Mostrando postagens com marcador Estado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Estado. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Homeschooling: uma ótima opção frente o péssimo ensino brasileiro.

Confiar nossos filhos ao ensino das escolas está cada vez mais difícil. Deixar nossas crianças à mercê de professores – em sua grande maioria – incompetentes, incapazes de transmitir um mínimo de conhecimento ou sequer conjugar verbos é o mesmo que assassiná-las intelectualmente.

Falar que o ensino brasileiro é precário é um tremendo eufemismo para abominável, detestável, bizarro, vergonhoso.  Numa pesquisa realizada em 128 países pela UNESCO, o Brasil caiu da 76ª para a 88ª posição no ranking de educação, além de apresentar um índice de repetência (18,7%) maior do que a média de toda a região da América Latina e Caribe (4,4%). [1]

Mas não pára por aí: a situação ainda piora. No mês passado o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) mostrou que o Brasil continua entre os piores no ranking de desenvolvimento educacional. Para se ter uma idéia de como funciona a pontuação, a média mínima que o país precisa ter para passar na avaliação é de 496 pontos. O Brasil conseguiu ínfimos 401 pontos. [2] Nem medianos nós somos. Vergonha.

Agora, depois dessas informações, qual opção nos resta quando o assunto é o futuro de nossos filhos? Depois de Cleber Nunes ser acusado pelo Estado de “abandono intelectual” por retirar seus filhos da escola, agora é a vez de uma família de Serra Negra ter que responder ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público Estadual de SP às acusações de evasão escolar.

O único “crime” que essa família cometeu foi querer uma educação respeitável para as duas filhas que são bilíngües em português e inglês e, de acordo com a mãe, “fazem natação, balé, piano e treinam tênis”, além das quatro horas diárias de estudo [3].

Ora, o “currículo” dessas duas crianças de 11 e 9 anos é muito melhor do que a da maioria das crianças dessa idade e, sem dúvida alguma, ainda melhor do que a de muitos adultos que só falam português (quando falam!).

Diante desse cenário, é completamente aceitável a preocupação dos pais em educá-las em casa, tendo em vista o método de ensino brasileiro, onde crianças mais inteligentes tem que desacelerar seu aprendizado para acompanhar os outros colegas de classe e professores saem declamando livros de história decorados durante as aulas e acham que estão ensinando alguma coisa.

Os que se dizem contra o homeschooling afirmam que esse tipo de ensino “fechado” faz com que as crianças não aprendam a ouvir opiniões contraditórias, não aprendem a trabalhar em equipe e tampouco se socializam. Essa desculpa esdrúxula de gente que quer continuar intervindo na forma com que educamos nossos filhos é rapidamente refutada: para se socializar e conviver com pessoas diferentes não se faz necessário ir à escola; grupos de discussões, leitura, teatro e esportes, além de jogos e clubes estão aí para isso.

Não somente a má gestão do governo interfere negativamente em nossas vidas no que diz respeito à saúde e segurança, ele insiste em levar sua má qualidade de serviços para a educação de nossos filhos.

O Estado não tem que nos dizer a forma apropriada de criar nossos filhos, ele não tem que intervir, não tem que opinar. Espero que o casal de Serra Negra consiga, assim como Cleber Nunes, vencer essa batalha judicial contra a (in) justiça brasileira.


OBS: O Pisa avalia a competência dos alunos em leitura, matemática e ciências. Agora a gente já pode prever o futuro do Brasil no que tange a administradores, economistas, contadores, professores, filósofos, escritores, médicos e cientistas.




terça-feira, 30 de novembro de 2010

Projeto de Lei 122/06 e a violação da liberdade de expressão.

Sempre acreditei que todas as pessoas tem um dom, todo mundo nasceu com uma capacidade ímpar em alguma área. O estado (com letra minúscula mesmo), por ser formado de pessoas, não poderia ser diferente.

Se tem uma coisa que ele sabe fazer bem, não posso negar esse mérito, é inibir a liberdade de todos os indivíduos. E o mais engraçado é que a grande maioria das pessoas obedece sem sequer questionar o porquê dessas leis ou até mesmo o motivo para a existência de um órgão promulgando-as.

Reverendo Augustus Nicodemus Lopes
Recentemente um projeto de lei elaborado em 2006 voltou à tona com todo vigor, após um grupo LGBT se sentir ameaçado por um artigo escrito há três anos, pelo chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, o Reverendo Augustus Nicodemus Lopes.

Após inúmeras retaliações, a Universidade se viu obrigada a retirar o artigo do ar e emitir uma nota de esclarecimento, mas sem pedir desculpas pelo que havia escrito. Afinal, não há motivos para se desculpar por algo que é direito de todo cidadão: a liberdade de expressão.

Muitos afirmam não haver motivos para se preocupar com essa lei, dizem até que estamos fazendo tempestade em copo d’água. Eu discordo plenamente dessas pessoas. Num país onde não temos liberdade para sequer expor nossos pensamentos, estamos todos fadados à perda de outros direitos inerentes ao ser humano, inclusive o de propriedade (sim, essa lei interfere até mesmo nas nossas propriedades).

Engana-se, entretanto, quem pensa que essa lei é destinada apenas ao preconceito homossexual. Constitui-se crime “preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero”.

O estado quer intervir nas políticas de empresas ao dizer-lhes quem empregar e demitir, ameaçando-as com penas de 2 a 5 anos de reclusão caso haja um suposto ato de discriminação.

O estado quer coibir propriedades privadas informando quem elas devem aceitar em seus recintos, estando sujeitas a reclusão de 1 a 3 anos. Caso um meio de hospedagem resolva sobretaxar um determinado grupo, sofrerá entre 3 e 5 anos de reclusão.

Ora, não precisamos do estado para por ordem no mercado, pelo contrário: quanto mais ele interfere, mais atrapalha. Se uma empresa demite ou deixa de empregar alguém competente por questões de preconceito, ela sairá perdendo não apenas com a capacidade dele sendo empregada em outro estabelecimento, mas também através da perda de clientes ou futuros clientes que não comunguem dos mesmos pensamentos que a empresa.

Quanto à questão do Reverendo Augustus Nicodemus Lopes, ele está mais do que certo em se expressar. É no mínimo amedrontador saber que expormos nossa opinião ao público pode comprometer nossa integridade e fazer com que cidadãos corretos como o reverendo sejam considerados criminosos. Num país com leis absurdas como a nossa, querendo ou não, mais cedo ou mais tarde, seremos todos criminosos, porque é nisso que o governo quer nos transformar.

Cidadãos honestos não dão lucro ao país. Essas leis ridículas são feitas não para que as obedeçamos, mas para que a quebremos e, com isso, arquemos com multas e despesas que sustentam a cachacinha e os churrascos de fim de semana dos legisladores e políticos.

Se não temos nem mesmo direito sobre nossa propriedade, qual o objetivo de possuí-la? Se não temos direito sobre nossas opiniões, qual o objetivo de pensarmos? Se não temos direito sobre nossos valores e ações, qual o objetivo de vivermos?

Nossa liberdade está cada vez mais restringida. Se não agirmos logo, depois poderá ser tarde demais.

sábado, 27 de novembro de 2010

Governo: a arte de emperrar o mercado de luxo no Brasil.

O mercado de luxo sempre me fascinou – e qual mulher não se fascina com luxo? Depois que comecei a estudar hotelaria, fiquei ainda mais interessada por essa área. Cremes, perfumes, roupas e tecidos, lençóis egípcios, harmonização de vinhos, restaurantes de alta gastronomia e hotéis luxuosos.

Falar no assunto já me prende por completo, imaginar-me trabalhando na área de luxo, então, me deixa ainda mais maravilhada. Como me formo esse ano e vou estagiar numa rede hoteleira de luxo – Relais & Châteaux –, já comecei a pesquisar sobre esse nicho de mercado no Brasil, para que, quando volte, já saiba para quais locais enviar meu currículo.

O mercado de luxo no Brasil faturou cerca de US$ 6,45 milhões em 2009 e deve aumentar em 20% esse faturamento para 2010. Dentre esses produtos e serviços de luxo, entra a minha área: hotéis, gastronomia, cremes e moda.

De acordo com a Revista Época Negócios, a rede hoteleira Four Seasons vai construir até três hotéis no Brasil até a Copa de 2014, e a LVMH, dona da marca Louis Vuitton, ventila a possibilidade de abrir um hotel de alto luxo aqui no Brasil.

Quem lê essas notícias sem dar muita atenção, fica radiante; porém, quando vai estudar esses casos com mais afinco, percebe que, mesmo com o crescimento do setor, ele ainda tem muito em que melhorar.

Apesar de parecer promissor, o segmento de luxo no Brasil ainda se encontra numa posição bem inferior quando comparado a outros países emergentes, como Rússia e China. A Versace já investiu US$ 56 milhões na Ásia, com foco especial na China.  Só naquele país, abrirá mais 11 lojas.

Enquanto muitas empresas de luxo sofreram variações nos lucros durante a crise, a LVMH (Moët Hennessy Louis Vuitton S.A.) conseguiu aumentar em 2% a sua margem de lucro em 2008, dando o mérito principalmente ao mercado chinês, que, nos próximos cinco anos, será o maior mercado mundial de luxo.

A mão de obra baratíssima na China também incentivou grupos como a LVMH a mudar seus locais de produção para lá. Com os preços de venda permanecendo os mesmos, mas com a redução dos gastos com despesas operacionais, o lucro acaba aumentando. No terceiro trimestre deste ano, a rede já cresceu mais de 23,6%, e estima-se que crescerá cerca de 40% no final de 2010.

Das grandes grifes de luxo, 100 já operam na China, ao passo que no Brasil, até 2008, existiam apenas 20 delas; e, até 2014, calcula-se que haverá cerca de 50 funcionando no país. Não é apenas pela rigidez da CLT que algumas empresas se sentem inibidas a virem ao Brasil; a alta carga tributária -- que pode chegar a extorquir mais de 60% do faturamento através dos II, IPI, ICMS, ISS, IOF, PIS e COFINS -- também desestimula enormemente os investimentos. Conforme estudo da empresa de consultoria Bain & Company, os impostos sobre produtos de luxo na China giram em torno de 20%.

Com tantos entraves por parte do governo, e com tantas facilidades em outros países, é fácil entender por que, mesmo com um mercado de luxo crescente, ainda existe uma quantidade ínfima de empresas estrangeiras ligadas ao luxo aqui no Brasil. Dos empreendimentos voltados para esse nicho de mercado, 60% são nacionais (fonte: MCF Consultoria e GFK Indicador).

Enquanto o Estado achar que está fazendo um bem à nação ao não flexibilizar a CLT e continuar protegendo empresas de luxo nacionais impondo impostos absurdos sobre concorrentes internacionais, esse segmento não desenvolverá o seu potencial e o custo de oportunidade pago por isso será muito alto, impedindo que o país tenha seu lugar cativo nesse nicho de mercado, como a China.

Não apenas isso, mas também enquanto usarem o bem comum como motivo principal para realizar roubos legalizados, até mesmo as indústrias nacionais fugirão para outros países, como muitas já têm feito desde 2005, triplicando o capital investido no Paraguai, devido à baixa carga tributária e mão de obra barata no país vizinho.

Investimentos tanto estrangeiros quanto nacionais poderiam ser feitos aqui, movimentando a economia do país e aumentando a taxa de emprego. Entretanto, por causa do bem comum tão apregoado pelo Estado, o dinheiro de muitos brasileiros tem ajudado a aumentar o PIB de outros países, e o capital internacional que poderia ser aplicado aqui, gerando mais empregos, é alocado para outras regiões, que não o Brasil.

Empresas que precisam de paternalismo para sobreviver não são dignas de confiança. Enquanto imporem que o bem comum seja o objetivo principal e não uma mera consequência dos esforços honestos e das ambições empresariais, o Brasil continuará na mesmice, perdendo grandes investidores, estimulando péssimos empreendedores e nos fazendo comprar produtos caríssimos -- ícone do luxo aqui, mas símbolo da normalidade em outros países.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Jogos de Azar: 64 anos de proibição.

Hoje faz exatamente 64 anos que o então presidente da república Eurico Gaspar Dutra assinou o Decreto-Lei 9215, proibindo os jogos de azar no Brasil. Sinceramente falando, os jogos de azar não são proibidos em sua totalidade: empresas privadas é que não podem ter esses jogos. O governo, justo como sempre, pode.

A legalização dos jogos de azar movimentaria bem mais a economia de muitas cidades que já lucram com o turismo, assim como passaria a movimentar a economia de cidades que não lucram nada porque não possuem atrativos turísticos interessantes o suficiente, fazendo com que o único diferencial que teriam a oferecer seria as casas de jogos.

Sim, é possível fazer com que cidades pequenas e sem muitos chamativos tragam lucro para o local apenas através de cassinos. Isso ocorreu na época de ouro dos cassinos no Brasil. Um exemplo disso é o município mineiro de São Lourenço que, mesmo sendo o menor município de Minas Gerais, possuía 8 cassinos. Para suprir todas as necessidades de hospedagem e alimentação, 40 hotéis foram construídos por empresas privadas.

Qual a mão de obra necessária para abrir um cassino? Atendentes, seguranças, bartender, gerentes, valets e faxineiros. Isso contando apenas o básico, e sem supor que o cassino tenha hospedagem, o que sempre foi e continua sendo bem difícil ocorrer. E para um hotel, qual a mão de obra? Citando apenas o necessário para um hotel de pequeno porte: camareiras, recepcionistas, faxineiros e cozinheiros. Isso sem falar da mão de obra indireta: lavanderia, manutenção de equipamentos e fornecedores de alimentos.

Agora imagine como o pequeno município de São Lourenço, ao ter 8 cassinos e 40 hotéis, não deve ter melhorado na época, através de toda essa geração de empregos e entrada de receita estrangeira, através do público atraído à região, que englobava a classe média-alta de SP e RJ, além de argentinos, paraguaios e uruguaios.

O maior e melhor cassino da América Latina está situado no Uruguai, o Conrad, onde apostadores brasileiros viajam e deixam todo o seu dinheiro por não ter opção de jogo no próprio país. O Brasil acaba deixando de lucrar com o dinheiro da própria população e de turistas de demais nacionalidades que gostam do jogo e preferem viajar a um país minúsculo como o Uruguai para jogar a viajar ao RJ só pra bater foto de braços abertos em frente ao Cristo Redentor com sua mais nova aquisição: pichação.

O decreto-lei assinado por Dutra fechou 71 cassinos e deixou cerca de 60.000 pessoas desempregadas.

O principal motivo para a proibição dos jogos no Brasil é a questão moral e o perigo relacionado ao vício, assassinato e drogas.

Engraçado ver o governo falando sobre moral e bons costumes quando ele é o melhor e maior exemplo de canalhice no país. De qualquer forma, é importante salientar que a minha moral é diferente da de outras pessoas e eu não tenho o direito, assim como ninguém o tem, de impô-la sobre alguém.

Quanto ao vício relacionado ao jogo, contanto que a pessoa esteja jogando com seu próprio dinheiro, sendo vício ou não, entrando em dívida ou não, a responsabilidade é unicamente dela. Ninguém precisa do tutor Governo ditando do certo e o errado para ninguém.

Em relação a assassinatos e aumento da criminalidade, o que se tem a fazer é deixar a segurança para empresas privadas. Cassinos com bons recursos pagarão por segurança máxima, assim como pessoas de classe abastada pagarão a mais para frequentarem locais seguros. Legalização de cassinos não significa legalização de assassinatos. Eles continuarão sendo crimes e a eles serão tomadas as devidas ações.

E, falando das drogas, um mal que a pessoa faz ao próprio corpo não deveria ser considerado crime. Dizem que droga faz mal à saúde. Eu não uso droga e governo me faz mais mal do que muitos usuários que conheço. Posso proibir o governo de me roubar a partir de hoje, então?

Agora, se me dão licença, vou receber minhas amigas e fazer minhas apostas caseiras. Au revoir!

sábado, 6 de março de 2010

A Liberdade de Dourado

Eu nunca gostei de BBB, aliás, é um programa esdrúxulo, com pessoas que conseguem ser ainda mais esdrúxulas.

Mesmo não assistindo, estou a par de tudo o que ocorre na casa, pois sigo a Folha de São Paulo no twitter e sempre aparece notícias de todos os estilos.

Na quinta-feira da semana passada me chamou a atenção uma notícia sobre um possível inquérito que a Globo teria que responder por conta de algumas afirmações homofóbicas feitas por Dourado durante o programa[1].

Sinceramente não suporto essa pseudo-santidade nas pessoas, essa hiprocrisia ao se chocar com uma frase do Dourado como se nós também não tivéssemos nossos preconceitos.

Se o Serginho - outro participante do BBB10 - falar algo sobre heterossexuais, duvido que apareça um processo na casa dele. Não existe essa balela de direitos iguais. As minorias sempre tem mais direitos, o que é uma tremenda injustiça.

Se aparece uma pessoa negra usando uma blusa com os dizeres "raça negra" ou "100% negro", não tem problema nenhum. Agora coloca um branco fazendo isso que todo mundo começa a chamar de nazista.

Um homossexual fazer passeata é uma forma de se expressar, já um heterossexual é uma afronta. Orgulho gay, pode. Orgulho hétero, não. Qualquer palavrinha que usamos pode nos fazer ser processados por danos morais.

São essas liberdades parciais que me revoltam, me frustram. Alguns grupos podem se expressar, outros, não. Que tipo de liberdade é essa, que só serve pra uma parte da população?

Na aula de Legislação meu professor estava falando sobre danos morais. Pois bem, danos morais, pra mim, pode se resumir em uma única palavra: frescura. Quem processa uma pessoa por danos morais tem mais é que ir pra um psicólogo. É muito complexo de inferioridade pro meu gosto.

Não assisto BBB, não gosto. Mas, a partir de hoje, torço pelo Dourado. Até o fim.

[1] http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u702091.shtml

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Crime é Incentivado pela (IN)Justiça Brasileira

Todos os brasileiros se chocaram em 2007 com a morte do menino João Hélio, de 6 anos, no RJ, ao ser arrastado por 7km preso ao cinto de segurança do carro em que estava, quando sua mãe foi assaltada por alguns marginais.

Após três anos, um dos vagabundos, Ezequiel Toledo de Lima, foi enviado, com a ajuda da ONG Projeto Legal e com a permissão do juiz da Vara de Infância e Juventude, à Suíça a fim de recomeçar sua vida. [1]

João Hélio não teve uma segunda chance pra recomeçar. Por que dar uma segunda chance, então, a um dos assassinos dessa criança?



Nunca entendi os Direitos Humanos, sempre tive uma grande repulsa a eles justamente por sempre defender criminosos, estupradores, vagabundos que matam por prazer. Poderíamos mudar o nome de Direitos Humanos para Direito dos Vagabundos sem problema algum, se bem que vagabundo não deveria ter direito a nada, só a sofrer calado.

Quando li essa notícia, o que mais me indignou não foi pensar no marginal vivendo na Suíça, mas saber que existem pessoas sem escrúpulos, sem princípios e sem sentimentos como esse juiz que liberou sua mudança à Europa e como a ONG Projeto Legal que auxiliou no envio.

Será que não pensam na família do garoto? Ele não é tão importante assim? A família dele e a vida após sua morte não interessam?

Esse ato da (in)justiça brasileira só faz com que o crime seja cada vez mais incentivado. Tá passando fome? Então mata alguém, que eles te mandam pra Europa!

Sinto muito, mas com atitudes como essas, cidadãos honestos, que clamam por justiça, ficam cada vez mais frios e impiedosos. Disseram que Ezequiel estava sendo ameaçado na prisão. Excelente motivo para mantê-lo preso.

Como diria Alborghetti: "Bandido bom é bandido morto".

[1] http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/02/18/e18027526.asp

domingo, 17 de janeiro de 2010

"Filantropia" brasileira é só para uma platéia.

Sabe aquelas pessoas que fazem palestra sobre auto-ajuda? Sobre como ser um líder, como lidar com filhos e esposa, como ser feliz em qualquer situação, como ganhar dinheiro sem se matar no trabalho, dentre outros “como’s” que prometem salvar nossa vida?

Agora, você pega esses palestrantes e pesquisa sobre a vida deles. Pois bem, a gente se frustra quando percebe que, muitas vezes, eles não fazem nem 10% do que falam. Essas pessoas se preocupam tanto em aconselhar as outras que se esquecem de cuidar da sua própria vida e de solucionar seus próprios problemas.

Recentemente houve um terremoto no Haiti de repercussão mundial, onde muitas vidas foram ceifadas e tudo o que restou foram pessoas sem moradia e odores de corpos abandonados sobre ruínas.

Antes do terremoto no Haiti, ocorreram várias catástrofes aqui no Brasil, como as mortes em Angra dos Reis devido ao deslizamento de terra, a ponte que caiu entre as cidades de Agudo e Restinga Seca, no RS, fora os alagamentos em SP e RS que deixaram muitas pessoas sem moradia e sem uma forma adequada de locomoção.


A mídia brasileira tem mostrado toda a catástrofe no Haiti, vários brasileiros tem ido ao país para ajudar os haitianos na busca por vivos – ou mortos – nos escombros. Falamos e mostramos isso com orgulho. Claro, é bom saber que brasileiros gostam de ajudar a outras pessoas. Só não entendo o porquê de todas as pessoas, depois do terremoto, quererem ajudar o Haiti, mas poucos se pronunciaram em relação aos problemas pelos quais tantos brasileiros tem passado diariamente em vários estados do país.

O ministro Nelson Jobim defendeu hoje a prorrogação por mais cinco anos da Missão de Paz Brasileira no Haiti [1]. Quem lê isso pensa que o Brasil vive num mar de rosas e não precisa de ajuda. Se for assim que o Governo vê nosso país, que nos isente de pagar impostos absurdos, para que possamos, com esse dinheiro, realmente cuidar da nossa segurança e nos prevenir de possíveis desastres, quer sejam eles naturais ou não, da forma que melhor nos aprouver.

O Brasil é como esses palestrantes de auto-ajuda: “preocupa-se” tanto em ajudar os outros a melhorarem, que se esquece de olhar pra si e resolver seus próprios problemas.

[1]http://noticias.uol.com.br/especiais/terremoto-haiti/ultnot/2010/01/16/ult9967u76.jhtm

domingo, 20 de dezembro de 2009

A Legalização Que as Prostitutas Não Querem

Ontem, durante a aula de legislação no trânsito, meu professor comentou sobre o processo feito contra a banda de forró Mastruz com Leite pela Associação das Prostitutas do Ceará (!!), a APROCE, devido a uma música da banda “Bomba no Cabaré”. Bom, pelo título da música, já fica implícito o motivo do processo, que não é o meu foco nesse texto.

Enquanto o professor comentou sobre isso – mesmo não tendo nenhuma relação com a aula – algumas pessoas se perguntaram se a profissão já era legalizada. Nessas horas é interessantíssimo observar a reação delas. Uns ficam horrorizados, outros não tão nem aí, e a maioria tá mais preocupado com a partida de futebol do fim de semana. O que será, no entanto, que as prostitutas dizem sobre isso?



Óbvio que elas estão pouco se lixando. No Brasil, prostituta não vai pra prisão mesmo. Ser prostituta no nosso país não é ser criminosa, é ser vítima. O único criminoso, de acordo com o Código Penal, é o cafetão, o empresário capitalista amante do dinheiro que faz lavagem cerebral nas moças para que se tornem mulheres da vida ou, como prefere a Cartilha do Politicamente Correto e o próprio Ministério do Trabalho, profissionais do sexo.

Prostituta não quer sua profissão legalizada. Legalizá-la significaria pagar impostos, seguir normas governamentais como a realização de exames de saúde periódicos – ora, o cara que decide se deitar com uma mulher que não conhece, está correndo o risco de contrair uma DST por livre e espontânea vontade – e ainda ter que aumentar o preço do trabalho para que o lucro permaneça o mesmo.

A prostituta, então, não levaria vantagem com a legalização. E quem levaria? O cafetão? Não, porque ele continuaria sendo, perante a lei, um criminoso. A não ser que houvesse uma reforma no Código Penal em relação ao seu trabalho, que nada mais seria do que o patrão da prostituta que não quisesse trabalhar por conta própria. Mas será que o cafetão gostaria dessa legalização? Também não. Além dos impostos que pagaria ao Estado, ainda teria que se preocupar em estar conforme a CLT, fora a questão da insalubridade. Quantos por cento a prostituta receberia do patrão como adicional por ser uma profissão insalubre, estando ela sujeita a agentes biológicos?

Não. O cafetão não sairia ganhando. Mais do que estampado na nossa cara, quem sairia ganhando nisso tudo seria o Estado. Assim como só ele tem ganhado ao longo dos anos através do trabalho de todos os outros cidadãos devido à legalização de seus empregos.

No final de tudo, todos só sairemos ganhando quando nossos empregos forem descriminalizados, mas não legalizados, como é o caso das prostitutas que parecem estar perdendo quando, na verdade, ganham.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Exame Psicotécnico e Renovação de CNH

Eu não entendo os órgãos públicos. Para ser mais sincera, há o que entender?

Ontem fui fazer meu exame psicotécnico no DETRAN que, para variar, pasmem, está em greve. Na sala de aula havia somente mais uma pessoa com o intuito de tirar a CNH, as outras buscavam apenas renovação.

Os que queriam renovar a carteira, todos homens, não passaram. Seriam eles loucos? Sinceramente fiquei me perguntando o porquê de não haverem sido aprovados. Afinal, eles só precisaram desenhar uma árvore, uma casa e uma pessoa; além de ter que buscar em várias filas de figuras, as três figuras exigidas no início do teste.

Será que não desenharam o chão, ao rabiscarem a pessoa, a casa e a árvore? Bom, eu jamais teria feito um chão no meu desenho se antes não me tivessem alertado sobre isso. Será que desenharam a pessoa com menos de cinco dedos em alguma das mãos? Vai que quem estava desenhando tentava fazer uma caricatura do Lula? Isso faz dele um louco? Confesso que teria desenhado uma pessoa em forma de palito se também não me tivessem antes alertado. E a casa? Como será que fizeram? Sem teto? Sem chaminé, janela? Minha casa seria um triângulo com um retângulo embaixo, se não me tivessem, também, alertado sobre como deveria fazer o desenho.

Agora fico a pensar, se não tivesse conseguido essas dicas antes, será que eu também não teria reprovado? Agora nós precisamos ser desenhistas para termos um atestado de sanidade mental? Precisamos desenhar uma pessoa com cinco dedos, dois olhos e uma boca pra podermos dirigir?

O segundo teste que esses homens realizaram, assim com eu e a outra garota que queria apenas tirar a CNH, era o das figuras que disse anteriormente. Era tudo cronometrado. Para quem tem déficit de atenção, raciocínio mais lento ou qualquer problema que seja, esse exercício é mais complicado, principalmente quando tem que se preocupar também com o tempo.

Quando questionei isso, rebateram dizendo: “É, mas esse exercício é importante, porque um dislexo, por exemplo, troca as posições de uma seta. Temos que detectar isso, porque é perigoso trocar a posição de uma curva numa placa”.

Concordo. É perigoso avistar uma placa mostrando que tem uma curva acentuada à esquerda quando, na verdade, ela diz que tem uma curva acentuada à direita. Entretanto, quando alguém estiver dirigindo e observando a estrada, não vai ver uma curva que está à direita, à esquerda. Desenho numa placa ou folha de papel é uma coisa. Situação real, outra. Conheço dislexos e sei que eles não cometeriam esse erro. Se assim o fosse, iam viver caindo no chão ao tentar sentar numa cadeira por não saberem a real posição do assento.

Confesso que não tinha parado para pensar nisso até um dos senhores sair da sala dizendo que tinha que passar no exame pra continuar trabalhando. Como sei que ele não passou, sei também que perdeu o emprego. O Estado deixou mais uma pessoa desempregada por absolutamente nada. Quantas outras pessoas também não passam pela mesma situação que esse senhor?

O que me indigna ainda mais é ver uma suposta preocupação em renovar a CNH de uma pessoa “inapta psicologicamente” a dirigir, mas ver ruas em Messejana (bairro do estado do Ceará) sem placas nem sinalizações. Quem não é daqui, não sabe se a pista é mão dupla ou única, não sabe se está na contramão ou não, sem contar as faixas de pedestres que são escassas.

Acredite, acidentes no trânsito e mortes são causados bem mais por culpa do Estado do que por alguém dislexo ou com qualquer outro problema. Os órgãos públicos são tão insignificantes que não percebem sua própria inaptidão para existir.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A Ineficácia das Normas Regulamentadoras


As aulas de Segurança no Trabalho são as que mais me deixam revoltada na Castelli. Não pela aula em si - até porque é importante que uma empresa saiba como zelar pela saúde física e mental de seus colaboradores - mas sim pelas leis e normas que aprendemos no decorrer do curso e todas as imposições feitas pelo governo e suas penalidades caso não sejam obedecidas.

Não concordo que qualquer instituição imponha algo sobre mim ou minha empresa sem o meu consentimento, e é exatamente isso o que o governo faz. Para agravar a situação, o governo nos força a seguir normas que ele mesmo desobedece. É o tal do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Escrevo sobre isso porque ontem vi a Prefeitura de Canela quebrando uma das NR’s que a nós nos são impostas. Para ser mais direta, quebrou a NR-6, que fala sobre o uso de equipamentos para proteção individual.

Ontem, enquanto corria na academia, vi, através da janela em frente à esteira, dois homens andando no telhado da Casa de Pedra sem utilizar uma proteção sequer. Estavam fazendo os ajustes finais para o natal da cidade que, diga-se de passagem, já deveriam estar prontos há muito tempo, mas já que é obra do governo, anda a passos de tartaruga, se fosse uma empresa privada, tudo já estaria no seu devido lugar.

Enfim, como esses homens correm riscos ao lidar com fios, energia elétrica e altura, eles devem usar equipamentos de segurança. A prefeitura, por ser quem contrata esse pessoal, tem obrigação de fornecer e exigir que utilizem esse equipamento, afinal, observando a NR-1, pode-se ver que tanto empresas privadas quanto públicas, assim como órgãos públicos, devem obedecer à norma, estando todos passíveis de multa caso não a cumpram.

Bati várias fotos desses homens no telhado sem proteção alguma, uma delas é a que está nessa postagem. Quando empresas privadas não utilizam EPI’s, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) faz questão de multar. Agora eu quero saber como eles fazem pra controlar quando a própria Prefeitura infringe a lei.

Ontem, quando comentei sobre isso na academia, defenderam a Prefeitura, dizendo que ela fornecia o material necessário, mas que os empregados não o utilizavam. Isso não importa. Várias empresas privadas também fornecem os equipamentos e seus funcionários não os utilizam porque acham que ficam estranhos. Quando usamos isso como desculpa, os fiscais não perdoam e somos multados, então não tem que ser diferente com a Prefeitura.

Esse é o problema que surge quando querem utilizar de coerção para impor um valor que para outra pessoa pode não ser importante. Por isso defendo veementemente que as NR’s não devem ser impostas, mas servir apenas como forma de orientação. Quem quiser seguir, segue. Quem não quiser, é opção da empresa e do empregado que aceitou trabalhar para ela.

O que não se pode aceitar é que nós tenhamos de pagar multas caso não as obedeçamos, mas prefeituras desobedeçam a olho nu, como foi o caso citado aqui, e nada seja feito a respeito.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Imagem Que Exportamos


Muitas pessoas ficaram indignadas com a piada que o ator e comediante Robin Williams fez no programa Late Show, do David Letterman, ao afirmar: “Espero que ela (Oprah) não esteja chateada com as Olimpíadas. Chicago enviou a Oprah e a Michelle. O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi uma competição justa”.

Por que as pessoas ficaram indignadas com a piada? Não é com a piada que temos que nos indignar, mas sim com nossa situação atual e com os próprios brasileiros.

O que Robin Williams falou nada mais é do que a imagem que nós criamos, portanto, o culpado somos nós. A partir do momento em que vendemos o Brasil como o país do Carnaval, do samba, da mulata e da caipirinha, não podemos exigir que nos retratem como um local sério ou qualquer outra característica similar.

Será que realmente estamos preocupados com a imagem que temos lá fora? Já pararam pra ver os filmes que produzimos? Quando não falam da favela e do tráfico de drogas no RJ, exibimos um filme sem história, mas repleto de sexo. Porque o brasileiro gosta disso: pouco conteúdo e muita obscenidade.

A verdade dói, mas precisa ser dita. Se quisermos realmente mudar a imagem do Brasil, temos que mudar nossos atos, nossa forma de lidar com os problemas, deixar o “jeitinho” de lado, por fim, mudar o caráter brasileiro, que já é intrínseco ao nosso povo.

O que me deixa realmente revoltada é ver que tanta gente faz um rebuliço tremendo por conta dessa piada, mas quando fica sabendo de corrupção, desvio de dinheiro, aumento de IPTU dentre tantas outras falcatruas governamentais, ninguém faz nada. Todo mundo fica calado, aceitando toda a roubalheira como algo habitual e irreparável.

Robin Williams não tem que ser processado por nada. Onde já se viu alguém ser processado por falar a verdade? Imagino até a manchete do jornal: Robin Williams é processado por faltar com a MENTIRA!

Robin Williams não teria feito essa piada se não tivéssemos propiciado tal cenário. Se alguém tem que ser culpado por isso, esse alguém somos nós.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Otário é Nosso Sobrenome


“A Filha do Presidente”, além de ser um filme água com açúcar e completamente entediante, tem uma história clichê sobre uma menina cansada de ser paparicada, ansiando por uma vida normal.

No meio de tanta ridicularização de atores de renome, como Michael Keaton, e de uma perda de tempo por parte de quem assistiu ao filme, é possível tirar uma única conclusão: somos otários. Sim, isso mesmo: otários.

Críticos do filme reclamam pela história repetida e previsível, mas não houve um que criticasse a forma com que nós, cidadãos comuns, pagadores de impostos, sustentadores da “ociosidade” dos políticos, somos tratados nele.

Em uma cena, Samantha Mackenzie, a filha do presidente, resolve levar dois amigos, Mia e James, para um dia de luxo a bordo do nada mais e nada menos Air Force One, avião que transporta o presidente estadunidense por todas as partes do globo. Os dois amigos aproveitam tudo o que a viagem pode oferecer: o conforto da aeronave, manicure e pedicure, coleção particular de jogos do presidente, programas de televisão e, pelo cenário, até vinho. Após a viagem, os três se preparam para uma festa na Casa Branca, Samantha e Mia saem à procura de trajes e James, de smoking. Obviamente não custeado por eles.

Interessante, no entanto, é a pergunta de Mia a si mesma no avião: “esse país não é uma maravilha?”. Seria bom que ela perguntasse isso às pessoas que trabalham arduamente para pagar os impostos e custear caprichos de pessoas que se beneficiam com essa tirania do Estado. Tenho certeza de que todos amariam saber como está sendo bem usado o dinheiro usurpado pelo governo.

Na festa, outra frase. Desta vez de Samantha, ao dançar com James: “é um país livre. Eu não ligo para o que dizem”. Bom, deve ser no mínimo interessante o significado de "país livre" para ela. As pessoas escolheram livremente pagar impostos os quais lhes foram impostos? Escolheram pagar o combustível do Air Force One da Califórnia até Washington DC para que dois estudantes universitários que nada têm a ver com o Governo fossem a uma festa, com trajes e maquiagens bancados pelo dinheiro público?

Sim, eu sei que isso é só um filme, mas é importante que notemos o perigo por trás disso, pois o que antes era ficção tornou-se realidade com o caso do filho de Lula ao levar 14 amigos para passar as férias escolares no Palácio do Planalto e na Granja do Torto às nossas custas e também com o caso do governador do Ceará, Cid Gomes, que levou a sogra num jatinho particular por uma viagem à Europa, dando um prejuízo de mais de R$ 388.000 aos cofres públicos cearenses.

É, nós somos otários. Um bando de otários.