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domingo, 5 de setembro de 2010

Como é bom ter companhia!

Ontem mamãe voltou pra Fortaleza. Ela veio passar uma semana comigo aqui em Canela pra aproveitar o último semestre que tenho no Brasil antes de estagiar na França (isso se não me negarem o visto, claro hehe).

Engraçado que por mais tempo que já tenha morado longe dos meus pais, por mais independente (em certos aspectos) que tenha me tornado, por mais que tenha aprendido a viver sozinha e não sinta tanta saudade quanto antes, basta um dia, um único dia, pra ver que uma boa parte de tudo o que pensava está completamente errado.

Consigo resolver meus problemas, já não preciso mais dos meus pais ligando de Fortaleza pra Canela pra solucionar as besteiras que me afligem; aprendi a preencher meu dia e não ficar entediada; faço meu livro-caixa do jeitinho que papi me ensinou quando ainda era uma pirralha que precisava da mamãe cantando pra dormir e deixo a casa o mais vazio possível pra não me dar trabalho quando tiver que limpar do jeito prático que minha mãe me ensinou. A faxineira faz o trabalho "sujo" depois. Eu só inicio. =P

Mas se tem uma coisa que não aprendi foi a viver sozinha. Aprender a lidar com a saudade, isso eu aprendi. Mas a viver sozinha? Não. E fico muito feliz com isso. O ser humano não nasceu para viver sozinho, se assim o fosse, Adão não se sentiria só e Deus não teria criado Eva.

Claro que precisamos de nossos momentos sem ninguém por perto para descansar um pouco, colocar os pensamentos em ordem, mas isso não é bom quando deixam de ser apenas momentos.

Por mais frio, indiferente ou solitário que fiquemos, precisamos de apenas um dia com pessoas que nos fazem bem para vermos como é infinitamente melhor ter gente por perto, compartilhando o dia, as felicidades, as inquietações, as conquistas, a raiva ou qualquer outro momento, quer seja bom ou ruim, relevante ou não.

Claro que existem também os pontos negativos, mas se tabularmos e compararmos os pontos positivos e negativos, vai ser visível a superabundância dos pontos positivos comparados aos dos negativos.

Com outra pessoa morando conosco, até a refeição fica melhor. Fazia séculos que não tomava café-da-manhã antes de ir pra Castelli, porque o melhor de preparar uma refeição é ter alguém pra dividir a mesa e a conversa. Se for pra comer por comer, pego qualquer besteira na padaria e levo pra casa.

Anyways, mami foi embora ontem e o aniversário dela é hoje. Agora ela tá compartilhando um café-da-manhã delicioso com papai e vovó enquanto coloca toda a conversa em dia.


Obrigada por ter feito companhia pra filhota aqui durante todos esses dias, mami, e por me fazer lembrar que não sei (e muito menos quero) viver sozinha, por mais independente que eu fique.

Você é a melhor mãe do mundo e, de longe, a minha melhor amiga!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Feliz dia dos pais, papi!

Falar de quem amamos é sempre uma tarefa difícil, principalmente quando esse alguém, além de ser amado incondicionalmente, é um dos maiores responsáveis por quem nós somos.

Ontem foi dia dos pais e queria escrever algo especial pro papai, mas ele sempre recebe as mesmas cartinhas e escuta as mesmas coisas. A única coisa que ele nunca ganha é presente, porque ele sempre faz questão de dizer que não quer e eu, como estudante falida que sou, faço questão de obedecer a risca esse pedido.

Se eu fosse listar todas as qualidades do papai, tudo o que eu admiro nele, o porquê de ele ser um grande exemplo de pai, marido, amigo, filho, irmão e comerciante, os ecochatos pirariam com o número de folhas que gastaria.

Desde que me conheço por gente – e olha que já não sou mais nenhuma criancinha – papai nunca tirou férias. O mais interessante nisso tudo é que, mesmo com todo o trabalho que ele sempre teve, apesar de ficar dois turnos trabalhando enquanto eu e Natan ficávamos esses dois turnos na escola, nunca me senti órfã de carinho por parte dele, nunca senti que faltava alguma coisa, pelo contrário, apesar de muitas vezes nos vermos apenas depois das 17h (quando estava no ensino fundamental), papai sempre esteve presente na minha vida.

Certas coisas não esquecemos nunca, e tem uma que me lembro muito bem e sempre encho os olhos de lágrima quando falo a respeito. Quando estava na segunda série, a professora Isabel fez uma provinha de multiplicação para os alunos, e eu não conseguia acertar nenhuma questão. Comecei a chorar desesperada e não sabia o que estava fazendo de errado. Chegando em casa, falei pro papai o que tinha acontecido e ele imediatamente me levou pra garagem, onde tinha uma lousa fixada, e me ensinou a multiplicar. No outro dia, quando refiz a prova, acertei todas as questões.

Outra vez, quando já estava na quinta-série, papai sentou ao meu lado na mesa da sala pra me ajudar na matemática, e eu fiz uma conta básica de somar nos dedos. Resultado? A indignação do papi foi tão grande que no outro dia eu estava matriculada no Kumon.

Quando eu tinha 8 anos, tava tendo o campeonato internacional de windsurf no Beach Park e papi me levou pra assistir. Lá eu me apaixonei pelo esporte e disse que queria aprender. No outro dia, depois da aula, papai já estava me levando pra minha primeira aula de windsurf com o professor Kong. Enquanto eu velejava, papi ficava de um lado para o outro na beira do mar, com um binóculo nada fashion, cuidando de mim e me assistindo.

Mami sempre gostou de doces e tortas. Uma tarde ela ficou morrendo de vontade de comer torta, mas por algum motivo que não me recordo agora, ela não comeu. Enquanto mamãe dava uma descansada de tarde, papai saiu. Quando ela acordou, ele não estava, mas eu disse que era porque ele tinha ido alugar um filme, o que era verdade. Quando ele chegou, além de trazer um filme consigo, trouxe também um quarto de torta pra mamãe. Nunca esqueci da forma com que eles se olharam naquele dia, nem da felicidade da mamãe e do abraço que ela deu no papai na mesma hora.

Eu só tenho a agradecer a Deus por ter um pai tão carinhoso e presente na minha vida, por ter ensinado a mim e ao meu irmão valores que levarei sempre comigo, mas, principalmente, agradeço por ter me mostrado o caminho que nos leva a Deus: Jesus.

Como já falei numa outra carta, por mais que eu saiba que não estaremos sempre juntos na terra, o que me alegra é saber que quando ambos já não estivermos mais aqui, viveremos juntos eternamente, próximos do nosso Salvador.

É tão bom saber que a vida não é só essa e que nos veremos novamente, mesmo após a morte.

Papi, eu te amo! E quando você diz que filho é uma raça ingrata, acredite, você tem toda a razão, porque por mais que eu te ame, por mais que eu te admire, por mais que saiba todo o esforço que você faz para nos manter fora do estado, mesmo assim eu sou impaciente, sou grosseira e, por diversas vezes, monossilábica. Eu sei que vocês gostariam que eu conversasse mais, falasse mais, mas meu jeito calado às vezes me impossibilita conseguir me expressar da forma com que gostaria.

Anyways, mesmo muitas vezes não demonstrando, eu te amo muito! Você é, de longe, uma das pessoas mais importantes da minha vida!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Culto ao Corpo

Fiquei sabendo de uma notícia muito triste esses dias, enquanto corria na academia: um guri que malhava lá e já estava internado fazia alguns dias, faleceu.

Ele era novo, devia ter seus vinte e pico. A morte dele não foi por algum problema de saúde ou acidente, mas por algo que poderia ter sido evitado por ele mesmo. Era notória a musculatura mais avantajada dele, mas nunca sequer pensei que ele utilizava anabolizantes, que foi a causa da sua morte precoce.

Não sei se os pais sabiam disso ou não, caso tenham tomado conhecimento, foram extremamente omissos e negligentes, concordo quando dizem isso. Só que sempre culpamos os pais pela falta de cuidado, de atenção. Sim, eles realmente tiveram a parcela de culpa por não terem agido – se é que não tentaram, afinal, julgar é fácil demais para quem é um simples espectador dessa história –, mas tenho certeza de que esse rapaz sabia dos males que anabolizantes podiam causar ao seu corpo caso não fossem utilizados da forma adequada. Ele não era criança e tinha plena noção de seus atos.

Os anabolizantes são como as drogas em geral, muitas delas ajudam na prevenção de doenças, assim como previnem seu alastramento sobre o corpo. O problema não está no uso, mas no abuso.

Cada pessoa tem suas prioridades e seus graus de importância. Não sei até que ponto esse rapaz amava tanto o seu físico para colocar a própria vida em risco a fim de mantê-lo tonificado. Talvez ele estivesse insatisfeito com o corpo e não vejo mal algum em tentarmos mudar algo na nossa aparência quando estamos infelizes, mas essa mudança deve ser feita de forma sábia, afinal, do que adiantou o rapaz ter um corpo tão bonito e morrer tão jovem?

Nossa aparência é nosso principal cartão de visita e, portanto, deve ter toda a nossa atenção, mas esse cuidado deve ser natural, nunca nocivo. Os exercícios deveriam ser feitos visando nossa saúde, o corpo bem definido vem como conseqüência.

Em 1 Coríntios 6:19 está escrito “ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?”. Eu, por acreditar fielmente na existência dEle e saber que seu Espírito habita em mim, faço questão de cuidar da minha alimentação e da minha saúde, assim como também do meu físico.

Sempre oro, inclusive, para que a vaidade não me venha à cabeça, porque sei quão fácil é nos seduzirmos com essas facilidades medicinais que beneficiam nosso corpo. A questão é que, infelizmente, muitos de nós não sabemos utilizar esses meios de forma ponderada e acabamos sofrendo conseqüências muitas vezes irreversíveis.
Preocupemo-nos mais com nossa saúde e menos com nosso físico. Entre morrer jovem e musculoso ou idoso, mas com saúde, fico com a segunda opção.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Lista de Atividades: Férias em Fortaleza!

Como prometido anteriormente, aqui vai uma lista de algumas coisas que quero fazer durante minhas férias em Fortaleza no próximo mês.

PS: preciso do apoio dos papis na maioria delas, mas tenho certeza de que eles não medirão esforços para concretizá-los, né? Né, papi? Né, né?

1- Fazer o exame de direção na sexta-feira. Antes quero ter só mais uma aula pra relembrar baliza, garagem e retorno. Quero ter aula com o Paulo, ta, papi?
2- Visitar o Aquiraz Riviera.
3- Comer tapioca, pamonha, canjica, baião-de-dois e mais outras comidas da região.
4- Tomar suco de milho
5- Correr na Beira-Mar
6- Visitar a feirinha da BM, o Mercado Central, o Centro Dragão do Mar
7- Comprar uma calça de corrida (eu tenho short, mas pro inverno tem que ser calça, né...)
8- Sair com os primos
9- Dormir com vovó
10- Cozinhar com papai e mamãe (inclusive, vou escolher uma receita para fazermos no jantar do dia 14/07. Fiquem de sobreaviso).
11- Ter aula de violão (papis, vocês podem ver a disponibilidade de Jessé para ir à Messejana todos os dias pela manhã começando na segunda-feira, dia 19/06?)
12- Ir com vovó e mamãe pro sítio e carregar os primos juntos (quero ir na quinta do dia 15/07)
13- Praia com os primos!
14- Passar o primeiro fim de semana com Zé e Carlinha.
15- Jogar boliche com Debbie (no domingo, quando for à igreja, já marco com ela pra segunda ou quarta)
16- Passar uma tarde com maninha
17- Reunir família paterna (na sexta-feira do dia 23/07 é uma boa?)
18- Cozinhar baião-de-dois e fazer bolo de banana com vovó (vóvis, mas o bolo de banana vai ser light, tá?)
19- Abastecer carro no posto e fazer a prestação de contas com mamãe
20- Comprar uma filmadora, porque minha máquina fotográfica já não supre mais todas as minhas necessidades. Papi, promete que vai pensar com muito carinho sobre isso? Pleeeease! ;**

Até agora é só isso mesmo. Na verdade pensei em mais outras coisas, só que o pouco tempo me impediria de realizar tudo e prefiro não me frustrar por criar muita expectativa.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Um Mês Pra Fortaleza!

Hoje falta exatamente um mês para chegar a Fortaleza e passar meus 10 dias de férias com minha família. Engraçado que em dezembro do ano passado eu procurava o que fazer em julho para não ter que voltar pra casa. Não que eu não goste da minha cidade, muito pelo contrário, Fortaleza é uma das cidades que mais amo, além de São Paulo e Porto Alegre.

O problema era que quando chegava lá pras férias muitas vezes deixava de ir aos locais que queria por pura comodidade e dependência. Comodidade porque moro no Porto das Dunas e pra chegar na cidade demora um bocadinho. Dependência porque, como ainda não tenho carteira, preciso da disponibilidade dos meus pais para ir pros cantos, já que não sou cara de pau – pelo menos não a tal ponto – pra ficar pedindo que meus amigos façam praticamente uma viagem para me pegar.

Meus pais já sabiam que estava procurando alguns cursos em SP para julho e, como sempre, eles me apoiaram. Papai, perceptivelmente, apoiava sem muita vontade, porque me queria em Fortaleza nas férias. Após algumas (várias) indiretas de papi, resolvi ir à Fortaleza próximo mês. Confesso que depois de ter tomado essa decisão, uma paz tomou conta de mim.



Poucas pessoas sabem, mas agora vão saber (até parece que esse troço é lido por muita gente, mas enfim...), próximo ano já é praticamente certo que morarei na França por 10 meses, fazendo estágio em um hotel da rede Relais&Chatêaux, junto com Luci, uma das integrantes da CM7 e uma grande amiga minha.

Conversando com Celso, responsável por nos enviar ao estágio, vi que passaremos cerca de um ano fora, não apenas 10 meses, pois vamos aproveitar o momento e mochilar depois desse tempo. Portanto, quero aproveitar os poucos meses que me restam para ficar com as pessoas que eu amo incondicionalmente e que me amam na mesma intensidade. Tenho apenas 10 dias em julho, menos de 1/3 de dezembro e o mês de janeiro para ficar com meus pais, minha avó, meus primos e tios.

Está mais do que na hora de começar a valorizar essas pessoas que fizeram e fazem tanto pelo meu futuro. Os grandes responsáveis pela minha formação. Hoje eu ia só colocar a lista de todas as coisas que quero fazer nessas férias, mas, por algum motivo, quando fui passá-las do papel ao note, comecei a escrever isso aqui.

A lista, portanto, terá que ficar pra próxima postada.

sábado, 12 de junho de 2010

Dia dos Namorados e Minhas Namoradas!

Hoje é dia dos namorados. Sempre achei estranho as pessoas comemorarem datas sem saberem o real motivo delas. Não que eu me importe tanto com o significado de todas, mas se for pra celebrar, tenho que saber o porquê.

Conta a história que o imperador romano Cláudio II proibiu a realização de casamentos durante a guerra, visto que, de acordo com ele, solteiros eram melhores guerreiros. Bispo Valentim, por discordar tanto do pensamento quanto da imposição do imperador, continuou realizando casamentos e, inclusive, casou-se em secreto.

Quando foi descoberto, foi preso e condenado à morte, que se deu no dia 14 de fevereiro. Antes de sua execução, enquanto estava na cadeia, chegou a receber cartas de vários jovens apaixonados e até se apaixonou pela filha cega de um carcereiro que, dizem, passou a enxergar.

Prefiro comemorar o Valentine’s Day, dia 14 de fevereiro, do que o Dia dos Namorados, dia 12 de junho. Tudo bem que aqui é comemorado hoje pelo fato de amanhã ser o dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, mas, pelo nome e pela importância dada ao dia, sou muito mais o Valentine’s.

Dia dos Namorados parece algo tão descartável, tão superficial. Hoje deveria ser um dia pra celebrar o amor entre todas as pessoas, não só entre casais de namorados, mas entre pais e filhos, primos, sobrinhos, netos, cunhados, amigos... Se bem que nem sequer deveria ser preciso criar um dia para algo que deve ser lembrado e vivido todos os dias da nossa vida.

Anyways, resolvi presentear todas as minhas amigas que moram no RS e fazem parte do meu dia-a-dia: as minhas eternas namoradas! Nós temos uma irmandade. Todo mundo é cúmplice uma da outra, todo mundo escuta os desabafos e aconselha. Todas adoram um abraço e amam retribuí-lo. E são as nossas diferenças e a forma com a qual lidamos com elas que fazem do nosso grupo um dos poucos realmente leais e permanentes. Amo-as, gurias!


E que venha nossa formatura, porque independente de para onde formos, vocês serão as minhas namoradas, e eu assim serei para vocês!!

domingo, 9 de maio de 2010

“Mulher virtuosa, quem a achará?”

Minha família sempre foi o oposto de tudo que se possa imaginar. Não nos presenteamos nos aniversários, não compramos nada um para o outro no Natal, não existe dia dos pais, dia das mães, dia das crianças ou qualquer outro dia que seja.

Claro, quando eu ou Natan precisamos de alguma coisa, meus pais não pensam duas vezes em comprar. Quando eles precisam, obviamente, também compram. Mas nunca por cauda de uma data em específico. Entretanto, infelizmente, sempre esperamos por datas estipuladas pelos homens para dizer algo a alguém especial, quando deveria acontecer diariamente.

Existem filhas que mal olham na cara das mães, mas hoje estará almoçando com ela simplesmente por causa do dia. Bueno, liguei pra minha mãe como de costume. Desejei feliz dia das mães e falei as coisas clichês que todo mundo fala. Inovação não é algo característico em datas especiais.

Como não quero ficar séculos sem escrever no meu blog – olha o interesse por trás do motivo do post -, vou falar sobre uma das (poucas) pessoas mais importantes na minha vida, minha mãe.

Desde criança sempre fui muito apegada a ela, inclusive, até pouco antes de ir estudar no Canadá, só conseguia dormir se ela cantasse pra mim. Shame on me, I know. Quando estava na quinta série do ensino fundamental, ainda residindo na Henriqueta Galeno, em frente ao Colégio 7 de Setembro, perguntei pra minha mãe se ela amaria a mim tanto quanto a meu irmão mais novo, caso tivesse um. Óbvio que ela disse que sim. Não dormi até ela dizer que amaria mais a mim do que qualquer outro inoportuno filho que viesse posteriormente. E ainda fiz com que me garantisse que a ligação das trompas era segura e que, dessa forma, seria impossível engravidar novamente.

A verdade é que é tão difícil encontrarmos alguém realmente importante que, quando isso acontece, não queremos dividi-lo com ninguém. E minha mãe é o tipo da pessoa que qualquer um se apaixona. E ter que dividi-la com meu pai e meu irmão já era o suficiente pra mim.

A Bíblia fala sobre a mulher virtuosa e, sem sombra de dúvidas, papai foi muito abençoado em tê-la encontrado. Minha mãe não é só uma excelente esposa, mas uma companheira inigualável, amiga fiel, mãe carinhosa e, por incrível que pareça, paciente, além de linda e com um corpo de dar inveja a qualquer jovem de 20 anos (e eu me incluo nesse grupo).

Se for pensar em termos de dona de casa, minha mãe nunca foi das melhores de acordo com o padrão conhecido. Até hoje o fogão do nosso apartamento é só de enfeite, porque nunca sequer compramos um botijão de gás pra lá; e o da nossa casa só serve pra quando recebemos visitas e, ainda assim, temos que testá-lo zilhões de vezes para termos certeza de que ainda funciona.

Mas, como disse papai ao meu avô quando foi pedi-la em casamento, ele não buscava uma cozinheira, mas uma companheira. E isso ele tem há 23 anos. Minha mãe amanhece o dia de joelhos orando pela nossa família e vai dormir da mesma forma, pelo mesmo motivo. Meus pais trabalham juntos e quando minha mãe vai pro sítio com minha avó, dias de terça e quinta, meu pai fica completamente sem chão no trabalho. Tanto é que volta mais cedo pra casa. Nessas férias, quando estive em Fortaleza, isso foi bem perceptível.

Em dezembro e janeiro, por sinal, não sei quem ficava mais ansioso para que minha mãe voltasse logo pra casa: eu ou meu pai. Quando ela chegava, ninguém desgrudava e era uma competição horrível para ver com quem ela ia ficar depois do jantar. Papai foi o que ficou mais contente com o final das férias e minha conseqüente volta ao RS. Por mais que ele negue, eu sei que é verdade. E compreendo, sério mesmo.

Mas, sem querer falar no quesito esposa, que ela é excepcional, a única coisa que tenho a dizer é que Deus foi maravilhosamente bondoso comigo. Eu não mereço a mãe que tenho. Só tenho a agradecê-la por ser sempre tão amiga, pronta pra me escutar quando preciso, mesmo que depois leve um tremendo esporro; por abdicar de tantas coisas pelo meu futuro; por orar por mim quando nem eu mesma oro, por interceder pelo meu futuro quando eu, muitas vezes, não o faço; por me amar mesmo com minhas grosserias, fase pela qual geralmente passamos e eu, infelizmente, não fui uma exceção.

Quando penso em mim como filha, desisto da idéia de ter filhos. Contudo, quando olho para minha mãe, mudo rapidamente de idéia, porque quero ter a oportunidade de abençoar a vida de alguém como minha mãe abençoa a minha, mesmo quando não faço por merecer.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Crime é Incentivado pela (IN)Justiça Brasileira

Todos os brasileiros se chocaram em 2007 com a morte do menino João Hélio, de 6 anos, no RJ, ao ser arrastado por 7km preso ao cinto de segurança do carro em que estava, quando sua mãe foi assaltada por alguns marginais.

Após três anos, um dos vagabundos, Ezequiel Toledo de Lima, foi enviado, com a ajuda da ONG Projeto Legal e com a permissão do juiz da Vara de Infância e Juventude, à Suíça a fim de recomeçar sua vida. [1]

João Hélio não teve uma segunda chance pra recomeçar. Por que dar uma segunda chance, então, a um dos assassinos dessa criança?



Nunca entendi os Direitos Humanos, sempre tive uma grande repulsa a eles justamente por sempre defender criminosos, estupradores, vagabundos que matam por prazer. Poderíamos mudar o nome de Direitos Humanos para Direito dos Vagabundos sem problema algum, se bem que vagabundo não deveria ter direito a nada, só a sofrer calado.

Quando li essa notícia, o que mais me indignou não foi pensar no marginal vivendo na Suíça, mas saber que existem pessoas sem escrúpulos, sem princípios e sem sentimentos como esse juiz que liberou sua mudança à Europa e como a ONG Projeto Legal que auxiliou no envio.

Será que não pensam na família do garoto? Ele não é tão importante assim? A família dele e a vida após sua morte não interessam?

Esse ato da (in)justiça brasileira só faz com que o crime seja cada vez mais incentivado. Tá passando fome? Então mata alguém, que eles te mandam pra Europa!

Sinto muito, mas com atitudes como essas, cidadãos honestos, que clamam por justiça, ficam cada vez mais frios e impiedosos. Disseram que Ezequiel estava sendo ameaçado na prisão. Excelente motivo para mantê-lo preso.

Como diria Alborghetti: "Bandido bom é bandido morto".

[1] http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/02/18/e18027526.asp

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Marcos, o frentista solidário.

Meu pai tem um posto de gasolina no Ceará. Como vim passar as férias no estado, resolvi ajudar no posto alguns dias, passando cartão e abastecendo carro quando necessário.

No posto, papai oferece café expresso para os clientes. Sim, mesmo nesse calor do Ceará as pessoas adoram tomar um café. O problema é que algumas pessoas costumam passar aqui no posto pra tomar um cafezinho, mesmo não sendo clientes.

Quando é uma vez ou outra, não tem problema. A questão é que se abrirmos uma exceção para alguém, esse alguém fica mal acostumado. Comentando isso com meu pai, ele me contou uma história que ocorreu no posto com um antigo frentista.

O Marcos, antigo frentista lá do posto, deixava que pessoas da região fossem lá pegar café. Essas pessoas, pouco satisfeitas, não se contentavam em pegar o copinho de plástico oferecido pelo posto. Elas simplesmente levavam seus copos maiores de casa.

Meu pai, vendo o que estava acontecendo, foi falar com o Marcos e dizer que aquilo não era permitido. Marcos, muito filantrópico, retrucou:

-Mas dá pra negar café pra essa gente?

Ora, meu amigo, se ele tem pena, que mande a esposa dele fazer café com a própria renda, coloque em dez garrafas térmicas e saia oferecendo pra todo mundo.

Fazer caridade com o dinheiro alheio é muito cômodo. Marcos e Governo que o digam. Qualquer semelhança, mera coincidência.