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domingo, 5 de setembro de 2010

Como é bom ter companhia!

Ontem mamãe voltou pra Fortaleza. Ela veio passar uma semana comigo aqui em Canela pra aproveitar o último semestre que tenho no Brasil antes de estagiar na França (isso se não me negarem o visto, claro hehe).

Engraçado que por mais tempo que já tenha morado longe dos meus pais, por mais independente (em certos aspectos) que tenha me tornado, por mais que tenha aprendido a viver sozinha e não sinta tanta saudade quanto antes, basta um dia, um único dia, pra ver que uma boa parte de tudo o que pensava está completamente errado.

Consigo resolver meus problemas, já não preciso mais dos meus pais ligando de Fortaleza pra Canela pra solucionar as besteiras que me afligem; aprendi a preencher meu dia e não ficar entediada; faço meu livro-caixa do jeitinho que papi me ensinou quando ainda era uma pirralha que precisava da mamãe cantando pra dormir e deixo a casa o mais vazio possível pra não me dar trabalho quando tiver que limpar do jeito prático que minha mãe me ensinou. A faxineira faz o trabalho "sujo" depois. Eu só inicio. =P

Mas se tem uma coisa que não aprendi foi a viver sozinha. Aprender a lidar com a saudade, isso eu aprendi. Mas a viver sozinha? Não. E fico muito feliz com isso. O ser humano não nasceu para viver sozinho, se assim o fosse, Adão não se sentiria só e Deus não teria criado Eva.

Claro que precisamos de nossos momentos sem ninguém por perto para descansar um pouco, colocar os pensamentos em ordem, mas isso não é bom quando deixam de ser apenas momentos.

Por mais frio, indiferente ou solitário que fiquemos, precisamos de apenas um dia com pessoas que nos fazem bem para vermos como é infinitamente melhor ter gente por perto, compartilhando o dia, as felicidades, as inquietações, as conquistas, a raiva ou qualquer outro momento, quer seja bom ou ruim, relevante ou não.

Claro que existem também os pontos negativos, mas se tabularmos e compararmos os pontos positivos e negativos, vai ser visível a superabundância dos pontos positivos comparados aos dos negativos.

Com outra pessoa morando conosco, até a refeição fica melhor. Fazia séculos que não tomava café-da-manhã antes de ir pra Castelli, porque o melhor de preparar uma refeição é ter alguém pra dividir a mesa e a conversa. Se for pra comer por comer, pego qualquer besteira na padaria e levo pra casa.

Anyways, mami foi embora ontem e o aniversário dela é hoje. Agora ela tá compartilhando um café-da-manhã delicioso com papai e vovó enquanto coloca toda a conversa em dia.


Obrigada por ter feito companhia pra filhota aqui durante todos esses dias, mami, e por me fazer lembrar que não sei (e muito menos quero) viver sozinha, por mais independente que eu fique.

Você é a melhor mãe do mundo e, de longe, a minha melhor amiga!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Feliz dia dos pais, papi!

Falar de quem amamos é sempre uma tarefa difícil, principalmente quando esse alguém, além de ser amado incondicionalmente, é um dos maiores responsáveis por quem nós somos.

Ontem foi dia dos pais e queria escrever algo especial pro papai, mas ele sempre recebe as mesmas cartinhas e escuta as mesmas coisas. A única coisa que ele nunca ganha é presente, porque ele sempre faz questão de dizer que não quer e eu, como estudante falida que sou, faço questão de obedecer a risca esse pedido.

Se eu fosse listar todas as qualidades do papai, tudo o que eu admiro nele, o porquê de ele ser um grande exemplo de pai, marido, amigo, filho, irmão e comerciante, os ecochatos pirariam com o número de folhas que gastaria.

Desde que me conheço por gente – e olha que já não sou mais nenhuma criancinha – papai nunca tirou férias. O mais interessante nisso tudo é que, mesmo com todo o trabalho que ele sempre teve, apesar de ficar dois turnos trabalhando enquanto eu e Natan ficávamos esses dois turnos na escola, nunca me senti órfã de carinho por parte dele, nunca senti que faltava alguma coisa, pelo contrário, apesar de muitas vezes nos vermos apenas depois das 17h (quando estava no ensino fundamental), papai sempre esteve presente na minha vida.

Certas coisas não esquecemos nunca, e tem uma que me lembro muito bem e sempre encho os olhos de lágrima quando falo a respeito. Quando estava na segunda série, a professora Isabel fez uma provinha de multiplicação para os alunos, e eu não conseguia acertar nenhuma questão. Comecei a chorar desesperada e não sabia o que estava fazendo de errado. Chegando em casa, falei pro papai o que tinha acontecido e ele imediatamente me levou pra garagem, onde tinha uma lousa fixada, e me ensinou a multiplicar. No outro dia, quando refiz a prova, acertei todas as questões.

Outra vez, quando já estava na quinta-série, papai sentou ao meu lado na mesa da sala pra me ajudar na matemática, e eu fiz uma conta básica de somar nos dedos. Resultado? A indignação do papi foi tão grande que no outro dia eu estava matriculada no Kumon.

Quando eu tinha 8 anos, tava tendo o campeonato internacional de windsurf no Beach Park e papi me levou pra assistir. Lá eu me apaixonei pelo esporte e disse que queria aprender. No outro dia, depois da aula, papai já estava me levando pra minha primeira aula de windsurf com o professor Kong. Enquanto eu velejava, papi ficava de um lado para o outro na beira do mar, com um binóculo nada fashion, cuidando de mim e me assistindo.

Mami sempre gostou de doces e tortas. Uma tarde ela ficou morrendo de vontade de comer torta, mas por algum motivo que não me recordo agora, ela não comeu. Enquanto mamãe dava uma descansada de tarde, papai saiu. Quando ela acordou, ele não estava, mas eu disse que era porque ele tinha ido alugar um filme, o que era verdade. Quando ele chegou, além de trazer um filme consigo, trouxe também um quarto de torta pra mamãe. Nunca esqueci da forma com que eles se olharam naquele dia, nem da felicidade da mamãe e do abraço que ela deu no papai na mesma hora.

Eu só tenho a agradecer a Deus por ter um pai tão carinhoso e presente na minha vida, por ter ensinado a mim e ao meu irmão valores que levarei sempre comigo, mas, principalmente, agradeço por ter me mostrado o caminho que nos leva a Deus: Jesus.

Como já falei numa outra carta, por mais que eu saiba que não estaremos sempre juntos na terra, o que me alegra é saber que quando ambos já não estivermos mais aqui, viveremos juntos eternamente, próximos do nosso Salvador.

É tão bom saber que a vida não é só essa e que nos veremos novamente, mesmo após a morte.

Papi, eu te amo! E quando você diz que filho é uma raça ingrata, acredite, você tem toda a razão, porque por mais que eu te ame, por mais que eu te admire, por mais que saiba todo o esforço que você faz para nos manter fora do estado, mesmo assim eu sou impaciente, sou grosseira e, por diversas vezes, monossilábica. Eu sei que vocês gostariam que eu conversasse mais, falasse mais, mas meu jeito calado às vezes me impossibilita conseguir me expressar da forma com que gostaria.

Anyways, mesmo muitas vezes não demonstrando, eu te amo muito! Você é, de longe, uma das pessoas mais importantes da minha vida!

domingo, 9 de maio de 2010

“Mulher virtuosa, quem a achará?”

Minha família sempre foi o oposto de tudo que se possa imaginar. Não nos presenteamos nos aniversários, não compramos nada um para o outro no Natal, não existe dia dos pais, dia das mães, dia das crianças ou qualquer outro dia que seja.

Claro, quando eu ou Natan precisamos de alguma coisa, meus pais não pensam duas vezes em comprar. Quando eles precisam, obviamente, também compram. Mas nunca por cauda de uma data em específico. Entretanto, infelizmente, sempre esperamos por datas estipuladas pelos homens para dizer algo a alguém especial, quando deveria acontecer diariamente.

Existem filhas que mal olham na cara das mães, mas hoje estará almoçando com ela simplesmente por causa do dia. Bueno, liguei pra minha mãe como de costume. Desejei feliz dia das mães e falei as coisas clichês que todo mundo fala. Inovação não é algo característico em datas especiais.

Como não quero ficar séculos sem escrever no meu blog – olha o interesse por trás do motivo do post -, vou falar sobre uma das (poucas) pessoas mais importantes na minha vida, minha mãe.

Desde criança sempre fui muito apegada a ela, inclusive, até pouco antes de ir estudar no Canadá, só conseguia dormir se ela cantasse pra mim. Shame on me, I know. Quando estava na quinta série do ensino fundamental, ainda residindo na Henriqueta Galeno, em frente ao Colégio 7 de Setembro, perguntei pra minha mãe se ela amaria a mim tanto quanto a meu irmão mais novo, caso tivesse um. Óbvio que ela disse que sim. Não dormi até ela dizer que amaria mais a mim do que qualquer outro inoportuno filho que viesse posteriormente. E ainda fiz com que me garantisse que a ligação das trompas era segura e que, dessa forma, seria impossível engravidar novamente.

A verdade é que é tão difícil encontrarmos alguém realmente importante que, quando isso acontece, não queremos dividi-lo com ninguém. E minha mãe é o tipo da pessoa que qualquer um se apaixona. E ter que dividi-la com meu pai e meu irmão já era o suficiente pra mim.

A Bíblia fala sobre a mulher virtuosa e, sem sombra de dúvidas, papai foi muito abençoado em tê-la encontrado. Minha mãe não é só uma excelente esposa, mas uma companheira inigualável, amiga fiel, mãe carinhosa e, por incrível que pareça, paciente, além de linda e com um corpo de dar inveja a qualquer jovem de 20 anos (e eu me incluo nesse grupo).

Se for pensar em termos de dona de casa, minha mãe nunca foi das melhores de acordo com o padrão conhecido. Até hoje o fogão do nosso apartamento é só de enfeite, porque nunca sequer compramos um botijão de gás pra lá; e o da nossa casa só serve pra quando recebemos visitas e, ainda assim, temos que testá-lo zilhões de vezes para termos certeza de que ainda funciona.

Mas, como disse papai ao meu avô quando foi pedi-la em casamento, ele não buscava uma cozinheira, mas uma companheira. E isso ele tem há 23 anos. Minha mãe amanhece o dia de joelhos orando pela nossa família e vai dormir da mesma forma, pelo mesmo motivo. Meus pais trabalham juntos e quando minha mãe vai pro sítio com minha avó, dias de terça e quinta, meu pai fica completamente sem chão no trabalho. Tanto é que volta mais cedo pra casa. Nessas férias, quando estive em Fortaleza, isso foi bem perceptível.

Em dezembro e janeiro, por sinal, não sei quem ficava mais ansioso para que minha mãe voltasse logo pra casa: eu ou meu pai. Quando ela chegava, ninguém desgrudava e era uma competição horrível para ver com quem ela ia ficar depois do jantar. Papai foi o que ficou mais contente com o final das férias e minha conseqüente volta ao RS. Por mais que ele negue, eu sei que é verdade. E compreendo, sério mesmo.

Mas, sem querer falar no quesito esposa, que ela é excepcional, a única coisa que tenho a dizer é que Deus foi maravilhosamente bondoso comigo. Eu não mereço a mãe que tenho. Só tenho a agradecê-la por ser sempre tão amiga, pronta pra me escutar quando preciso, mesmo que depois leve um tremendo esporro; por abdicar de tantas coisas pelo meu futuro; por orar por mim quando nem eu mesma oro, por interceder pelo meu futuro quando eu, muitas vezes, não o faço; por me amar mesmo com minhas grosserias, fase pela qual geralmente passamos e eu, infelizmente, não fui uma exceção.

Quando penso em mim como filha, desisto da idéia de ter filhos. Contudo, quando olho para minha mãe, mudo rapidamente de idéia, porque quero ter a oportunidade de abençoar a vida de alguém como minha mãe abençoa a minha, mesmo quando não faço por merecer.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Otário é Nosso Sobrenome


“A Filha do Presidente”, além de ser um filme água com açúcar e completamente entediante, tem uma história clichê sobre uma menina cansada de ser paparicada, ansiando por uma vida normal.

No meio de tanta ridicularização de atores de renome, como Michael Keaton, e de uma perda de tempo por parte de quem assistiu ao filme, é possível tirar uma única conclusão: somos otários. Sim, isso mesmo: otários.

Críticos do filme reclamam pela história repetida e previsível, mas não houve um que criticasse a forma com que nós, cidadãos comuns, pagadores de impostos, sustentadores da “ociosidade” dos políticos, somos tratados nele.

Em uma cena, Samantha Mackenzie, a filha do presidente, resolve levar dois amigos, Mia e James, para um dia de luxo a bordo do nada mais e nada menos Air Force One, avião que transporta o presidente estadunidense por todas as partes do globo. Os dois amigos aproveitam tudo o que a viagem pode oferecer: o conforto da aeronave, manicure e pedicure, coleção particular de jogos do presidente, programas de televisão e, pelo cenário, até vinho. Após a viagem, os três se preparam para uma festa na Casa Branca, Samantha e Mia saem à procura de trajes e James, de smoking. Obviamente não custeado por eles.

Interessante, no entanto, é a pergunta de Mia a si mesma no avião: “esse país não é uma maravilha?”. Seria bom que ela perguntasse isso às pessoas que trabalham arduamente para pagar os impostos e custear caprichos de pessoas que se beneficiam com essa tirania do Estado. Tenho certeza de que todos amariam saber como está sendo bem usado o dinheiro usurpado pelo governo.

Na festa, outra frase. Desta vez de Samantha, ao dançar com James: “é um país livre. Eu não ligo para o que dizem”. Bom, deve ser no mínimo interessante o significado de "país livre" para ela. As pessoas escolheram livremente pagar impostos os quais lhes foram impostos? Escolheram pagar o combustível do Air Force One da Califórnia até Washington DC para que dois estudantes universitários que nada têm a ver com o Governo fossem a uma festa, com trajes e maquiagens bancados pelo dinheiro público?

Sim, eu sei que isso é só um filme, mas é importante que notemos o perigo por trás disso, pois o que antes era ficção tornou-se realidade com o caso do filho de Lula ao levar 14 amigos para passar as férias escolares no Palácio do Planalto e na Granja do Torto às nossas custas e também com o caso do governador do Ceará, Cid Gomes, que levou a sogra num jatinho particular por uma viagem à Europa, dando um prejuízo de mais de R$ 388.000 aos cofres públicos cearenses.

É, nós somos otários. Um bando de otários.