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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Deus, eu Te amo! - Parte II

Fiquei sabendo hoje sobre um acidente que uma garota sofreu aqui no RS. Ela tava voltando de alguma festa de madrugada e por alguma razão, não se sabe se ela dormiu ao volante ou estava bêbada, o carro perdeu o controle. Tinha um caminhão logo na frente e o carro foi direto para baixo dele e explodiu. A guria sobreviveu. Com certeza ficou queimada e com algumas seqüelas, mas sobreviveu.

Nessas horas a gente percebe o quanto nossa vida é pequena, o quanto ela não vale nada. Muitas pessoas se desesperam numa situação dessas, e com razão, mas quando temos fé e sabemos que Deus está no controle de tudo, fica mais fácil aceitarmos alguns contratempos.

Quantas vezes questionamos como isso foi acontecer conosco, quantas vezes ficamos com raiva de Deus, achando que fomos injustiçados, blasfemando e achando que não merecíamos estar nessas circunstâncias. Talvez pelo desespero na hora – afinal, somos humanos e, portanto, fracos – esquecemos que nunca fomos merecedores de nada. Estávamos destinados a morrer e parar no inferno, mas Deus, com sua infinita misericórdia, enviou seu único filho para morrer por nós, nos dando o maior presente que alguém poderia ter: a vida eterna.

Quando passa o momento do choque, percebemos o quanto fomos injustos ao culpar a Deus pelo que nos ocorreu, quando só temos a agradecer. Nós já não tínhamos nada e quando aceitamos tê-lo como Senhor da nossa vida, ganhamos tudo. Ganhamos a salvação da nossa alma.

Portanto, por mais difícil que seja perdermos um braço, uma perna ou sermos diagnosticados com algum tipo de doença, quando temos fé, fica mais fácil conviver com esses incidentes, porque nosso corpo pode estar danificado, mas nossa alma, não. Além disso, a certeza que temos de que a vida é muito mais do que apenas essa e sabermos que quando formos ao céu teremos nosso corpo santificado já é motivo o suficiente para glorificarmos a Deus em toda e qualquer circunstância.

Por isso eu agradeço a Deus por ter me abençoado com o melhor presente desse mundo, que dinheiro nenhum compra e doença alguma abala: a salvação da minha alma!

sábado, 16 de outubro de 2010

É possível amar a mesma pessoa pra sempre?



As pessoas banalizaram muito o amor. Todo mundo ama todo mundo, ou pelo menos é o que dizem. Hoje em dia, crianças de 13 anos começam a namorar, dizem que se amam e depois de duas semanas já acabaram o namoro e iniciaram outro.  Chegam aos 20 já tendo amado tudo. Ou nada.

O grande problema é que esse sentimento não é mais levado a sério como antes e as pessoas não sabem separar amor de paixão. Não tem porquê perguntar se é possível amar alguém pra sempre. O amor em si já é eterno, se alguém diz que ama, não deveria acreditar que é pra sempre? Por mais que nutramos um sentimento especial por uma pessoa, se esse relacionamento acabou, não acredito que tenha sido amor, a não ser que mesmo com o rompimento, o amor continue existindo entre os dois ou em uma das partes.

Claro que somos diferentes e muitos não conseguem – ou não querem – permanecer apenas com uma pessoa a vida inteira, isso é paixão. Um bom exemplo é um dos meus cantores e compositores preferidos, Vinícius de Moraes, que vivia de paixões e expressou isso muito bem em Soneto da Fidelidade:

“Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure”

Ele mesmo já sabia que esse amor não seria pra sempre, que era fogo de palha, mortal. O que precisava era viver essa paixão intensamente até que se desvanecesse e, então, partir pra outra.

Só não concordo com o “amor” de “do amor (que tive)”, mas isso vai de pessoa pra pessoa. O que eu escrevo aqui não necessariamente está correto, talvez eu que tenha nascido na época errada mesmo. Não consigo me ver amando alguém por um tempo determinado e depois deixar de amar e passar a sentir o mesmo que sentia antes por outra pessoa. Ou eu amo ou não amo. Amor não tem prazo de validade.

Passar a vida inteira com uma única pessoa também não quer dizer que elas se amam, pode ser mais por comodidade, pra não ter que ficar sozinho. O amor é muito mais do que simplesmente viver juntos ou fazer juras eternas. Duas pessoas podem se amar mesmo morando distantes; mesmo não vendo viabilidade alguma em unir-se a quem ama; e até mesmo casadas com outras pessoas (mas, claro, não significa que traiam os cônjuges em nome do amor por outro, acima de tudo, há o respeito).

O amor é o sentimento mais puro que alguém pode sentir por outra pessoa e é impossível defini-lo plenamente sem que caiamos na pieguice. O amor não tem como ser medido, nem comparado, e para finalmente entendê-lo, precisamos do privilégio de senti-lo. Senti-lo eternamente!

domingo, 3 de outubro de 2010

Lidando com a decepção.

Se existe alguma pessoa no mundo que nunca se decepcionou ou se frustrou com alguém, ela deveria se considerar uma felizarda. Quando alguém é muito importante para nós, por mais que elas dêem mancadas e não nos tratem da forma que deveriam, continuamos indo atrás delas, fazendo tudo para ajudá-las, sem nos importarmos em ter nossas ações valorizadas ou reconhecidas.

Entretanto, depois de um tempo, simplesmente cansamos. Às vezes digo pras minhas amigas que invejo a forma com que várias pessoas levam as amizades hoje em dia – de uma forma um tanto quanto fria e indiferente –, porque desse modo fica mais difícil sofrermos tanto com as decepções.

Só que, por mais que eu tente, não consigo ser fria. Sou que nem cachorro: o dono trata mal, não dá carinho, mas, mesmo assim, o cão vai sempre correndo abanando o rabo quando ele chega. O dono, então, não valoriza o cachorro, porque sabe que ele vai continuar ali, no matter what. O que o dono não percebe é que depois de passar muito tempo dando patada e não valorizando a amizade oferecida, o cãozinho se resguarda e desiste, vê que não vale a pena todo o sofrimento por alguém que simplesmente não merece o seu amor.

Acredito que nunca existe uma situação tão ruim que não haja um lado bom. Decepcionar-se com alguém não é, por sinal, tão ruim assim. Claro que ficamos tristes ao ver que muitas vezes alguém que estimávamos tanto não é tudo aquilo (ou não é absolutamente nada) que imaginávamos, mas é muito melhor se decepcionar agora a continuar se enganando e fazendo tudo por alguém que não merece nada. Antes tarde do que nunca!

Além disso, nessas frustrações da vida, acabamos vendo quem realmente merece nosso amor e nossa amizade. Pessoas que antes não sabíamos serem tão importantes assim, pessoas que pensávamos não se importarem tanto conosco, mas que nos momentos difíceis e de desilusões, elas nos apóiam e não se acovardam em falar o que pensam, mesmo que isso signifique afastamento por parte de alguns.

Tudo o que posso dizer agora é que se enganar em relação a alguém não é o problema. O problema é quando vemos que estamos nos enganando, mas fechamos os olhos para isso. Quando não tomamos uma atitude, deixamos de valorizar quem realmente merece e continuamos sendo trouxas, fazendo tudo por alguém que não fez, não faz e não fará nada por nós.

Não há situação tão ruim onde não se possa tirar proveito ou lição!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Deus, eu Te amo! - Parte I

A vida humana é tão frágil e nós sempre nos achamos tão imponentes. É interessante como podemos ser tão soberbos e nos acharmos tão poderosos, quando somos realmente tão frágeis e sem controle algum sobre nossa vida.

Na semana que mamãe esteve aqui comigo, passei por duas situações que nunca tinha visto. A primeira foi quando voltava da Castelli com duas amigas minhas. Enquanto conversávamos, duas gurias, também alunas da Castelli, iam atravessar a rua (uma esquina) e uma delas quase foi atropelada por uma senhora que, sem reação, carregou a menina enquanto dobrava a esquina e só foi parar o carro depois de alguns segundos. A sorte (pra quem acredita nisso; eu, não) foi que a menina ficou se segurando no carro e andando pra trás pra que ele não passasse por cima dela.

Quando o carro parou, fomos pegá-la no meio da rua, ela ainda estava em pé, tremendo e completamente nervosa. A senhora desceu do carro ainda perdida, ofereceu carona para levá-la ao médico e pediu pra deixar o número dela. Felizmente não houve nenhum problema, só o terno da Castelli que ficou abarrotado.

A outra situação que presenciei foi quando ia pra Castelli no período da tarde. Passando em frente à Gisele, como de costume, um senhor estava caído na calçada, tinham duas pessoas ajudando, outra ligando pra ambulância e um menino chorando chamando pelo avô, que era o homem no chão. O senhor não conseguia respirar direito e tava se tremendo todo.

Nunca sabemos como vai ser o decorrer do nosso dia. A gente sempre parece tão auto-suficiente, tão cheio de poder, mas basta um tropeço, uma falta de atenção ao atravessar a rua, uma simples mudança de trajeto, para fazer com que toda a nossa vida mude de uma hora para outra.

Por isso temos que agradecer a Deus todos os dias pela nossa vida e por acordarmos todos os dias, por mais uma oportunidade que Ele nos deu para recomeçar, para abraçar, rir, pedir desculpas, aproveitar os amigos e a família, conhecer novas pessoas e, acima de tudo, dizer aos que realmente amamos o quanto eles são amados por nós.

Não deixe de dizer às pessoas que você as ama. Amanhã pode ser muito tarde. E não esqueçamos, claro, de dizer a Deus o quanto nós O amamos. Quantas vezes eu oro e nunca verbalizo o meu amor por Ele? Nunca tinha parado pra pensar a respeito, até passar por essas duas situações.

Deus sabe tudo, mas não significa que não queira ouvir da nossa boca o quanto Ele é importante para nós.

domingo, 5 de setembro de 2010

Como é bom ter companhia!

Ontem mamãe voltou pra Fortaleza. Ela veio passar uma semana comigo aqui em Canela pra aproveitar o último semestre que tenho no Brasil antes de estagiar na França (isso se não me negarem o visto, claro hehe).

Engraçado que por mais tempo que já tenha morado longe dos meus pais, por mais independente (em certos aspectos) que tenha me tornado, por mais que tenha aprendido a viver sozinha e não sinta tanta saudade quanto antes, basta um dia, um único dia, pra ver que uma boa parte de tudo o que pensava está completamente errado.

Consigo resolver meus problemas, já não preciso mais dos meus pais ligando de Fortaleza pra Canela pra solucionar as besteiras que me afligem; aprendi a preencher meu dia e não ficar entediada; faço meu livro-caixa do jeitinho que papi me ensinou quando ainda era uma pirralha que precisava da mamãe cantando pra dormir e deixo a casa o mais vazio possível pra não me dar trabalho quando tiver que limpar do jeito prático que minha mãe me ensinou. A faxineira faz o trabalho "sujo" depois. Eu só inicio. =P

Mas se tem uma coisa que não aprendi foi a viver sozinha. Aprender a lidar com a saudade, isso eu aprendi. Mas a viver sozinha? Não. E fico muito feliz com isso. O ser humano não nasceu para viver sozinho, se assim o fosse, Adão não se sentiria só e Deus não teria criado Eva.

Claro que precisamos de nossos momentos sem ninguém por perto para descansar um pouco, colocar os pensamentos em ordem, mas isso não é bom quando deixam de ser apenas momentos.

Por mais frio, indiferente ou solitário que fiquemos, precisamos de apenas um dia com pessoas que nos fazem bem para vermos como é infinitamente melhor ter gente por perto, compartilhando o dia, as felicidades, as inquietações, as conquistas, a raiva ou qualquer outro momento, quer seja bom ou ruim, relevante ou não.

Claro que existem também os pontos negativos, mas se tabularmos e compararmos os pontos positivos e negativos, vai ser visível a superabundância dos pontos positivos comparados aos dos negativos.

Com outra pessoa morando conosco, até a refeição fica melhor. Fazia séculos que não tomava café-da-manhã antes de ir pra Castelli, porque o melhor de preparar uma refeição é ter alguém pra dividir a mesa e a conversa. Se for pra comer por comer, pego qualquer besteira na padaria e levo pra casa.

Anyways, mami foi embora ontem e o aniversário dela é hoje. Agora ela tá compartilhando um café-da-manhã delicioso com papai e vovó enquanto coloca toda a conversa em dia.


Obrigada por ter feito companhia pra filhota aqui durante todos esses dias, mami, e por me fazer lembrar que não sei (e muito menos quero) viver sozinha, por mais independente que eu fique.

Você é a melhor mãe do mundo e, de longe, a minha melhor amiga!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Feliz dia dos pais, papi!

Falar de quem amamos é sempre uma tarefa difícil, principalmente quando esse alguém, além de ser amado incondicionalmente, é um dos maiores responsáveis por quem nós somos.

Ontem foi dia dos pais e queria escrever algo especial pro papai, mas ele sempre recebe as mesmas cartinhas e escuta as mesmas coisas. A única coisa que ele nunca ganha é presente, porque ele sempre faz questão de dizer que não quer e eu, como estudante falida que sou, faço questão de obedecer a risca esse pedido.

Se eu fosse listar todas as qualidades do papai, tudo o que eu admiro nele, o porquê de ele ser um grande exemplo de pai, marido, amigo, filho, irmão e comerciante, os ecochatos pirariam com o número de folhas que gastaria.

Desde que me conheço por gente – e olha que já não sou mais nenhuma criancinha – papai nunca tirou férias. O mais interessante nisso tudo é que, mesmo com todo o trabalho que ele sempre teve, apesar de ficar dois turnos trabalhando enquanto eu e Natan ficávamos esses dois turnos na escola, nunca me senti órfã de carinho por parte dele, nunca senti que faltava alguma coisa, pelo contrário, apesar de muitas vezes nos vermos apenas depois das 17h (quando estava no ensino fundamental), papai sempre esteve presente na minha vida.

Certas coisas não esquecemos nunca, e tem uma que me lembro muito bem e sempre encho os olhos de lágrima quando falo a respeito. Quando estava na segunda série, a professora Isabel fez uma provinha de multiplicação para os alunos, e eu não conseguia acertar nenhuma questão. Comecei a chorar desesperada e não sabia o que estava fazendo de errado. Chegando em casa, falei pro papai o que tinha acontecido e ele imediatamente me levou pra garagem, onde tinha uma lousa fixada, e me ensinou a multiplicar. No outro dia, quando refiz a prova, acertei todas as questões.

Outra vez, quando já estava na quinta-série, papai sentou ao meu lado na mesa da sala pra me ajudar na matemática, e eu fiz uma conta básica de somar nos dedos. Resultado? A indignação do papi foi tão grande que no outro dia eu estava matriculada no Kumon.

Quando eu tinha 8 anos, tava tendo o campeonato internacional de windsurf no Beach Park e papi me levou pra assistir. Lá eu me apaixonei pelo esporte e disse que queria aprender. No outro dia, depois da aula, papai já estava me levando pra minha primeira aula de windsurf com o professor Kong. Enquanto eu velejava, papi ficava de um lado para o outro na beira do mar, com um binóculo nada fashion, cuidando de mim e me assistindo.

Mami sempre gostou de doces e tortas. Uma tarde ela ficou morrendo de vontade de comer torta, mas por algum motivo que não me recordo agora, ela não comeu. Enquanto mamãe dava uma descansada de tarde, papai saiu. Quando ela acordou, ele não estava, mas eu disse que era porque ele tinha ido alugar um filme, o que era verdade. Quando ele chegou, além de trazer um filme consigo, trouxe também um quarto de torta pra mamãe. Nunca esqueci da forma com que eles se olharam naquele dia, nem da felicidade da mamãe e do abraço que ela deu no papai na mesma hora.

Eu só tenho a agradecer a Deus por ter um pai tão carinhoso e presente na minha vida, por ter ensinado a mim e ao meu irmão valores que levarei sempre comigo, mas, principalmente, agradeço por ter me mostrado o caminho que nos leva a Deus: Jesus.

Como já falei numa outra carta, por mais que eu saiba que não estaremos sempre juntos na terra, o que me alegra é saber que quando ambos já não estivermos mais aqui, viveremos juntos eternamente, próximos do nosso Salvador.

É tão bom saber que a vida não é só essa e que nos veremos novamente, mesmo após a morte.

Papi, eu te amo! E quando você diz que filho é uma raça ingrata, acredite, você tem toda a razão, porque por mais que eu te ame, por mais que eu te admire, por mais que saiba todo o esforço que você faz para nos manter fora do estado, mesmo assim eu sou impaciente, sou grosseira e, por diversas vezes, monossilábica. Eu sei que vocês gostariam que eu conversasse mais, falasse mais, mas meu jeito calado às vezes me impossibilita conseguir me expressar da forma com que gostaria.

Anyways, mesmo muitas vezes não demonstrando, eu te amo muito! Você é, de longe, uma das pessoas mais importantes da minha vida!

sábado, 31 de julho de 2010

Homem Machista é Pra Casar!

A Super Interessante mostrou uma pesquisa realizada por duas americanas que disseram que homens machistas eram maridos melhores. Quando eu vi o título, sinceramente, não me surpreendi.

A pesquisa foi feita com 102 homens e o estudo é apenas preliminar. De acordo com a revista, a pesquisa considerou machista o homem que considera a mulher apenas um ser mais frágil, que precisa de maiores cuidados e proteção.

Se isso é ser machista, é justamente esse tipo de homem que prefiro! Se for pra ficar com um alguém que não me deixe segura e nem me dê proteção, é melhor ficar sozinha mesmo.

domingo, 25 de julho de 2010

Sabrina e traições

Eu desisto de assistir a alguns filmes só pela capa, com outros apenas me desanimo, mas, ainda assim, assisto. Sempre fui fã de carteirinha do Harrison Ford e vi que papai tinha comprado mais um DVD onde ele era um dos protagonistas: Sabrina.

A capa não me animou muito, mas como era com o Harrison, perguntei aos meus pais se eles gostavam do filme. Mamãe prontamente disse que sim, papai foi dizendo que era pra toda a família, excelente. O filme, pelo visto, era daqueles romances com alguma comédia, meio água com açúcar, no estilo que eu não gosto.

Filme romântico com veia humorística dificilmente é bom, até porque quase nunca o que era pra ser engraçado realmente é. O roteirista e o diretor do filme tem que ser muito bons pra conseguir misturar romance e comédia. Isso, claro, é a opinião de quem não entende bulhufas de cinema e que adora palpitar sem saber de nada pelo simples prazer de fazê-lo.

O que estragou o filme, pra mim, foi no início – na verdade, a cena foi mais ou menos no início, mas não bem no início; foi depois do início e antes do meio – quando Sabrina volta de uma temporada na França. Antes disso, ela morava na mansão de uma família rica (óbvio que era rica, já que a família tinha uma mansão), porque era a filha do choffeur. A família era composta pela mãe e pelos dois filhos. O pai era falecido. Sabrina era apaixonada por David, filho mais novo que, como sempre tem que ter uma ovelha negra, apesar de inteligente, era um mulherengo que nunca aparecia pra trabalhar, levava a vida a jogar tênis, ter encontros de dois dias com quem quer que fosse e ganhar uma mesadinha nada insignificante da empresa da família, onde ele tinha um escritório que nem sequer sabia mais onde ficava. Já o Linus, o irmão mais velho, era justamente o contrário. O workaholic em pessoa.

Anyways, a mãe desses dois conseguiu um emprego pra Sabrina na França e ela resolveu ir. Os funcionários da casa, incluindo seu pai, achavam que essa seria uma forma dela esquecer David, que foi seu amor platônico por todos esses anos. Com o passar do tempo, Sabrina foi começando a esquecê-lo, até ficar sabendo de seu noivado com uma médica pediatra, filha de um rico empresário que iria fechar acordo com a empresa dos Larabee.

Alors, quando Sabrina voltou de Paris, ela era uma mulher completamente diferente. Voltou mais bonita e jeitosa, além de um cabelo curto e bem mais bonito. Quando David a viu, logo se apaixonou e convidou-a para mais uma das várias festas que a família estava organizando, dessa vez para comemorar o aniversário da mãe. Sabrina, sem pensar duas vezes, aceitou. Na festa de aniversário estavam presentes os futuros sogros de David. A noiva estava viajando e não pode comparecer.

Sabrina foi muito bem arrumada para o aniversário, onde se encontrou com David, conversou e dançou com ele de forma que se eu fosse a noiva dele e presenciasse a cena, faria com que o pouco cabelo que restou de Sabrina após seu corte na França fosse resumido a nada.

Como David sempre fazia com suas presas (e Sabrina sabia muito bem disso, já que vivia espionando cada respirar dele), pediu para que a moça o encontrasse no Solarium. Enquanto isso, ele pegaria uma garrafa de champagne, duas taças – que seriam colocadas no seu bolso traseiro – e pediria para a orquestra tocar uma música cujo nome não me recordo.

O que mais me revoltou nessa parte do filme foi não apenas Sabrina saber que esse convite não a faria mais ou menos especial do que qualquer outra garota que ele tenha convidado ao solarium, mas ver que ela concordou em ir até lá, tendo consciência da desoriginalidade da cantada e, principalmente, sabendo do noivado de David.

Além disso, o que é também ridículo, é que ela só não se igualou a uma qualquer pelo simples fato de David, estúpido como naturalmente deveria ser, ter sentado com as duas taças no seu traseiro durante um rápido bate-papo entre ele, Linus e a mãe, sobre o seu comportamento com Sabrina, impedindo seu comparecimento ao solarium.

Mas a gota d’água para a minha indignação, na verdade, não foi o filme, apesar de ter alugado os ouvidos da minha mãe pra expressar toda a minha revolta, mas ter lido na revista Contigo!, enquanto fazia minhas unhas, que Cássio Reis e Danielle Winits tinham se separado e o pivô foi Jônatas Faro, de 22 anos, um pirralho que mal deixou de usar fralda. Após alguns anos de casados e o nascimento de um filho, a união acabou por causa de um menino mais de uma década mais novo que a mulher.

Pra tudo há perdão, mas a mágoa sempre fica. E se tem uma coisa que eu não consigo admitir é traição. Além de ser de uma frieza muito grande por parte de quem trai, é muita falta de caráter e uma covardia tremenda agir pelas costas, escondido. É vergonhoso saber que alguém prometeu no altar amar alguém até que a morte os separasse, fazer votos e mais votos de felicidade, pra depois tomar uma atitude dessas. Ora, pra quê se casa, então? É melhor ficar solteiro, se for pra ser assim.

Claro que as pessoas podem se enganar e perceber depois que o casamento foi um engano, o que, para mim, não é justificativa para um divórcio, porque muito, mas muito dificilmente alguém casa enganado, mas se for pra trair, que seja ao menos sincero com o cônjuge e caia fora do relacionamento antes de agir dessa forma ou então, ao expor suas fraquezas, tente melhorar a relação. Ninguém é tão desimportante a ponto de merecer ser tratado de forma tão desumana e cruel.

Não gostei de Sabrina. Assim como nunca gostei de “O Encantador de Cavalos”. São dois filmes que passo longe quando busco algum dos DVDs do papai para passar o tempo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

A Magia do Sorriso

Se eu tivesse que citar um hormônio que me fascina, que eu gostaria que vivesse sendo liberado por todo o meu corpo, esse hormônio seria a endorfina. Ela não apenas melhora a capacidade de memorização e o sistema imunológico, como também aumenta a resistência física e mental do ser humano. Além dessas funções, ela também possui outras igualmente interessantes, mas a que eu mais gosto é a de melhorar nosso estado de espírito.

A primeira vez que li sobre a endorfina foi em uma revista de esportes, o que me fez compreender o porquê de me sentir tão feliz sempre que corria, velejava, pedalava ou praticava algum outro exercício físico que me agradasse. A liberação de endorfina, no entanto, ocorre sempre que temos a sensação de prazer. Um brigadeiro, um pedaço de bolo ou torta são capazes de fazer com que liberemos esse hormônio tão necessário ao nosso corpo.

Agora, se você me perguntar qual a melhor forma de liberar endorfina, eu digo que é por meio do sorriso. Sempre achei impressionante como podemos modificar o dia inteiro de uma pessoa através do nosso sorriso e nem sequer tomamos conhecimento disso.

Toda manhã, quando vou à Castelli, é sagrado cruzar o caminho com uma guria bem em frente ao Empório. Ela é bem nova e sei que ainda está na escola. Pelo caminho que ela faz, deve estudar no Marista ou no Danton. Anyways, depois de uns dias passando uma pela outra todas as manhãs, começamos a sorrir uma para outra. Estranho, mas eu ficava com o sorriso até umas duas quadras, pelo menos. Com umas semanas, já passávamos uma pela outra e falávamos “Oi! Tudo?*”. O sorriso, a partir dessa época, já era ainda mais escancarado.

O motivo para estar falando isso? Lembro muito bem de quando ia a pé pra Castelli e não via essa menina. Eu ia normal, nem triste, nem feliz. Indiferente. Agora que a vejo sempre, que tenho a oportunidade de dar um sorriso sincero para alguém que nem sei o nome, mas que me faz um bem enorme, e tenho a chance de receber um sorriso lindo, sincero e aberto em troca, meu dia fica ainda melhor do que o que sempre foi.

Liberar endorfina correndo é bom, mas exige esforço físico; comendo brigadeiro também é uma ótima forma, mas a sensação de prazer acaba logo e temos que comprar outro, já que não nos contentamos apenas com um – e dá-lhe calorias extras e desnecessárias.

Não existe forma melhor de se produzir endorfina do que através do sorriso, algo tão puro e sincero, que dá uma sensação de prazer enorme e constante, além de melhorar o estado de espírito não só da pessoa que o dá, mas também o da pessoa que o recebe.

Antes de tudo, pense em você e em como um simples sorriso pode melhorar todo o seu corpo. Depois veja que você, ao pensar em si mesmo, acaba ajudando outras pessoas a experimentarem a mesma sensação de prazer, afinal, ninguém sorri pras paredes.

*Aqui em Canela (não sei se em todo o estado do Rio Grande do Sul), as pessoas não costumam perguntar “tudo bem?”, apenas “tudo?”.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Conversas avec Thai: amor, baladas e solteirice.

Ontem fui com Thai comer no Empório. Aproveitamos que estava um calor danado em Canela – sim, é inverno e a cidade é um gelo, mas sempre surge um diazinho quente pra dar uma amenizada – e saímos para pegar um solzinho, conversar e engordar com as gostosuras do Empório.

Adoro sair pra comer com minhas amigas, não só pelos locais super agradáveis que vamos, tampouco apenas pela comida deliciosa, mas também por todos os assuntos que surgem enquanto esperamos nossos pedidos e, mais tarde, enquanto os devoramos.

Comentávamos sobre uma amiga minha e da minha família, lá de Fortaleza, que já tem um pouco mais de 50 anos. Ela é bem resolvida, trabalha, é inteligente e competente, só meio baladeira. No início do ano ela namorava um homem da mesma idade, mais ou menos. Não sei por qual motivo, mas agora ela está solteira e, aparentemente, não muito feliz.

Eu e Thai temos muitos pensamentos em comum, talvez seja pela forma como fomos criadas ou pela simples personalidade e características parecidas. Por causa dessa senhora, acabamos falando sobre nossas vidas e sobre o receio que muitas pessoas tem em assumir um compromisso.

Muitas vezes encontramos solteirões de 30 e poucos anos, metidos a adolescentes, saindo pra farra, tendo mil e um casos, mas nada de namoro sério. Quando o tempo vai passando, as rugas vão aparecendo e o número de pessoas que se interessavam por eles vai diminuindo, começam a pensar em casar, mas para encontrar alguém nessa idade já fica mais complicado.

Claro que uma pessoa não precisa ser casada para ser feliz. De fato, existem muitos casados que não o são, mas por pura questão de não saber lidar com as diferenças ou por ter casado sem amor, que é uma das bases para qualquer relacionamento duradouro. Entretanto, duvido muito que pessoas nos seus 30, 40 e poucos anos, que vão pra farra e são chamados de tios pelos mais novos, mesmo com o sorriso estampado no rosto graças ao álcool, permaneçam felizes até chegar em casa, abrir a porta e não ter ninguém para recebê-lo com um abraço carinhoso e perguntando como passou o dia.

Todo mundo diz que quer curtir a vida primeiro e depois pensar em casar, como se não houvesse vida depois disso. O problema é que muitas vezes, com um pensamento assim, acabamos deixando de lado a oportunidade de ser feliz pra sempre com uma única pessoa para sermos felizes em alguns rápidos momentos com pessoas que não nos significaram nada, apenas um prazer passageiro.

Ontem descobri mais uma coisa que eu e Thai temos em comum: não abrirmos mão de um amor eterno por uma paixão efêmera e insignificante.

sábado, 19 de junho de 2010

O Casamento de Nelinha

Hoje fui alugar um filme com Thai a fim de assistirmos nesse sábado a noite e desopilarmos um pouco, depois de uma semana desgastante, chegando em casa por volta das 23h da noite todos os dias por causa de projetos e coisas do gênero.

Antes de começarmos a assistir ao filme, ligamos a TV e bem na hora passava a cena de uma novela da Globo, Tempos Modernos, que não assisto porque, além de não gostar de novelas, tenho curso todos os dias nesse horário. Anyways, como qualquer outra novela, você só precisa de 10 míseros minutos para saber tudo o que aconteceu até aquele exato momento e tudo o que acontecerá dali em diante.

A cena por si só me chamou atenção. Era do casamento da Nelinha. Ela, na novela é apaixonada pelo Zeca. Eles chegaram a namorar, mas descobriram que, pasmem, ele era filho do pai dela, logo, os dois eram irmãos. Fim de namoro.

Nelinha conheceu alguém que não sei o nome, chamemos de João para que eu não tenha que ficar escrevendo “alguém que não sei o nome” o tempo todo nesse texto – se bem que eu poderia só usar o CTRL C/ CTRL V.

Enfim, no momento do casamento dela com João, antes de entrar no altar, descobriu que não era filha do pai dela ou, melhor dizendo, do cara que ela chamava de pai. Alguém conseguir não ser filha do próprio pai é uma proeza muito medonha mesmo. Se ela não era filha do cara, ela não era irmã do Zeca, que é o rapaz que ela realmente ama. Ela não sendo irmã dele faz com que os dois possam ficar juntos. Eu sou muito esperta, né? Eu sei.

Assim que descobriu, ela ficou sem saber o que fazer e chamou o noivo, que já estava no altar. Quando ele entrou na sala, ela tava chorando e falou que descobriu que Zeca não era irmão dela. A novela acabou bem na hora em que ela entra no altar para se casar com João, que a convenceu a continuar o casamento assim mesmo.

Eu, se fosse o João, jamais aceitaria casar com alguém que não me amasse, mesmo que tivesse profunda admiração por mim. É horrível saber que uma pessoa vai estar ao teu lado pra sempre, mas amando outro. Dizem que o amor pode vir com o tempo. Eu prefiro não arriscar.

Acredito, sim, que posso viver com alguém o resto da vida – e de forma feliz – sem necessariamente amar como homem, apenas como um bom amigo e companheiro, mas isso seria o mesmo que negar o amor de alguém que poderia surgir futuramente ou que já tenha surgido. Isso eu digo levando em consideração, conservadora como sou, que casamento é para sempre e não me casaria pensando que poderia me separar caso encontrasse outra pessoa a quem realmente amasse.

Bom, são apenas devaneios meus. Ninguém é obrigado a concordar com nada disso. O que queria falar mesmo quando comecei a escrever esse texto era só que se estivesse no lugar da Nelinha, não casaria. Prefiro não casar a casar sem amor.

Aí me vem aquelas pessoas dizendo “mas amor não paga as contas e nem coloca o pão na mesa”. É pra me sustentar que eu estudo, não preciso do sobrenome de ninguém para isso. Prefiro ficar solteira a casar sem amor. Aliás, prefiro ficar solteira a abrir mão de várias outras coisas que estão, inclusive, acima do amor, mesmo que isso me fizesse sofrer por toda a vida.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Um Mês Pra Fortaleza!

Hoje falta exatamente um mês para chegar a Fortaleza e passar meus 10 dias de férias com minha família. Engraçado que em dezembro do ano passado eu procurava o que fazer em julho para não ter que voltar pra casa. Não que eu não goste da minha cidade, muito pelo contrário, Fortaleza é uma das cidades que mais amo, além de São Paulo e Porto Alegre.

O problema era que quando chegava lá pras férias muitas vezes deixava de ir aos locais que queria por pura comodidade e dependência. Comodidade porque moro no Porto das Dunas e pra chegar na cidade demora um bocadinho. Dependência porque, como ainda não tenho carteira, preciso da disponibilidade dos meus pais para ir pros cantos, já que não sou cara de pau – pelo menos não a tal ponto – pra ficar pedindo que meus amigos façam praticamente uma viagem para me pegar.

Meus pais já sabiam que estava procurando alguns cursos em SP para julho e, como sempre, eles me apoiaram. Papai, perceptivelmente, apoiava sem muita vontade, porque me queria em Fortaleza nas férias. Após algumas (várias) indiretas de papi, resolvi ir à Fortaleza próximo mês. Confesso que depois de ter tomado essa decisão, uma paz tomou conta de mim.



Poucas pessoas sabem, mas agora vão saber (até parece que esse troço é lido por muita gente, mas enfim...), próximo ano já é praticamente certo que morarei na França por 10 meses, fazendo estágio em um hotel da rede Relais&Chatêaux, junto com Luci, uma das integrantes da CM7 e uma grande amiga minha.

Conversando com Celso, responsável por nos enviar ao estágio, vi que passaremos cerca de um ano fora, não apenas 10 meses, pois vamos aproveitar o momento e mochilar depois desse tempo. Portanto, quero aproveitar os poucos meses que me restam para ficar com as pessoas que eu amo incondicionalmente e que me amam na mesma intensidade. Tenho apenas 10 dias em julho, menos de 1/3 de dezembro e o mês de janeiro para ficar com meus pais, minha avó, meus primos e tios.

Está mais do que na hora de começar a valorizar essas pessoas que fizeram e fazem tanto pelo meu futuro. Os grandes responsáveis pela minha formação. Hoje eu ia só colocar a lista de todas as coisas que quero fazer nessas férias, mas, por algum motivo, quando fui passá-las do papel ao note, comecei a escrever isso aqui.

A lista, portanto, terá que ficar pra próxima postada.

sábado, 12 de junho de 2010

Dia dos Namorados e Minhas Namoradas!

Hoje é dia dos namorados. Sempre achei estranho as pessoas comemorarem datas sem saberem o real motivo delas. Não que eu me importe tanto com o significado de todas, mas se for pra celebrar, tenho que saber o porquê.

Conta a história que o imperador romano Cláudio II proibiu a realização de casamentos durante a guerra, visto que, de acordo com ele, solteiros eram melhores guerreiros. Bispo Valentim, por discordar tanto do pensamento quanto da imposição do imperador, continuou realizando casamentos e, inclusive, casou-se em secreto.

Quando foi descoberto, foi preso e condenado à morte, que se deu no dia 14 de fevereiro. Antes de sua execução, enquanto estava na cadeia, chegou a receber cartas de vários jovens apaixonados e até se apaixonou pela filha cega de um carcereiro que, dizem, passou a enxergar.

Prefiro comemorar o Valentine’s Day, dia 14 de fevereiro, do que o Dia dos Namorados, dia 12 de junho. Tudo bem que aqui é comemorado hoje pelo fato de amanhã ser o dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, mas, pelo nome e pela importância dada ao dia, sou muito mais o Valentine’s.

Dia dos Namorados parece algo tão descartável, tão superficial. Hoje deveria ser um dia pra celebrar o amor entre todas as pessoas, não só entre casais de namorados, mas entre pais e filhos, primos, sobrinhos, netos, cunhados, amigos... Se bem que nem sequer deveria ser preciso criar um dia para algo que deve ser lembrado e vivido todos os dias da nossa vida.

Anyways, resolvi presentear todas as minhas amigas que moram no RS e fazem parte do meu dia-a-dia: as minhas eternas namoradas! Nós temos uma irmandade. Todo mundo é cúmplice uma da outra, todo mundo escuta os desabafos e aconselha. Todas adoram um abraço e amam retribuí-lo. E são as nossas diferenças e a forma com a qual lidamos com elas que fazem do nosso grupo um dos poucos realmente leais e permanentes. Amo-as, gurias!


E que venha nossa formatura, porque independente de para onde formos, vocês serão as minhas namoradas, e eu assim serei para vocês!!

domingo, 9 de maio de 2010

“Mulher virtuosa, quem a achará?”

Minha família sempre foi o oposto de tudo que se possa imaginar. Não nos presenteamos nos aniversários, não compramos nada um para o outro no Natal, não existe dia dos pais, dia das mães, dia das crianças ou qualquer outro dia que seja.

Claro, quando eu ou Natan precisamos de alguma coisa, meus pais não pensam duas vezes em comprar. Quando eles precisam, obviamente, também compram. Mas nunca por cauda de uma data em específico. Entretanto, infelizmente, sempre esperamos por datas estipuladas pelos homens para dizer algo a alguém especial, quando deveria acontecer diariamente.

Existem filhas que mal olham na cara das mães, mas hoje estará almoçando com ela simplesmente por causa do dia. Bueno, liguei pra minha mãe como de costume. Desejei feliz dia das mães e falei as coisas clichês que todo mundo fala. Inovação não é algo característico em datas especiais.

Como não quero ficar séculos sem escrever no meu blog – olha o interesse por trás do motivo do post -, vou falar sobre uma das (poucas) pessoas mais importantes na minha vida, minha mãe.

Desde criança sempre fui muito apegada a ela, inclusive, até pouco antes de ir estudar no Canadá, só conseguia dormir se ela cantasse pra mim. Shame on me, I know. Quando estava na quinta série do ensino fundamental, ainda residindo na Henriqueta Galeno, em frente ao Colégio 7 de Setembro, perguntei pra minha mãe se ela amaria a mim tanto quanto a meu irmão mais novo, caso tivesse um. Óbvio que ela disse que sim. Não dormi até ela dizer que amaria mais a mim do que qualquer outro inoportuno filho que viesse posteriormente. E ainda fiz com que me garantisse que a ligação das trompas era segura e que, dessa forma, seria impossível engravidar novamente.

A verdade é que é tão difícil encontrarmos alguém realmente importante que, quando isso acontece, não queremos dividi-lo com ninguém. E minha mãe é o tipo da pessoa que qualquer um se apaixona. E ter que dividi-la com meu pai e meu irmão já era o suficiente pra mim.

A Bíblia fala sobre a mulher virtuosa e, sem sombra de dúvidas, papai foi muito abençoado em tê-la encontrado. Minha mãe não é só uma excelente esposa, mas uma companheira inigualável, amiga fiel, mãe carinhosa e, por incrível que pareça, paciente, além de linda e com um corpo de dar inveja a qualquer jovem de 20 anos (e eu me incluo nesse grupo).

Se for pensar em termos de dona de casa, minha mãe nunca foi das melhores de acordo com o padrão conhecido. Até hoje o fogão do nosso apartamento é só de enfeite, porque nunca sequer compramos um botijão de gás pra lá; e o da nossa casa só serve pra quando recebemos visitas e, ainda assim, temos que testá-lo zilhões de vezes para termos certeza de que ainda funciona.

Mas, como disse papai ao meu avô quando foi pedi-la em casamento, ele não buscava uma cozinheira, mas uma companheira. E isso ele tem há 23 anos. Minha mãe amanhece o dia de joelhos orando pela nossa família e vai dormir da mesma forma, pelo mesmo motivo. Meus pais trabalham juntos e quando minha mãe vai pro sítio com minha avó, dias de terça e quinta, meu pai fica completamente sem chão no trabalho. Tanto é que volta mais cedo pra casa. Nessas férias, quando estive em Fortaleza, isso foi bem perceptível.

Em dezembro e janeiro, por sinal, não sei quem ficava mais ansioso para que minha mãe voltasse logo pra casa: eu ou meu pai. Quando ela chegava, ninguém desgrudava e era uma competição horrível para ver com quem ela ia ficar depois do jantar. Papai foi o que ficou mais contente com o final das férias e minha conseqüente volta ao RS. Por mais que ele negue, eu sei que é verdade. E compreendo, sério mesmo.

Mas, sem querer falar no quesito esposa, que ela é excepcional, a única coisa que tenho a dizer é que Deus foi maravilhosamente bondoso comigo. Eu não mereço a mãe que tenho. Só tenho a agradecê-la por ser sempre tão amiga, pronta pra me escutar quando preciso, mesmo que depois leve um tremendo esporro; por abdicar de tantas coisas pelo meu futuro; por orar por mim quando nem eu mesma oro, por interceder pelo meu futuro quando eu, muitas vezes, não o faço; por me amar mesmo com minhas grosserias, fase pela qual geralmente passamos e eu, infelizmente, não fui uma exceção.

Quando penso em mim como filha, desisto da idéia de ter filhos. Contudo, quando olho para minha mãe, mudo rapidamente de idéia, porque quero ter a oportunidade de abençoar a vida de alguém como minha mãe abençoa a minha, mesmo quando não faço por merecer.

terça-feira, 23 de março de 2010

A Comodidade Que Não Vale a Pena

É engraçado como as pessoas conseguem se fechar pras outras com tanta facilidade. Conheço uma senhora que valoriza mais animal que ser humano. Realmente não entendo isso. Adoro animais, mas não os considero mais importantes - nem mesmo tão importantes quanto - que humanos.

Tem gente que prefere ficar sozinho. E eu entendo. Verdadeiramente entendo. Por um bom tempo eu preferi isso também. Mas de certa forma me tornei fria, além disso, fiquei mais desconfiada do que o normal. Desconfio de pessoas exageradamente simpáticas, que já chegam me abraçando como se fôssemos amigas há décadas; desconfio dessas almas caridosas que só falam em fazer o bem ao próximo, como se isso fosse uma prova de um coração limpo e amoroso. Sim, eu desconfio. E muito.

Pra mim não existe essa de que todos são inocentes até que se prove o contrário. Na minha concepção, até que prove o contrário, ninguém presta. Essa balela de que a sociedade corrompe não me entra. A gente já nasce com instinto ruim. E se um dia nos tornamos bons, foi simplesmente pela bondade e misericórdia de Deus.

Mas ser frio e só não vale a pena. Pelo menos não pra mim. É bem mais cômodo, concordo. Cômodo e prático. Você não tem que se preocupar com ninguém, não tem que dar satisfação da sua vida, não tem que planejar sua semana baseado, também, nas necessidades de outra pessoa e, fora isso, não se machuca com a deslealdade de algumas pessoas.

Por outro lado, sendo dessa forma, você também não aproveita o lado bom do ser e de ser humano. Não tem nada melhor do que ter alguém com quem chorar, rir, sair, extravasar, desabafar. Por mais que as pessoas sejam capazes dos atos mais atrozes, elas também são capazes de amar.

Todo mundo tem direito a errar, a magoar. É isso o que faz com que o perdão se torne uma ação tão honrosa.

Nem sempre o que é mais cômodo é a melhor opção. Prefiro me decepcionar e decepcionar, perdoar e ser perdoada, mas ter a bênção de ser rodeada por amigos e por amor, a me fechar pro mundo para não chorar e, no final, morrer sem nunca ter experimentado a melhor dádiva que Deus nos deu: a vida.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O Que Faz Canela Valer a Pena.

Eu gosto de aproveitar pequenos momentos. Algumas pessoas reclamam que eu não saio pra festa. Realmente. Não saio pra festa, pra "balada". Sinceramente não sei aproveitar meu tempo assim.

Eu gosto de usufruir das minhas amizades, e isso eu não consigo fazer indo à uma festa. Prefiro absorver tudo de poucas pessoas do que absorver pouco de várias, porque dessa última forma eu me sinto vazia.

Hoje passei a tarde todo com dois grandes amigos meus: Mateus e Luis, vulgo Matty e Louis. Conversamos, assistimos à TV e cantamos. Isso, pra mim, fez com que meu dia ficasse completo.


Eu não preciso sair pra ser feliz. Eu preciso estar com as pessoas que amo.

sábado, 21 de novembro de 2009

Mudança de Paradigma

Em Canela, onde moro atualmente, o clima é um tanto quanto estranho: as quatro estações podem ser vistas em um dia só.

Enquanto voltava da Castelli pra minha casa, começou uma chuva muito forte. Eu, prontamente, abri meu guarda-chuva e comecei a andar mais depressa. Até porque queria chegar logo em casa pra me trocar e ir pra academia antes do curso de francês.

Depois de 15 minutos andando, quando já havia completado três quartos do percurso, um homem à minha frente impediu que meus passos continuassem no mesmo ritmo de antes, obrigando-me a desacelerar.

Eu, com minha impaciência costumeira, começo a me irritar e a querer ultrapassar este ser que me atrapalha. Tento uma vez, não consigo. Tento outra vez, também não. O que me deixava ainda mais chateada era o fato de ele perceber a minha pressa e vontade de passar, mas não alterar o movimento ou afastar-se um pouco, para não ficar bem no meio da calçada.

Até que nos posicionamos em frente à padaria Gisele, onde ficou bem mais fácil avançar, levando em consideração a largura da calçada. Não perdi tempo: aumentei o passo e deixei a pessoa para trás.

Conforme a ultrapassava, no entanto, observei algo diferente que, antes, não havia percebido: essa pessoa que tinha despertado em mim uma chateação enorme, além de manca, tinha síndrome de down.

Minha preocupação em chegar no horário certo na academia e em não molhar minha sandália era tão grande que não tive a capacidade de observar o que estava à minha volta e respeitar as condições físicas de uma pessoa.

Não digo que senti pena naquele momento. A única coisa que senti foi vergonha. O sentimento de raiva que tinha antes mudou para um sentimento de culpa, de remorso. Minha forma de ver aquela situação, naquele momento, mudou em um piscar de olhos. A hospitalidade que eu tanto prego tinha sido deixada de lado por mim completamente, e isso me soou tão hipócrita.

Agora eu entendo quando Stephen Covey diz que vemos o mundo não como ele é, mas como nós somos.

sábado, 14 de novembro de 2009

Mudar o Mundo é Mudar Nossos Atos


Costumeiramente as pessoas se indagam sobre o sentido da vida, se vale a pena nascer pra viver em um local tão perverso e injusto como o atual mundo em que vivemos.

Ontem, enquanto fazíamos, eu e minhas três grandes amigas da Castelli, um trabalho de sociologia sobre a relação entre hotelaria e gestão ambiental, concomitantemente questionávamos sobre diversos assuntos – o que é de costume nas nossas sagradas reuniões – e um deles, trazido pela Thai, me fez parar um pouco para pensar.

O que me deixou intrigada não foi a pergunta em si, nem mesmo a resposta que dei, e sim se eu estava vivendo aquela resposta.

“Será que vale a pena viver nesse mundo? Será que vale a pena nascer, digo? Porque tem tanta crueldade, tanta gente ruim...”. Maria Fernanda e eu logo nos pronunciamos. Dissemos logo que sim.

Vale a pena? Sim, vale. Não acredito que simplesmente nascemos por nascer, tampouco acredito que após a morte, a vida acaba. Minha fé em Deus e na vida após a morte me impossibilita crer numa vida tão ínfima como esta.

Nós nascemos livres (supostamente, claro, afinal, não existe liberdade com governo, mas não vou entrar nesse mérito agora) e, por conseguinte, temos a escolha sobre como vamos lidar com a vida e com as pessoas que nos cercam. Estamos sempre tão preocupados em mudar o mundo que nos esquecemos que o mundo começa conosco, com nossos amigos e familiares, com as pessoas que, de fato, podemos influenciar positivamente.

As pessoas pararam de agradecer, de pedir favores, de se desculparem; deixaram de desejar um bom dia sincero, de perguntar ao outro como vai a vida, de mostrar o quanto elas são importantes e fazem falta. Não temos mais paciência, não sorrimos, não deixamos pequenos problemas por menos, tudo é motivo para brigas e intrigas. E para que? O que nós ganhamos com isso?

O que ocorre no mundo é um espelho dos nossos atos. Se existe tanta imprudência, tanto rancor, tanta violência, talvez devamos parar e analisar nossas ações. Toda ação causa uma reação. A forma com que você trata uma pessoa na fila da padaria vai influenciar na forma com que ela vai tratar a filha que a está esperando no carro que, por sua vez, vai influenciar a professora e os colegas de sala, que influenciarão os pais na hora do almoço, que vão pro trabalho e agem de forma a influenciar os colegas do escritório e assim por diante, criando uma cadeia, onde tudo está interligado.

A vida aqui na terra é muito curta, portanto, potencialize-a ao máximo. Tente mudar o ambiente que está a sua volta e você terá contribuído de forma singular para o mundo. Você já agradeceu a alguém hoje? Já abraçou, beijou, demonstrou carinho?Você já se colocou no lugar de alguém? Já ajudou um amigo? E um desconhecido, no meio da rua, que pediu uma informação, você ajudou ou fingiu que não sabia e foi embora? Já disse um “eu te amo” sincero?

O mundo precisa mais é de amor e empatia. Vale a pena viver. Desperdiçar uma dádiva tão divina quanto a vida e o poder de mudança é que não vale.