Eu desisto de assistir a alguns filmes só pela capa, com outros apenas me desanimo, mas, ainda assim, assisto. Sempre fui fã de carteirinha do Harrison Ford e vi que papai tinha comprado mais um DVD onde ele era um dos protagonistas: Sabrina.
A capa não me animou muito, mas como era com o Harrison, perguntei aos meus pais se eles gostavam do filme. Mamãe prontamente disse que sim, papai foi dizendo que era pra toda a família, excelente. O filme, pelo visto, era daqueles romances com alguma comédia, meio água com açúcar, no estilo que eu não gosto.
Filme romântico com veia humorística dificilmente é bom, até porque quase nunca o que era pra ser engraçado realmente é. O roteirista e o diretor do filme tem que ser muito bons pra conseguir misturar romance e comédia. Isso, claro, é a opinião de quem não entende bulhufas de cinema e que adora palpitar sem saber de nada pelo simples prazer de fazê-lo.
O que estragou o filme, pra mim, foi no início – na verdade, a cena foi mais ou menos no início, mas não bem no início; foi depois do início e antes do meio – quando Sabrina volta de uma temporada na França. Antes disso, ela morava na mansão de uma família rica (óbvio que era rica, já que a família tinha uma mansão), porque era a filha do choffeur. A família era composta pela mãe e pelos dois filhos. O pai era falecido. Sabrina era apaixonada por David, filho mais novo que, como sempre tem que ter uma ovelha negra, apesar de inteligente, era um mulherengo que nunca aparecia pra trabalhar, levava a vida a jogar tênis, ter encontros de dois dias com quem quer que fosse e ganhar uma mesadinha nada insignificante da empresa da família, onde ele tinha um escritório que nem sequer sabia mais onde ficava. Já o Linus, o irmão mais velho, era justamente o contrário. O workaholic em pessoa.
Anyways, a mãe desses dois conseguiu um emprego pra Sabrina na França e ela resolveu ir. Os funcionários da casa, incluindo seu pai, achavam que essa seria uma forma dela esquecer David, que foi seu amor platônico por todos esses anos. Com o passar do tempo, Sabrina foi começando a esquecê-lo, até ficar sabendo de seu noivado com uma médica pediatra, filha de um rico empresário que iria fechar acordo com a empresa dos Larabee.
Alors, quando Sabrina voltou de Paris, ela era uma mulher completamente diferente. Voltou mais bonita e jeitosa, além de um cabelo curto e bem mais bonito. Quando David a viu, logo se apaixonou e convidou-a para mais uma das várias festas que a família estava organizando, dessa vez para comemorar o aniversário da mãe. Sabrina, sem pensar duas vezes, aceitou. Na festa de aniversário estavam presentes os futuros sogros de David. A noiva estava viajando e não pode comparecer.
Sabrina foi muito bem arrumada para o aniversário, onde se encontrou com David, conversou e dançou com ele de forma que se eu fosse a noiva dele e presenciasse a cena, faria com que o pouco cabelo que restou de Sabrina após seu corte na França fosse resumido a nada.
Como David sempre fazia com suas presas (e Sabrina sabia muito bem disso, já que vivia espionando cada respirar dele), pediu para que a moça o encontrasse no Solarium. Enquanto isso, ele pegaria uma garrafa de champagne, duas taças – que seriam colocadas no seu bolso traseiro – e pediria para a orquestra tocar uma música cujo nome não me recordo.
O que mais me revoltou nessa parte do filme foi não apenas Sabrina saber que esse convite não a faria mais ou menos especial do que qualquer outra garota que ele tenha convidado ao solarium, mas ver que ela concordou em ir até lá, tendo consciência da desoriginalidade da cantada e, principalmente, sabendo do noivado de David.
Além disso, o que é também ridículo, é que ela só não se igualou a uma qualquer pelo simples fato de David, estúpido como naturalmente deveria ser, ter sentado com as duas taças no seu traseiro durante um rápido bate-papo entre ele, Linus e a mãe, sobre o seu comportamento com Sabrina, impedindo seu comparecimento ao solarium.
Mas a gota d’água para a minha indignação, na verdade, não foi o filme, apesar de ter alugado os ouvidos da minha mãe pra expressar toda a minha revolta, mas ter lido na revista Contigo!, enquanto fazia minhas unhas, que Cássio Reis e Danielle Winits tinham se separado e o pivô foi Jônatas Faro, de 22 anos, um pirralho que mal deixou de usar fralda. Após alguns anos de casados e o nascimento de um filho, a união acabou por causa de um menino mais de uma década mais novo que a mulher.
Pra tudo há perdão, mas a mágoa sempre fica. E se tem uma coisa que eu não consigo admitir é traição. Além de ser de uma frieza muito grande por parte de quem trai, é muita falta de caráter e uma covardia tremenda agir pelas costas, escondido. É vergonhoso saber que alguém prometeu no altar amar alguém até que a morte os separasse, fazer votos e mais votos de felicidade, pra depois tomar uma atitude dessas. Ora, pra quê se casa, então? É melhor ficar solteiro, se for pra ser assim.
Claro que as pessoas podem se enganar e perceber depois que o casamento foi um engano, o que, para mim, não é justificativa para um divórcio, porque muito, mas muito dificilmente alguém casa enganado, mas se for pra trair, que seja ao menos sincero com o cônjuge e caia fora do relacionamento antes de agir dessa forma ou então, ao expor suas fraquezas, tente melhorar a relação. Ninguém é tão desimportante a ponto de merecer ser tratado de forma tão desumana e cruel.
Não gostei de Sabrina. Assim como nunca gostei de “O Encantador de Cavalos”. São dois filmes que passo longe quando busco algum dos DVDs do papai para passar o tempo.
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domingo, 25 de julho de 2010
sábado, 19 de junho de 2010
O Casamento de Nelinha
Hoje fui alugar um filme com Thai a fim de assistirmos nesse sábado a noite e desopilarmos um pouco, depois de uma semana desgastante, chegando em casa por volta das 23h da noite todos os dias por causa de projetos e coisas do gênero.
Antes de começarmos a assistir ao filme, ligamos a TV e bem na hora passava a cena de uma novela da Globo, Tempos Modernos, que não assisto porque, além de não gostar de novelas, tenho curso todos os dias nesse horário. Anyways, como qualquer outra novela, você só precisa de 10 míseros minutos para saber tudo o que aconteceu até aquele exato momento e tudo o que acontecerá dali em diante.
A cena por si só me chamou atenção. Era do casamento da Nelinha. Ela, na novela é apaixonada pelo Zeca. Eles chegaram a namorar, mas descobriram que, pasmem, ele era filho do pai dela, logo, os dois eram irmãos. Fim de namoro.
Nelinha conheceu alguém que não sei o nome, chamemos de João para que eu não tenha que ficar escrevendo “alguém que não sei o nome” o tempo todo nesse texto – se bem que eu poderia só usar o CTRL C/ CTRL V.
Enfim, no momento do casamento dela com João, antes de entrar no altar, descobriu que não era filha do pai dela ou, melhor dizendo, do cara que ela chamava de pai. Alguém conseguir não ser filha do próprio pai é uma proeza muito medonha mesmo. Se ela não era filha do cara, ela não era irmã do Zeca, que é o rapaz que ela realmente ama. Ela não sendo irmã dele faz com que os dois possam ficar juntos. Eu sou muito esperta, né? Eu sei.
Assim que descobriu, ela ficou sem saber o que fazer e chamou o noivo, que já estava no altar. Quando ele entrou na sala, ela tava chorando e falou que descobriu que Zeca não era irmão dela. A novela acabou bem na hora em que ela entra no altar para se casar com João, que a convenceu a continuar o casamento assim mesmo.
Eu, se fosse o João, jamais aceitaria casar com alguém que não me amasse, mesmo que tivesse profunda admiração por mim. É horrível saber que uma pessoa vai estar ao teu lado pra sempre, mas amando outro. Dizem que o amor pode vir com o tempo. Eu prefiro não arriscar.
Acredito, sim, que posso viver com alguém o resto da vida – e de forma feliz – sem necessariamente amar como homem, apenas como um bom amigo e companheiro, mas isso seria o mesmo que negar o amor de alguém que poderia surgir futuramente ou que já tenha surgido. Isso eu digo levando em consideração, conservadora como sou, que casamento é para sempre e não me casaria pensando que poderia me separar caso encontrasse outra pessoa a quem realmente amasse.
Bom, são apenas devaneios meus. Ninguém é obrigado a concordar com nada disso. O que queria falar mesmo quando comecei a escrever esse texto era só que se estivesse no lugar da Nelinha, não casaria. Prefiro não casar a casar sem amor.
Aí me vem aquelas pessoas dizendo “mas amor não paga as contas e nem coloca o pão na mesa”. É pra me sustentar que eu estudo, não preciso do sobrenome de ninguém para isso. Prefiro ficar solteira a casar sem amor. Aliás, prefiro ficar solteira a abrir mão de várias outras coisas que estão, inclusive, acima do amor, mesmo que isso me fizesse sofrer por toda a vida.
Antes de começarmos a assistir ao filme, ligamos a TV e bem na hora passava a cena de uma novela da Globo, Tempos Modernos, que não assisto porque, além de não gostar de novelas, tenho curso todos os dias nesse horário. Anyways, como qualquer outra novela, você só precisa de 10 míseros minutos para saber tudo o que aconteceu até aquele exato momento e tudo o que acontecerá dali em diante.
A cena por si só me chamou atenção. Era do casamento da Nelinha. Ela, na novela é apaixonada pelo Zeca. Eles chegaram a namorar, mas descobriram que, pasmem, ele era filho do pai dela, logo, os dois eram irmãos. Fim de namoro.
Nelinha conheceu alguém que não sei o nome, chamemos de João para que eu não tenha que ficar escrevendo “alguém que não sei o nome” o tempo todo nesse texto – se bem que eu poderia só usar o CTRL C/ CTRL V.
Enfim, no momento do casamento dela com João, antes de entrar no altar, descobriu que não era filha do pai dela ou, melhor dizendo, do cara que ela chamava de pai. Alguém conseguir não ser filha do próprio pai é uma proeza muito medonha mesmo. Se ela não era filha do cara, ela não era irmã do Zeca, que é o rapaz que ela realmente ama. Ela não sendo irmã dele faz com que os dois possam ficar juntos. Eu sou muito esperta, né? Eu sei.
Assim que descobriu, ela ficou sem saber o que fazer e chamou o noivo, que já estava no altar. Quando ele entrou na sala, ela tava chorando e falou que descobriu que Zeca não era irmão dela. A novela acabou bem na hora em que ela entra no altar para se casar com João, que a convenceu a continuar o casamento assim mesmo.
Eu, se fosse o João, jamais aceitaria casar com alguém que não me amasse, mesmo que tivesse profunda admiração por mim. É horrível saber que uma pessoa vai estar ao teu lado pra sempre, mas amando outro. Dizem que o amor pode vir com o tempo. Eu prefiro não arriscar.
Acredito, sim, que posso viver com alguém o resto da vida – e de forma feliz – sem necessariamente amar como homem, apenas como um bom amigo e companheiro, mas isso seria o mesmo que negar o amor de alguém que poderia surgir futuramente ou que já tenha surgido. Isso eu digo levando em consideração, conservadora como sou, que casamento é para sempre e não me casaria pensando que poderia me separar caso encontrasse outra pessoa a quem realmente amasse.
Bom, são apenas devaneios meus. Ninguém é obrigado a concordar com nada disso. O que queria falar mesmo quando comecei a escrever esse texto era só que se estivesse no lugar da Nelinha, não casaria. Prefiro não casar a casar sem amor.
Aí me vem aquelas pessoas dizendo “mas amor não paga as contas e nem coloca o pão na mesa”. É pra me sustentar que eu estudo, não preciso do sobrenome de ninguém para isso. Prefiro ficar solteira a casar sem amor. Aliás, prefiro ficar solteira a abrir mão de várias outras coisas que estão, inclusive, acima do amor, mesmo que isso me fizesse sofrer por toda a vida.
sábado, 6 de março de 2010
A Liberdade de Dourado
Eu nunca gostei de BBB, aliás, é um programa esdrúxulo, com pessoas que conseguem ser ainda mais esdrúxulas.
Mesmo não assistindo, estou a par de tudo o que ocorre na casa, pois sigo a Folha de São Paulo no twitter e sempre aparece notícias de todos os estilos.
Na quinta-feira da semana passada me chamou a atenção uma notícia sobre um possível inquérito que a Globo teria que responder por conta de algumas afirmações homofóbicas feitas por Dourado durante o programa[1].
Sinceramente não suporto essa pseudo-santidade nas pessoas, essa hiprocrisia ao se chocar com uma frase do Dourado como se nós também não tivéssemos nossos preconceitos.
Se o Serginho - outro participante do BBB10 - falar algo sobre heterossexuais, duvido que apareça um processo na casa dele. Não existe essa balela de direitos iguais. As minorias sempre tem mais direitos, o que é uma tremenda injustiça.
Se aparece uma pessoa negra usando uma blusa com os dizeres "raça negra" ou "100% negro", não tem problema nenhum. Agora coloca um branco fazendo isso que todo mundo começa a chamar de nazista.
Um homossexual fazer passeata é uma forma de se expressar, já um heterossexual é uma afronta. Orgulho gay, pode. Orgulho hétero, não. Qualquer palavrinha que usamos pode nos fazer ser processados por danos morais.
São essas liberdades parciais que me revoltam, me frustram. Alguns grupos podem se expressar, outros, não. Que tipo de liberdade é essa, que só serve pra uma parte da população?
Na aula de Legislação meu professor estava falando sobre danos morais. Pois bem, danos morais, pra mim, pode se resumir em uma única palavra: frescura. Quem processa uma pessoa por danos morais tem mais é que ir pra um psicólogo. É muito complexo de inferioridade pro meu gosto.
Não assisto BBB, não gosto. Mas, a partir de hoje, torço pelo Dourado. Até o fim.
[1] http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u702091.shtml
Mesmo não assistindo, estou a par de tudo o que ocorre na casa, pois sigo a Folha de São Paulo no twitter e sempre aparece notícias de todos os estilos.
Na quinta-feira da semana passada me chamou a atenção uma notícia sobre um possível inquérito que a Globo teria que responder por conta de algumas afirmações homofóbicas feitas por Dourado durante o programa[1].
Sinceramente não suporto essa pseudo-santidade nas pessoas, essa hiprocrisia ao se chocar com uma frase do Dourado como se nós também não tivéssemos nossos preconceitos.
Se o Serginho - outro participante do BBB10 - falar algo sobre heterossexuais, duvido que apareça um processo na casa dele. Não existe essa balela de direitos iguais. As minorias sempre tem mais direitos, o que é uma tremenda injustiça.
Se aparece uma pessoa negra usando uma blusa com os dizeres "raça negra" ou "100% negro", não tem problema nenhum. Agora coloca um branco fazendo isso que todo mundo começa a chamar de nazista.
Um homossexual fazer passeata é uma forma de se expressar, já um heterossexual é uma afronta. Orgulho gay, pode. Orgulho hétero, não. Qualquer palavrinha que usamos pode nos fazer ser processados por danos morais.
São essas liberdades parciais que me revoltam, me frustram. Alguns grupos podem se expressar, outros, não. Que tipo de liberdade é essa, que só serve pra uma parte da população?
Na aula de Legislação meu professor estava falando sobre danos morais. Pois bem, danos morais, pra mim, pode se resumir em uma única palavra: frescura. Quem processa uma pessoa por danos morais tem mais é que ir pra um psicólogo. É muito complexo de inferioridade pro meu gosto.
Não assisto BBB, não gosto. Mas, a partir de hoje, torço pelo Dourado. Até o fim.
[1] http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u702091.shtml
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Crime é Incentivado pela (IN)Justiça Brasileira
Todos os brasileiros se chocaram em 2007 com a morte do menino João Hélio, de 6 anos, no RJ, ao ser arrastado por 7km preso ao cinto de segurança do carro em que estava, quando sua mãe foi assaltada por alguns marginais.
Após três anos, um dos vagabundos, Ezequiel Toledo de Lima, foi enviado, com a ajuda da ONG Projeto Legal e com a permissão do juiz da Vara de Infância e Juventude, à Suíça a fim de recomeçar sua vida. [1]
João Hélio não teve uma segunda chance pra recomeçar. Por que dar uma segunda chance, então, a um dos assassinos dessa criança?

Nunca entendi os Direitos Humanos, sempre tive uma grande repulsa a eles justamente por sempre defender criminosos, estupradores, vagabundos que matam por prazer. Poderíamos mudar o nome de Direitos Humanos para Direito dos Vagabundos sem problema algum, se bem que vagabundo não deveria ter direito a nada, só a sofrer calado.
Quando li essa notícia, o que mais me indignou não foi pensar no marginal vivendo na Suíça, mas saber que existem pessoas sem escrúpulos, sem princípios e sem sentimentos como esse juiz que liberou sua mudança à Europa e como a ONG Projeto Legal que auxiliou no envio.
Será que não pensam na família do garoto? Ele não é tão importante assim? A família dele e a vida após sua morte não interessam?
Esse ato da (in)justiça brasileira só faz com que o crime seja cada vez mais incentivado. Tá passando fome? Então mata alguém, que eles te mandam pra Europa!
Sinto muito, mas com atitudes como essas, cidadãos honestos, que clamam por justiça, ficam cada vez mais frios e impiedosos. Disseram que Ezequiel estava sendo ameaçado na prisão. Excelente motivo para mantê-lo preso.
Como diria Alborghetti: "Bandido bom é bandido morto".
[1] http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/02/18/e18027526.asp
Após três anos, um dos vagabundos, Ezequiel Toledo de Lima, foi enviado, com a ajuda da ONG Projeto Legal e com a permissão do juiz da Vara de Infância e Juventude, à Suíça a fim de recomeçar sua vida. [1]
João Hélio não teve uma segunda chance pra recomeçar. Por que dar uma segunda chance, então, a um dos assassinos dessa criança?
Nunca entendi os Direitos Humanos, sempre tive uma grande repulsa a eles justamente por sempre defender criminosos, estupradores, vagabundos que matam por prazer. Poderíamos mudar o nome de Direitos Humanos para Direito dos Vagabundos sem problema algum, se bem que vagabundo não deveria ter direito a nada, só a sofrer calado.
Quando li essa notícia, o que mais me indignou não foi pensar no marginal vivendo na Suíça, mas saber que existem pessoas sem escrúpulos, sem princípios e sem sentimentos como esse juiz que liberou sua mudança à Europa e como a ONG Projeto Legal que auxiliou no envio.
Será que não pensam na família do garoto? Ele não é tão importante assim? A família dele e a vida após sua morte não interessam?
Esse ato da (in)justiça brasileira só faz com que o crime seja cada vez mais incentivado. Tá passando fome? Então mata alguém, que eles te mandam pra Europa!
Sinto muito, mas com atitudes como essas, cidadãos honestos, que clamam por justiça, ficam cada vez mais frios e impiedosos. Disseram que Ezequiel estava sendo ameaçado na prisão. Excelente motivo para mantê-lo preso.
Como diria Alborghetti: "Bandido bom é bandido morto".
[1] http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/02/18/e18027526.asp
domingo, 3 de janeiro de 2010
Aprendendo Com a Gafe do Boris.
Não vim aqui jogar pedra no Boris Casoy pelo infeliz comentário proferido durante a apresentação do seu jornal na Band. Todo mundo comete gafe e isso é inquestionável. O importante é saber como sair bem dela – e isso, infelizmente, Boris não soube.
Ao fazer algo errado, a melhor atitude a tomar é assumir o erro e mostrar uma saída para reverter a situação. Quando falamos algo errado o modo de agir não é menos importante, tampouco diferente.
A frase de Boris que gerou desconforto e choque em milhares de telespectadores, "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho", me impressionou mais por ter vindo dele do que pelo valor da frase em si. As pessoas são hipócritas demais para dizerem que pensam a mesma coisa, mas sem dúvida alguma Boris não é o único.

Após uma gafe dessas, a primeira atitude a tomar é desculpar-se. Boris fez isso durante um telefonema à Folha Online. Eis sua frase: "Foi um erro. Vazou, era intervalo e supostamente os microfones estavam desligados. Errei mesmo. Falei uma bobagem, falei uma frase infeliz. E vou pedir desculpas”[1].
Perceberam a infelicidade da frase acima? O melhor que o Boris Casoy poderia ter feito seria dizer apenas que errou, que foi uma frase infeliz e dizer a atitude que tomaria (pedir desculpas). E só.
A partir do momento em que ele diz que os microfones deveriam estar desligados, fica óbvio que suas desculpas foram pro forma. Dando a entender que, para ele, os garis realmente são a escória do profissionalismo e que infeliz foi ele ter falado aquilo no lugar errado, na hora errada, visto que os microfones estavam ligados. Portanto, ele não se arrependeu da frase e do seu conteúdo em si, mas do momento (errado) escolhido para expô-la. O erro de Boris foi querer se justificar. Ninguém justifica uma gafe. Assume.
Boris tentou reverter a situação, mas só fez piorar. Não vou julga-lo por ter dito a primeira frase, pois todos temos algum preconceito, não adianta negar. O que importa é saber quando, como e o que falar, para não cometermos gafes como esta e, quando cometermos, sabermos sair da situação de forma menos constrangedora, e não piorando ainda mais, ao cometer outra gafe por cima.
Quem me conhece desde criança sabe o quanto sou fã do Boris e dos seus comentários nos jornais, mas, como ninguém é perfeito, o famoso bordão do Boris acabou virando contra ele.
Na próxima vez que cometerem uma gafe, não justifiquem, desculpem-se. Justificar-se não é apenas humilhante, mas perigoso e completamente inútil.
[1] http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u673601.shtml
Ao fazer algo errado, a melhor atitude a tomar é assumir o erro e mostrar uma saída para reverter a situação. Quando falamos algo errado o modo de agir não é menos importante, tampouco diferente.
A frase de Boris que gerou desconforto e choque em milhares de telespectadores, "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho", me impressionou mais por ter vindo dele do que pelo valor da frase em si. As pessoas são hipócritas demais para dizerem que pensam a mesma coisa, mas sem dúvida alguma Boris não é o único.

Após uma gafe dessas, a primeira atitude a tomar é desculpar-se. Boris fez isso durante um telefonema à Folha Online. Eis sua frase: "Foi um erro. Vazou, era intervalo e supostamente os microfones estavam desligados. Errei mesmo. Falei uma bobagem, falei uma frase infeliz. E vou pedir desculpas”[1].
Perceberam a infelicidade da frase acima? O melhor que o Boris Casoy poderia ter feito seria dizer apenas que errou, que foi uma frase infeliz e dizer a atitude que tomaria (pedir desculpas). E só.
A partir do momento em que ele diz que os microfones deveriam estar desligados, fica óbvio que suas desculpas foram pro forma. Dando a entender que, para ele, os garis realmente são a escória do profissionalismo e que infeliz foi ele ter falado aquilo no lugar errado, na hora errada, visto que os microfones estavam ligados. Portanto, ele não se arrependeu da frase e do seu conteúdo em si, mas do momento (errado) escolhido para expô-la. O erro de Boris foi querer se justificar. Ninguém justifica uma gafe. Assume.
Boris tentou reverter a situação, mas só fez piorar. Não vou julga-lo por ter dito a primeira frase, pois todos temos algum preconceito, não adianta negar. O que importa é saber quando, como e o que falar, para não cometermos gafes como esta e, quando cometermos, sabermos sair da situação de forma menos constrangedora, e não piorando ainda mais, ao cometer outra gafe por cima.
Quem me conhece desde criança sabe o quanto sou fã do Boris e dos seus comentários nos jornais, mas, como ninguém é perfeito, o famoso bordão do Boris acabou virando contra ele.
Na próxima vez que cometerem uma gafe, não justifiquem, desculpem-se. Justificar-se não é apenas humilhante, mas perigoso e completamente inútil.
[1] http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u673601.shtml
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Etiqueta ao Celular

Tenho percebido o quanto a etiqueta ao celular é algo precariamente entendido entre as pessoas.
Em menos de uma semana já passei por poucas e boas com sujeitos que utilizam esse aparelho tão necessário na atualidade de uma forma tão ridiculamente mal-educada.
Como é sempre muito fácil só reclamar, resolvi, então, dar algumas dicas básicas para utilizá-lo de forma correta, sem perturbar a sanidade dos outros.
1- Quando estiver falando com alguém ao celular em um ambiente fechado – ônibus, restaurantes e shoppings, por exemplo – observe se está falando com um tom de voz baixo. Ninguém quer saber o que você fez na noite passada ou o que vai comer no café-da-manhã.
2- Se estiver na companhia de alguém e estiver esperando uma ligação importante, avise à pessoa com quem você está sobre isso. Não é nada educado interromper alguém falando pra atender a um celular. Afinal, se não foi avisado antes que ele poderia tocar, por que a ligação seria mais importante do que o que o interlocutor fala?
3- Caso você coloque o número do seu celular pessoal no seu cartão de visita profissional, tenha em mente que:
a. Você deu oportunidade para quem recebe o cartão de ligá-lo a qualquer hora do dia, independente de você estar na academia, no salão ou no escritório.
b. Sua caixa postal deve ter uma mensagem séria e não aquelas do tipo: “Oi! Você ligou para Fulana de Tal. No momento tenho coisa mais importante pra fazer, portanto, ligue mais tarde!”. Acredite: esse tipo de brincadeira não cola.
4- Enquanto estiver falando com alguém ao celular:
a. Não mastigue, não beba, não masque.
b. Não fique mudo, como se a linha tivesse caído. Concordo e faça algum ruído que deixe a pessoa na outra linha sabendo que você está escutando.
c. Não fique gritando com seu filho que está correndo de um lado para outro na sala ou conversando com sua secretária. Isso é chato pra quem está do outro lado da linha.
d. Não faça nada que possa tirar sua atenção, como ler, escrever ou assistir a um filme. É deselegante ter que pedir para que a pessoa no outro lado da linha repita tudo por falta de atenção. Se o que ela estava falando era tão desimportante a ponto de você ter começado alguma outra atividade, por que não avisá-la logo? De forma educada, claro.
5- Se você estiver em uma reunião profissional, não coloque aquelas músicas esdrúxulas no seu celular. Ouvir o celular de alguém tocando ao som de Kelly Key e NXZero é o fim. Talvez até do seu emprego. Isso acontecer numa entrevista de emprego, então, nem se fala.
Tem muito mais para se falar sobre etiqueta ao celular, mas esses itens são os básicos que estavam deixando meus nervos à flor da pele e precisava repassá-los aos que se interessam.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
A Imagem Que Exportamos

Muitas pessoas ficaram indignadas com a piada que o ator e comediante Robin Williams fez no programa Late Show, do David Letterman, ao afirmar: “Espero que ela (Oprah) não esteja chateada com as Olimpíadas. Chicago enviou a Oprah e a Michelle. O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi uma competição justa”.
Por que as pessoas ficaram indignadas com a piada? Não é com a piada que temos que nos indignar, mas sim com nossa situação atual e com os próprios brasileiros.
O que Robin Williams falou nada mais é do que a imagem que nós criamos, portanto, o culpado somos nós. A partir do momento em que vendemos o Brasil como o país do Carnaval, do samba, da mulata e da caipirinha, não podemos exigir que nos retratem como um local sério ou qualquer outra característica similar.
Será que realmente estamos preocupados com a imagem que temos lá fora? Já pararam pra ver os filmes que produzimos? Quando não falam da favela e do tráfico de drogas no RJ, exibimos um filme sem história, mas repleto de sexo. Porque o brasileiro gosta disso: pouco conteúdo e muita obscenidade.
A verdade dói, mas precisa ser dita. Se quisermos realmente mudar a imagem do Brasil, temos que mudar nossos atos, nossa forma de lidar com os problemas, deixar o “jeitinho” de lado, por fim, mudar o caráter brasileiro, que já é intrínseco ao nosso povo.
O que me deixa realmente revoltada é ver que tanta gente faz um rebuliço tremendo por conta dessa piada, mas quando fica sabendo de corrupção, desvio de dinheiro, aumento de IPTU dentre tantas outras falcatruas governamentais, ninguém faz nada. Todo mundo fica calado, aceitando toda a roubalheira como algo habitual e irreparável.
Robin Williams não tem que ser processado por nada. Onde já se viu alguém ser processado por falar a verdade? Imagino até a manchete do jornal: Robin Williams é processado por faltar com a MENTIRA!
Robin Williams não teria feito essa piada se não tivéssemos propiciado tal cenário. Se alguém tem que ser culpado por isso, esse alguém somos nós.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
A Meritocracia e sua Irrelevância

Hoje faz exato um ano que optei por seguir a carreira militar através da Efomm (Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante). Estava em dúvida entre ela e uma viagem aos EUA, para aperfeiçoar o inglês e fazer o exame do TOEFL, já que até então queria cursar faculdade no exterior.
Por influências e pela minha insaciável curiosidade pela vida militar, cancelei minha viagem aos EUA já planejada por meses, comprei o material exigido para ir à Marinha e ao período de adaptação, que eram de três semanas, e viajei no dia 4 de janeiro.
Se tivesse que dizer uma das decisões mais importantes que já fiz na minha vida, diria que ter ido à Belém, onde fica a Marinha Mercante, seria uma dessas (fora a decisão de pedir baixa das Forças Armadas).
No período de adaptação aprendi lições inesquecíveis, abandonei certos preconceitos e deixei meu orgulho um pouco de lado, passei a lavar banheiro, espremer pano imundo com minhas unhas recém feitas (que dó), levar esporro de graça sem poder revidar, pagar flexão, correr com fuzil e ser acordada de madrugada. O que mais levo de legado da marinha, no entanto, foi a disciplina que ganhei e a paciência para conviver com pessoas completamente diferentes de mim. Aprendi a lidar melhor com meus problemas e a superá-los.
Infelizmente nem sempre fazemos tudo corretamente, e o que fiz de errado lá vou levar comigo pra sempre. Arrependimento há, infelizmente não podemos apagar as besteiras que fazemos ou dizemos, mas ao menos aprendemos com eles.
Enfim, mesmo com tantas coisas boas que fazia por lá, mesmo com tantos aprendizados, eu não poderia ficar calada diante de uma única coisa que realmente me incomodava e que conseguia fazer com que tudo que havia aprendido fosse minimizado por ela: a hierarquia sem a meritocracia.
Nunca entendi como pode haver hierarquia sem a existência de uma meritocracia. Isso é incabível, inadmissível e completamente questionável (o problema é que “questionar” é um verbo inexistente no dicionário militar). Por que uma pessoa é mais importante que outra simplesmente por que chegou dois, três anos antes? E se uma novata for melhor instruída para o cargo da superior, por que não pode ocupá-lo?
Ao ingressar nas Forças Armadas, se uma pessoa A entra no mesmo dia que a pessoa B, elas serão capitãs no mesmo período de tempo, tardarão o mesmo período pra chegar a major, general e assim por diante. Então, não importa que a pessoa A trabalhe mais, se esforce mais ou estude mais que a pessoa B, elas serão sempre iguais. A falta de mérito desestimula pessoas como a A e faz com que se acomodem à mesmice. Isso não aconteceria numa empresa privada, mas isso não vem ao caso agora. Voltemos à questão hierarquia versus meritocracia.
Uma vez, em uma palestra na Marinha, nosso antigo ComCA (Comandante do Corpo de Alunos) nos disse que se após horas numa fila, faltasse apenas duas pessoas para sermos atendido e alguém superior a nós entrasse no recinto, deveríamos dispor de nosso lugar na fila a ele e irmos ao seu final. Afinal, a pessoa é superior a mim!
Outro exemplo dado por ele foi de uma vez, quando jantava com sua esposa num restaurante já lotado, e um superior apareceu com sua esposa para jantar. Como não tinha mais lugar, estavam deixando o restaurante, quando o comandante foi até lá e perguntou se eles queriam o seu lugar no restaurante. Como assim? E a comida já na mesa? E a esposa do comandante, como ficaria? Ela não merece respeito também? Que princípios são esses que aprendemos? Há quem diga ser respeito. Eu digo ser humilhação, desrespeito e injustiça para com quem chegou antes, para com quem realmente trabalha e deveras quer crescer.
Voltando ao primeiro caso, ao caso da fila, e se eu não vir um superior entrando? Não preciso doar meu lugar na fila? Ótimo, então vou sempre fingir que nunca vi superior algum, pois não me sujeitarei a uma tirania dessas, tampouco exigirei que alguém se sujeite a isso por mim.
Hierarquia, sim. Porém sem meritocracia, jamais.
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