Meu pai tem um posto de gasolina no Ceará. Como vim passar as férias no estado, resolvi ajudar no posto alguns dias, passando cartão e abastecendo carro quando necessário.
No posto, papai oferece café expresso para os clientes. Sim, mesmo nesse calor do Ceará as pessoas adoram tomar um café. O problema é que algumas pessoas costumam passar aqui no posto pra tomar um cafezinho, mesmo não sendo clientes.
Quando é uma vez ou outra, não tem problema. A questão é que se abrirmos uma exceção para alguém, esse alguém fica mal acostumado. Comentando isso com meu pai, ele me contou uma história que ocorreu no posto com um antigo frentista.
O Marcos, antigo frentista lá do posto, deixava que pessoas da região fossem lá pegar café. Essas pessoas, pouco satisfeitas, não se contentavam em pegar o copinho de plástico oferecido pelo posto. Elas simplesmente levavam seus copos maiores de casa.
Meu pai, vendo o que estava acontecendo, foi falar com o Marcos e dizer que aquilo não era permitido. Marcos, muito filantrópico, retrucou:
-Mas dá pra negar café pra essa gente?
Ora, meu amigo, se ele tem pena, que mande a esposa dele fazer café com a própria renda, coloque em dez garrafas térmicas e saia oferecendo pra todo mundo.
Fazer caridade com o dinheiro alheio é muito cômodo. Marcos e Governo que o digam. Qualquer semelhança, mera coincidência.
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
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