É engraçado como as pessoas conseguem se fechar pras outras com tanta facilidade. Conheço uma senhora que valoriza mais animal que ser humano. Realmente não entendo isso. Adoro animais, mas não os considero mais importantes - nem mesmo tão importantes quanto - que humanos.
Tem gente que prefere ficar sozinho. E eu entendo. Verdadeiramente entendo. Por um bom tempo eu preferi isso também. Mas de certa forma me tornei fria, além disso, fiquei mais desconfiada do que o normal. Desconfio de pessoas exageradamente simpáticas, que já chegam me abraçando como se fôssemos amigas há décadas; desconfio dessas almas caridosas que só falam em fazer o bem ao próximo, como se isso fosse uma prova de um coração limpo e amoroso. Sim, eu desconfio. E muito.
Pra mim não existe essa de que todos são inocentes até que se prove o contrário. Na minha concepção, até que prove o contrário, ninguém presta. Essa balela de que a sociedade corrompe não me entra. A gente já nasce com instinto ruim. E se um dia nos tornamos bons, foi simplesmente pela bondade e misericórdia de Deus.
Mas ser frio e só não vale a pena. Pelo menos não pra mim. É bem mais cômodo, concordo. Cômodo e prático. Você não tem que se preocupar com ninguém, não tem que dar satisfação da sua vida, não tem que planejar sua semana baseado, também, nas necessidades de outra pessoa e, fora isso, não se machuca com a deslealdade de algumas pessoas.
Por outro lado, sendo dessa forma, você também não aproveita o lado bom do ser e de ser humano. Não tem nada melhor do que ter alguém com quem chorar, rir, sair, extravasar, desabafar. Por mais que as pessoas sejam capazes dos atos mais atrozes, elas também são capazes de amar.
Todo mundo tem direito a errar, a magoar. É isso o que faz com que o perdão se torne uma ação tão honrosa.
Nem sempre o que é mais cômodo é a melhor opção. Prefiro me decepcionar e decepcionar, perdoar e ser perdoada, mas ter a bênção de ser rodeada por amigos e por amor, a me fechar pro mundo para não chorar e, no final, morrer sem nunca ter experimentado a melhor dádiva que Deus nos deu: a vida.
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terça-feira, 23 de março de 2010
sábado, 21 de novembro de 2009
Mudança de Paradigma
Em Canela, onde moro atualmente, o clima é um tanto quanto estranho: as quatro estações podem ser vistas em um dia só.
Enquanto voltava da Castelli pra minha casa, começou uma chuva muito forte. Eu, prontamente, abri meu guarda-chuva e comecei a andar mais depressa. Até porque queria chegar logo em casa pra me trocar e ir pra academia antes do curso de francês.
Depois de 15 minutos andando, quando já havia completado três quartos do percurso, um homem à minha frente impediu que meus passos continuassem no mesmo ritmo de antes, obrigando-me a desacelerar.
Eu, com minha impaciência costumeira, começo a me irritar e a querer ultrapassar este ser que me atrapalha. Tento uma vez, não consigo. Tento outra vez, também não. O que me deixava ainda mais chateada era o fato de ele perceber a minha pressa e vontade de passar, mas não alterar o movimento ou afastar-se um pouco, para não ficar bem no meio da calçada.
Até que nos posicionamos em frente à padaria Gisele, onde ficou bem mais fácil avançar, levando em consideração a largura da calçada. Não perdi tempo: aumentei o passo e deixei a pessoa para trás.
Conforme a ultrapassava, no entanto, observei algo diferente que, antes, não havia percebido: essa pessoa que tinha despertado em mim uma chateação enorme, além de manca, tinha síndrome de down.
Minha preocupação em chegar no horário certo na academia e em não molhar minha sandália era tão grande que não tive a capacidade de observar o que estava à minha volta e respeitar as condições físicas de uma pessoa.
Não digo que senti pena naquele momento. A única coisa que senti foi vergonha. O sentimento de raiva que tinha antes mudou para um sentimento de culpa, de remorso. Minha forma de ver aquela situação, naquele momento, mudou em um piscar de olhos. A hospitalidade que eu tanto prego tinha sido deixada de lado por mim completamente, e isso me soou tão hipócrita.
Agora eu entendo quando Stephen Covey diz que vemos o mundo não como ele é, mas como nós somos.
Enquanto voltava da Castelli pra minha casa, começou uma chuva muito forte. Eu, prontamente, abri meu guarda-chuva e comecei a andar mais depressa. Até porque queria chegar logo em casa pra me trocar e ir pra academia antes do curso de francês.
Depois de 15 minutos andando, quando já havia completado três quartos do percurso, um homem à minha frente impediu que meus passos continuassem no mesmo ritmo de antes, obrigando-me a desacelerar.
Eu, com minha impaciência costumeira, começo a me irritar e a querer ultrapassar este ser que me atrapalha. Tento uma vez, não consigo. Tento outra vez, também não. O que me deixava ainda mais chateada era o fato de ele perceber a minha pressa e vontade de passar, mas não alterar o movimento ou afastar-se um pouco, para não ficar bem no meio da calçada.
Até que nos posicionamos em frente à padaria Gisele, onde ficou bem mais fácil avançar, levando em consideração a largura da calçada. Não perdi tempo: aumentei o passo e deixei a pessoa para trás.
Conforme a ultrapassava, no entanto, observei algo diferente que, antes, não havia percebido: essa pessoa que tinha despertado em mim uma chateação enorme, além de manca, tinha síndrome de down.
Minha preocupação em chegar no horário certo na academia e em não molhar minha sandália era tão grande que não tive a capacidade de observar o que estava à minha volta e respeitar as condições físicas de uma pessoa.
Não digo que senti pena naquele momento. A única coisa que senti foi vergonha. O sentimento de raiva que tinha antes mudou para um sentimento de culpa, de remorso. Minha forma de ver aquela situação, naquele momento, mudou em um piscar de olhos. A hospitalidade que eu tanto prego tinha sido deixada de lado por mim completamente, e isso me soou tão hipócrita.
Agora eu entendo quando Stephen Covey diz que vemos o mundo não como ele é, mas como nós somos.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Valor: egoísmo
Quando fui ontem fazer a prova de redação da Castelli ESH (Escola Superior de Hotelaria), um dos temas me chamou a atenção. É um tema aparentemente tão simples, que não percebemos a sutileza por trás dele.
Foi-nos pedido para elaborar um texto sobre nossos valores e o porquê de havê-los escolhido para nossa vida.
Os primeiros valores que pensamos geralmente são respeito, lealdade, ética, esperança e todas essas outras coisas politicamente corretas. No entanto, um único valor consegue abranger todos os outros, valor tal que rege e domina a todas as pessoas: o egoísmo.
Eu sou sincero com meu amigo porque espero sinceridade por parte dele. Sou respeitadora com os outros para que possa ser respeitada. No meu comércio, sou simpática com meu cliente para que ele volte e compre mais. Abraço porque gosto de ser abraçada, se não gostasse, não o faria.
Filantropia e trabalho voluntário não são nada louváveis. Ao contrário do que muitos imaginam, eles não passam de um egoísmo disfarçado. Por que alguém doa dinheiro? Porque gosta de ajudar o próximo. Por que gosta de ajudar o próximo? Porque se sente bem com isso. Por que alguém doa seu tempo no trabalha voluntário? Porque quer ajudar. Por que quer ajudar? Por que se sente bem ajudando.
As pessoas, quando não se sentem bem fazendo algo, naturalmente não o fazem. Queremos sempre fazer algo que nos faça sentirmos bem. Egoísmo puro. Portanto, se um filantropo doa dinheiro, é para se sentir bem consigo mesmo. Isso é egoísmo, não bondade.
Se a bondade existe, é graças ao egoísmo das pessoas. Não existe essa de pessoa boa ou má, e sim de pessoa que acaba indiretamente ajudando outras por causa de seu egoísmo e as que não ajudam pelo mesmo motivo: egoísmo.
É divertido pensar que algo aparentemente tão ruim é o único responsável por todos os bons valores existentes. E mais divertido ainda é ver como bons valores são completamente involuntários e egoístas, não nos distinguindo dos que não fazem nada por puro egoísmo, já que, no fim das contas, fazemos tudo pensando em nós mesmos, e não nos outros.
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