greve. Na sala de aula havia somente mais uma pessoa com o intuito de tirar a CNH, as outras buscavam apenas renovação.
Os que queriam renovar a carteira, todos homens, não passaram. Seriam eles loucos? Sinceramente fiquei me perguntando o porquê de não haverem sido aprovados. Afinal, eles só precisaram desenhar uma árvore, uma casa e uma pessoa; além de ter que buscar em várias filas de figuras, as três figuras exigidas no início do teste.
Será que não desenharam o chão, ao rabiscarem a pessoa, a casa e a árvore? Bom, eu jamais teria feito um chão no meu desenho se antes não me tivessem alertado sobre isso. Será que desenharam a pessoa com menos de cinco dedos em alguma das mãos? Vai que quem estava desenhando tentava fazer uma caricatura do Lula? Isso faz dele um louco? Confesso que teria desenhado uma pessoa em forma de palito se também não me tivessem antes alertado. E a casa? Como será que fizeram? Sem teto? Sem chaminé, janela? Minha casa seria um triângulo com um retângulo embaixo, se não me tivessem, também, alertado sobre como deveria fazer o desenho.
Agora fico a pensar, se não tivesse conseguido essas dicas antes, será que eu também não teria reprovado? Agora nós precisamos ser desenhistas para termos um atestado de sanidade mental? Precisamos desenhar uma pessoa com cinco dedos, dois olhos e uma boca pra podermos dirigir?
O segundo teste que esses homens realizaram, assim com eu e a outra garota que queria apenas tirar a CNH, era o das figuras que disse anteriormente. Era tudo cronometrado. Para quem tem déficit de atenção, raciocínio mais lento ou qualquer problema que seja, esse exercício é mais complicado, principalmente quando tem que se preocupar também com o tempo.
Quando questionei isso, rebateram dizendo: “É, mas esse exercício é importante, porque um dislexo, por exemplo, troca as posições de uma seta. Temos que detectar isso, porque é perigoso trocar a posição de uma curva numa placa”.
Concordo. É perigoso avistar uma placa mostrando que tem uma curva acentuada à esquerda quando, na verdade, ela diz que tem uma curva acentuada à direita. Entretanto, quando alguém estiver dirigindo e observando a estrada, não vai ver uma curva que está à direita, à esquerda. Desenho numa placa ou folha de papel é uma coisa. Situação real, outra. Conheço dislexos e sei que eles não cometeriam esse erro. Se assim o fosse, iam viver caindo no chão ao tentar sentar numa cadeira por não saberem a real posição do assento.
Confesso que não tinha parado para pensar nisso até um dos senhores sair da sala dizendo que tinha que passar no exame pra continuar trabalhando. Como sei que ele não passou, sei também que perdeu o emprego. O Estado deixou mais uma pessoa desempregada por absolutamente nada. Quantas outras pessoas também não passam pela mesma situação que esse senhor?
O que me indigna ainda mais é ver uma suposta preocupação em renovar a CNH de uma pessoa “inapta psicologicamente” a dirigir, mas ver ruas em Messejana (bairro do estado do Ceará) sem placas nem sinalizações. Quem não é daqui, não sabe se a pista é mão dupla ou única, não sabe se está na contramão ou não, sem contar as faixas de pedestres que são escassas.
Acredite, acidentes no trânsito e mortes são causados bem mais por culpa do Estado do que por alguém dislexo ou com qualquer outro problema. Os órgãos públicos são tão insignificantes que não percebem sua própria inaptidão para existir.
Etiqueta ao Celular

Tenho percebido o quanto a etiqueta ao celular é algo precariamente entendido entre as pessoas.
Em menos de uma semana já passei por poucas e boas com sujeitos que utilizam esse aparelho tão necessário na atualidade de uma forma tão ridiculamente mal-educada.
Como é sempre muito fácil só reclamar, resolvi, então, dar algumas dicas básicas para utilizá-lo de forma correta, sem perturbar a sanidade dos outros.
1- Quando estiver falando com alguém ao celular em um ambiente fechado – ônibus, restaurantes e shoppings, por exemplo – observe se está falando com um tom de voz baixo. Ninguém quer saber o que você fez na noite passada ou o que vai comer no café-da-manhã.
2- Se estiver na companhia de alguém e estiver esperando uma ligação importante, avise à pessoa com quem você está sobre isso. Não é nada educado interromper alguém falando pra atender a um celular. Afinal, se não foi avisado antes que ele poderia tocar, por que a ligação seria mais importante do que o que o interlocutor fala?
3- Caso você coloque o número do seu celular pessoal no seu cartão de visita profissional, tenha em mente que:
a. Você deu oportunidade para quem recebe o cartão de ligá-lo a qualquer hora do dia, independente de você estar na academia, no salão ou no escritório.
b. Sua caixa postal deve ter uma mensagem séria e não aquelas do tipo: “Oi! Você ligou para Fulana de Tal. No momento tenho coisa mais importante pra fazer, portanto, ligue mais tarde!”. Acredite: esse tipo de brincadeira não cola.
4- Enquanto estiver falando com alguém ao celular:
a. Não mastigue, não beba, não masque.
b. Não fique mudo, como se a linha tivesse caído. Concordo e faça algum ruído que deixe a pessoa na outra linha sabendo que você está escutando.
c. Não fique gritando com seu filho que está correndo de um lado para outro na sala ou conversando com sua secretária. Isso é chato pra quem está do outro lado da linha.
d. Não faça nada que possa tirar sua atenção, como ler, escrever ou assistir a um filme. É deselegante ter que pedir para que a pessoa no outro lado da linha repita tudo por falta de atenção. Se o que ela estava falando era tão desimportante a ponto de você ter começado alguma outra atividade, por que não avisá-la logo? De forma educada, claro.
5- Se você estiver em uma reunião profissional, não coloque aquelas músicas esdrúxulas no seu celular. Ouvir o celular de alguém tocando ao som de Kelly Key e NXZero é o fim. Talvez até do seu emprego. Isso acontecer numa entrevista de emprego, então, nem se fala.
Tem muito mais para se falar sobre etiqueta ao celular, mas esses itens são os básicos que estavam deixando meus nervos à flor da pele e precisava repassá-los aos que se interessam.
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