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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Porto Alegre: a minha cidade maravilhosa!

Estou a quase um mês da minha formatura e muitas coisas no RS vão me fazer falta. Uma delas são minhas viagens a Porto Alegre. Muita gente não entende o motivo do meu amor pela capital; em contrapartida, juro que não compreendo como alguém pode questionar isso. Basta passar um fim de semana em Porto Alegre pra você se fascinar e se sentir completamente atraído pela cidade.

Sempre gostei de cidades grandes, mas o meu amor por elas só floresceu agora, morando na pequena cidade de Canela por dois anos. Não quero desmerecer a região, ela é linda e cheia de atrativos turísticos, com uma população super simpática e uma natureza incrível. Poderia viver aqui tranquilamente devido à minha facilidade de adaptação, mas se dissesse que é a cidade ideal para mim, estaria mentindo.

São muitos os motivos que me fazem amar Porto Alegre e ter uma vontade enorme de morar lá. A capital oferece várias opções culturais, exposições de artes, pinturas, fotografias, além de declamações de poemas e poesias. Lembro da primeira vez que fui a PoA e em um único final de semana, visitamos três exposições, uma no MARGS, sobre a França no Brasil,  uma de fotografias no Santander Cultural e outra de artes plásticas, onde bati foto com alguns poemas do meu amado Vinícius de Moraes escritos em vidro.

Casa de Cultura Mário Quintana
Nesse mesmo final de semana, tinha peça de teatro para o público infantil na Casa de Cultura Mário Quintana (CCMQ). Ela também oferece outras programações ótimas para todos os gostos: cinema, dança, teatro... Infelizmente alguns desses eventos acontecem durante a semana, por isso não tivemos a oportunidade de assisti-los.

Bem em cima da CCMQ tem um local interessantíssimo pra bater um bom papo, comer bem e com uma música ao vivo (voz e violão) excelente, o Café Santo de Casa, que, pelo nome, já dá até pra imaginar a criatividade no nome das comidas. O cardápio vai desde Multiplicação dos Pães (sanduíches) à Comunhão (pratos feitos).

Como sempre gostei de caminhar pela cidade, principalmente Porto Alegre, adoro ir pra lá e subir a Borges a pé, admirar a arquitetura de várias construções, principalmente a da belíssima Catedral Metropolitana, passar pelo monumento (pichado) de Julio de Castilhos na Praça da Matriz e me deparar com o majestoso Theatro São Pedro que, com o auxílio da Catedral, do Palácio Piratini, do Tribunal da Justiça e da Assembléia Legislativa, cerca toda a Praça Marechal Deodoro (Praça da Matriz).

Terminal Parobé
A Usina do Gasômetro é outra das minhas grandes paixões. Adoro passear por lá nas tardes de sol e depois andar até o Mercado Público, conversar com os sempre divertidos vendedores de frutas do Terminal Parobé, praticar o espanhol com os hippies que vendem colares na Praça da Alfândega (conheci uma hippie paraguaia, que nem em Caxias), escutar alguns artistas tocando violão pelo centro e então descansar no meu insubstituível Subway.

A gastronomia em Porto Alegre é bem variada, com opções para todos os gostos, inclusive vegetarianos e veganos. Na minha cidade natal, Fortaleza, e em praticamente todas as cidades, é possível sim encontrar restaurantes com várias saladas, mas dificilmente existe um restaurante que foque esse público, como é o caso de Porto Alegre. Lá não tem como alguém se sentir excluído por sua preferência culinária, por mais excêntrica que seja.

Sebo em PoA


Andando pelas ruas de Porto Alegre, é impossível não passar por algum dos vários sebos da cidade e comprar pelo menos um livro. Falando em livros, essa semana tem a Feira do Livro na Praça da Alfândega. Ontem tive o prazer de visitar e saí com quatro livros novos, um deles é uma trilogia.


Porto Alegre também sedia vários eventos, feiras e congressos interessantíssimos que, para não fugir do costume, possuem temas diversos, chamando a atenção de públicos diferentes de todos os cantos do Brasil. A capital foi sede do 3º Congresso Vegetariano Brasileiro, Encontro Nacional de Geógrafos, Simpósio Nacional de Estudos Tributários, GrandPrix de Judô, Festival de Teatro de Objetos, V Evento Gastronômico Bar em Bar, além de fóruns como o Fórum Social Mundial, pelo qual não nutro simpatia alguma, e o Fórum da Liberdade. Esse último citado realmente vale a pena participar, porque nele não tem nada de sensacionalismo barato e tampouco fantasia a realidade.


Dia de GreNal. Infelizmente
não foi em PoA
Ainda tem alguns lugares que não fui, mas pretendo visitar antes da formatura, em dezembro, como a tão falada Cidade Baixa, principalmente a Lima e Silva e o Parque Farroupilha. Quero também assistir ao pôr-do-sol no Guaíba e a um jogo no Beira Rio. Pra não matar meu pai do coração, não precisa ser um GreNal, claro.

Além de tudo o que Porto Alegre me propicia quando chego lá, a sensação que tenho quando compro uma passagem Canela-PoA, o sentimento de liberdade, simplesmente não tem preço. A minha felicidade quando chega o dia de viajar, a alegria em pegar minha bolsa, colocar apenas minha máquina fotográfica, um caderninho com a lista do que fazer naquele dia e o meu MP4 pra escutar música durante as duas horas de viagem, são emoções que eu nunca vou esquecer. E não importa o lugar onde estiver, sempre que voltar a Porto Alegre, o meu sorriso vai ficar sempre de uma orelha a outra, porque sei que a cidade vai ter sempre uma novidade me aguardando, porque mesmo que ande pelos mesmos lugares, eles nunca caem no tédio, muito menos na mesmice.

Alguns dizem que quando o sino La Marangona, em Veneza, dobra no exato momento em que alguém chega à cidade, é porque ele tem alma veneziana. Se houvesse um sino desses em Porto Alegre, tenho certeza de que ele tocaria pra mim. Nasci em Fortaleza, mas minha alma será eternamente porto alegrense!
Fim de tarde na Usina do Gasômetro. Adoro!


sábado, 15 de agosto de 2009

10 Sustos em Hotel de Porto Alegre


Nos dias 8 e 9 de agosto, eu e mais duas amigas minhas, Nati e Thai, também estudantes de hotelaria, resolvemos viajar à Porto Alegre, já que ainda não conhecíamos a cidade, mesmo morando duas horas de distância da capital.
Foi minha primeira viagem sem meus pais ou qualquer empresa, quis fazer uma trip independente. Pesquisei os principais pontos turísticos de PoA, localizei-os no mapa e fui colocando num papel cada local por ordem de proximidade do hotel no qual íamos nos hospedar. Assim como também escrevi, nesse mesmo papel, quais programações ocorreriam em cada lugar.
O fim de semana foi chuvoso, não pudemos assistir ao pôr-do-sol no Rio Guaíba como planejamos, nem visitamos o tão sonhado e falado Beira Rio, mas ainda vamos conhecê-lo - quem sabe no próximo jogo do Inter!
A chuva não nos desanimou, muito pelo contrário. Como já havíamos visto na previsão do tempo que estaria chovendo na cidade, levamos nossos guarda-chuvas. Visitamos o Memorial do Rio Grande do Sul, a Casa de Cultura Mário Quintana, o Santander Cultura, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, os Palácios Farroupilha e Piratini, o Mercado Público, dois shoppings, sebos, museus, dentre outros pontos.
O que mais nos chamou atenção, no entanto, não foram os belíssimos quadros expostos no MARGS, nem as incríveis fotografias no Santander Cultural, muito menos o fato de não encontrarmos tantos gaúchos musos como várias pessoas falam; mas sim o hotel no qual nos hospedamos.
Sim, o hotel nos chamou atenção desde o momento em que o táxi parou em frente.
Realmente não acreditaria que aquilo que estava perante mim era o hotel que liguei na terça-feira que antecedia o final de semana para fazer a reserva, se não fosse pelo seu nome estampado na fachada.
Logo na porta de entrada tinham umas madeiras, formando colunas. Algo estava sendo (re)construído. O hotel tinha uma aparência acabada, parecia que a qualquer momento ele poderia desmoronar. Primeiro susto.
Bom, retiramos nossas mochilas do porta-malas do carro, fizemos o check-in e fomos deixar tudo no quarto para começarmos nossa maratona pela cidade. Ao entrarmos no elevador, ele se tremia todo e a porta, acompanhada de ruídos nunca antes ouvido, fechou junto com a mala da Thai. Foi um Deus-nos-acuda, mas tudo bem, sobrevivemos - só que eu e Náti resolvemos, a partir daquele momento, usarmos sempre as escadas. Segundo susto.
Fomos em busca do nosso quarto: 305. Após andarmos sem rumo pelos corredores escuros, sem uma luz sequer acesa, encontramos o quarto. Claro, antes disso ainda perturbamos a vida do hóspede do 308, por acharmos que era o nosso quarto. Descobrimos o erro depois que a chave insistiu em não abrir a porto daquela UH.
Enfim, voltando ao nosso quarto. Abrimos a porta. Hum... Ok. Tudo parecia normal, até resolvermos abrir as cortinas. Nossa paisagem? Lindamente depressiva. A vista era pro próprio hotel, caindo aos pedaços. A janela já estava aberta, sendo a visão tampada apenas pela cortina. Resolvemos fechar a janela. Que barulho ensurdecedor era aquele desparado pela janela ao fechá-la? Não sabemos. Mas filmamos. Sim, nós fizemos questão de filmar a janela sendo fechada e aquele ruído monstruoso sendo emitido. Até meu último suspiro terei arrepios e pesadelos ao pensar nesse dia. Terceiro susto.
Não paramos por aí, resolvemos analisar o resto da UH. Fomos ao banheiro. O papel-higiênico oferecido concorria com lixa, na verdade, devia lixar ainda melhor do que lixa. O chão do box era encardido, cheio de manchas pretas. Nessa hora senti uma saudade imensa das minhas havaianas. Tive que tomar banho com as pontas dos pés. Fora toda a questão etético-higiênica, ainda tinha a questão da segurança: o chuveiro era rodeado de fios. Sim, nós também filmamos isso. Quarto susto.
Ao observarmos o quarto, vimos um erro crasso: toalha em cima da cama. Lugar de toalha não é na cama, é no banheiro. Nunca esqueçam disso.
Ao olharmos para o teto, mais fios. Fios que saiam de uma ponta do quarto até a lâmpada. Que medo de dormir debaixo daquilo. Quinto susto.
Depois de tantos sustos, resolvemos descer. Ao descermos, o recepcionista nos convidou à conhecer o restaurante do hotel, onde estava sendo oferecido o café da manhã que, de acordo com ele, além de ser café colonial, era de primeiríssima qualidade. "Bom, não custa nada dar uma olhadinha pra ter uma noção do que vamos comer amanhã", pensamos. Confesso que me intriguei com o possível significado de "primeiríssima qualidade" pro recepcionista. Deixe-me explicar: além da mesa não ser farta, algo característico do café colonial, tinha uma bacia em cima da mesa, entre os pães, cheia de água. Não entendemos o motivo. Até olhar para cima. Goteira. Sim, tinha uma goteira no teto, logo em cima da mesa do café colonial. Parece piada? Não é. Também filmamos isso. Fora esses erros, na mesa era oferecido cereais, mas não tinha tigela para colocá-los, era precisa utilizar uma xícara de café para isso. Sexto susto.
Bom, saímos. Depois de um dia e uma tarde inteira andando por Porto Alegre, passeando por diversos locais, cada um melhor do que o outro, tivemos que voltar ao nosso palácio, pois íamos ao Iguatemi e precisávamos tomar banho e trocar de roupa.
Como não havia levado meu secador de cabelo, meu companheiro inseparável durante o frio no RS, pensei em ligar para a recepção e perguntar se eles tinham um secador para providenciar a hóspedes.
Quando fui pegar o telefone, onde tinha um adesivo grudado com o nome dos setores do hotel e seus respectivos números, vi que logo a parte onde tinham os números estava rasgada. Resolvi, então, pegar o telefone e ir discando até dar na recepção. Só teve um problema: quando coloquei o telefone no ouvido, vi que estava mudo, não prestava.
A única solução foi, então, pegar o meu celular de Fortaleza e ligar para o hotel onde eu estava hospedada. Vou repetir: fiz um interurbano de dentro do quarto de um hotel para o próprio hotel.
A história não termina por aí. Assim que liguei, alertei sobre o telefone. "É, realmente estamos com um problema nesse telefone", essa foi a única resposta que recebi. Como estava com pressa, não entrei no mérito da questão, pois o mais importante para mim, naquele momento, era um secador. "Não, não temos um secador, mas temos um ferro". Nossa, que bom saber que eles tem ferro. Ferro realmente ia ajudar muito a secar meu cabelo. Inclusive, ia aproveitar pra tirar uma parte do meu couro cabeludo também. Não pude acreditar nessa resposta. Foi a gota d'água. Sétimo susto.
Quando descemos - pelas escadas - para pegar o táxi, além de mais goteiras e mais escuridão, encontramos um colchão completamente encardido atrás de uma porta de metal que, se fechada, dexariam algumas UH's sem saída. Bizarramente estranho. Oitavo susto.
Quando chegamos no hall, vimos um computador da época em que vovô ainda andava de skate à disposição dos hóspedes. Uma mulher que acabava de chegar para fazer o check-in perguntou se era de graça e se poderia usá-lo. O recepcionista falou que era de graça, mas que não poderia usá-lo porque estava com defeito. O que ele ainda estava fazendo ali, então? Por que não o retiraram? Nono susto.
Ainda no hall, ficamos esperando pelo táxi por um tempo. Para não nos entediarmos, fomos olhar as revistas. Será que as pessoas não gostam de ler? Será que não fazem questão de se atualizar? Porque era isso o que transmitiria a qualquer um que fosse ler as resvistas, visto que eram todas antigas.
No meio de tanto papelório, encontramos um jornal sobre hotelaria. Esse jornal foi, para mim, a resposta para minhas duas perguntas anteriores, pois se eles gostassem de ler e tivessem lido o jornal que falava sobre hotelaria, com certeza o hotel seria mais hospitaleiro. Errei, deveria ter escrito "o hotel seria hospitaleiro" e não "mais hospitaleiro", já que ele não era hospitaleiro de forma alguma. Décimo e último susto, já que era noite e no outro dia pela manhã já faríamos o check-out.
Clientes gostam de ser bem atendidos e de se sentirem confortáveis, como se estivessem em casa. Esse não pareceu ser, entretanto, o objetivo principal do hotel. Se pudesse dar um conselho, diria que antes de reconstruir partes do hotel, tanto o dono quanto os colaboradores do estabelecimento deveriam fazer um treinamento. Caso não o façam com urgência, a reconstrução não vai adiantar muita coisa, pois a falência do local é iminente. Não adianta ter boa aparência quando se tem uma péssima essência.