sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A Ineficácia das Normas Regulamentadoras


As aulas de Segurança no Trabalho são as que mais me deixam revoltada na Castelli. Não pela aula em si - até porque é importante que uma empresa saiba como zelar pela saúde física e mental de seus colaboradores - mas sim pelas leis e normas que aprendemos no decorrer do curso e todas as imposições feitas pelo governo e suas penalidades caso não sejam obedecidas.

Não concordo que qualquer instituição imponha algo sobre mim ou minha empresa sem o meu consentimento, e é exatamente isso o que o governo faz. Para agravar a situação, o governo nos força a seguir normas que ele mesmo desobedece. É o tal do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Escrevo sobre isso porque ontem vi a Prefeitura de Canela quebrando uma das NR’s que a nós nos são impostas. Para ser mais direta, quebrou a NR-6, que fala sobre o uso de equipamentos para proteção individual.

Ontem, enquanto corria na academia, vi, através da janela em frente à esteira, dois homens andando no telhado da Casa de Pedra sem utilizar uma proteção sequer. Estavam fazendo os ajustes finais para o natal da cidade que, diga-se de passagem, já deveriam estar prontos há muito tempo, mas já que é obra do governo, anda a passos de tartaruga, se fosse uma empresa privada, tudo já estaria no seu devido lugar.

Enfim, como esses homens correm riscos ao lidar com fios, energia elétrica e altura, eles devem usar equipamentos de segurança. A prefeitura, por ser quem contrata esse pessoal, tem obrigação de fornecer e exigir que utilizem esse equipamento, afinal, observando a NR-1, pode-se ver que tanto empresas privadas quanto públicas, assim como órgãos públicos, devem obedecer à norma, estando todos passíveis de multa caso não a cumpram.

Bati várias fotos desses homens no telhado sem proteção alguma, uma delas é a que está nessa postagem. Quando empresas privadas não utilizam EPI’s, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) faz questão de multar. Agora eu quero saber como eles fazem pra controlar quando a própria Prefeitura infringe a lei.

Ontem, quando comentei sobre isso na academia, defenderam a Prefeitura, dizendo que ela fornecia o material necessário, mas que os empregados não o utilizavam. Isso não importa. Várias empresas privadas também fornecem os equipamentos e seus funcionários não os utilizam porque acham que ficam estranhos. Quando usamos isso como desculpa, os fiscais não perdoam e somos multados, então não tem que ser diferente com a Prefeitura.

Esse é o problema que surge quando querem utilizar de coerção para impor um valor que para outra pessoa pode não ser importante. Por isso defendo veementemente que as NR’s não devem ser impostas, mas servir apenas como forma de orientação. Quem quiser seguir, segue. Quem não quiser, é opção da empresa e do empregado que aceitou trabalhar para ela.

O que não se pode aceitar é que nós tenhamos de pagar multas caso não as obedeçamos, mas prefeituras desobedeçam a olho nu, como foi o caso citado aqui, e nada seja feito a respeito.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Imagem Que Exportamos


Muitas pessoas ficaram indignadas com a piada que o ator e comediante Robin Williams fez no programa Late Show, do David Letterman, ao afirmar: “Espero que ela (Oprah) não esteja chateada com as Olimpíadas. Chicago enviou a Oprah e a Michelle. O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi uma competição justa”.

Por que as pessoas ficaram indignadas com a piada? Não é com a piada que temos que nos indignar, mas sim com nossa situação atual e com os próprios brasileiros.

O que Robin Williams falou nada mais é do que a imagem que nós criamos, portanto, o culpado somos nós. A partir do momento em que vendemos o Brasil como o país do Carnaval, do samba, da mulata e da caipirinha, não podemos exigir que nos retratem como um local sério ou qualquer outra característica similar.

Será que realmente estamos preocupados com a imagem que temos lá fora? Já pararam pra ver os filmes que produzimos? Quando não falam da favela e do tráfico de drogas no RJ, exibimos um filme sem história, mas repleto de sexo. Porque o brasileiro gosta disso: pouco conteúdo e muita obscenidade.

A verdade dói, mas precisa ser dita. Se quisermos realmente mudar a imagem do Brasil, temos que mudar nossos atos, nossa forma de lidar com os problemas, deixar o “jeitinho” de lado, por fim, mudar o caráter brasileiro, que já é intrínseco ao nosso povo.

O que me deixa realmente revoltada é ver que tanta gente faz um rebuliço tremendo por conta dessa piada, mas quando fica sabendo de corrupção, desvio de dinheiro, aumento de IPTU dentre tantas outras falcatruas governamentais, ninguém faz nada. Todo mundo fica calado, aceitando toda a roubalheira como algo habitual e irreparável.

Robin Williams não tem que ser processado por nada. Onde já se viu alguém ser processado por falar a verdade? Imagino até a manchete do jornal: Robin Williams é processado por faltar com a MENTIRA!

Robin Williams não teria feito essa piada se não tivéssemos propiciado tal cenário. Se alguém tem que ser culpado por isso, esse alguém somos nós.

sábado, 21 de novembro de 2009

Mudança de Paradigma

Em Canela, onde moro atualmente, o clima é um tanto quanto estranho: as quatro estações podem ser vistas em um dia só.

Enquanto voltava da Castelli pra minha casa, começou uma chuva muito forte. Eu, prontamente, abri meu guarda-chuva e comecei a andar mais depressa. Até porque queria chegar logo em casa pra me trocar e ir pra academia antes do curso de francês.

Depois de 15 minutos andando, quando já havia completado três quartos do percurso, um homem à minha frente impediu que meus passos continuassem no mesmo ritmo de antes, obrigando-me a desacelerar.

Eu, com minha impaciência costumeira, começo a me irritar e a querer ultrapassar este ser que me atrapalha. Tento uma vez, não consigo. Tento outra vez, também não. O que me deixava ainda mais chateada era o fato de ele perceber a minha pressa e vontade de passar, mas não alterar o movimento ou afastar-se um pouco, para não ficar bem no meio da calçada.

Até que nos posicionamos em frente à padaria Gisele, onde ficou bem mais fácil avançar, levando em consideração a largura da calçada. Não perdi tempo: aumentei o passo e deixei a pessoa para trás.

Conforme a ultrapassava, no entanto, observei algo diferente que, antes, não havia percebido: essa pessoa que tinha despertado em mim uma chateação enorme, além de manca, tinha síndrome de down.

Minha preocupação em chegar no horário certo na academia e em não molhar minha sandália era tão grande que não tive a capacidade de observar o que estava à minha volta e respeitar as condições físicas de uma pessoa.

Não digo que senti pena naquele momento. A única coisa que senti foi vergonha. O sentimento de raiva que tinha antes mudou para um sentimento de culpa, de remorso. Minha forma de ver aquela situação, naquele momento, mudou em um piscar de olhos. A hospitalidade que eu tanto prego tinha sido deixada de lado por mim completamente, e isso me soou tão hipócrita.

Agora eu entendo quando Stephen Covey diz que vemos o mundo não como ele é, mas como nós somos.

sábado, 14 de novembro de 2009

Mudar o Mundo é Mudar Nossos Atos


Costumeiramente as pessoas se indagam sobre o sentido da vida, se vale a pena nascer pra viver em um local tão perverso e injusto como o atual mundo em que vivemos.

Ontem, enquanto fazíamos, eu e minhas três grandes amigas da Castelli, um trabalho de sociologia sobre a relação entre hotelaria e gestão ambiental, concomitantemente questionávamos sobre diversos assuntos – o que é de costume nas nossas sagradas reuniões – e um deles, trazido pela Thai, me fez parar um pouco para pensar.

O que me deixou intrigada não foi a pergunta em si, nem mesmo a resposta que dei, e sim se eu estava vivendo aquela resposta.

“Será que vale a pena viver nesse mundo? Será que vale a pena nascer, digo? Porque tem tanta crueldade, tanta gente ruim...”. Maria Fernanda e eu logo nos pronunciamos. Dissemos logo que sim.

Vale a pena? Sim, vale. Não acredito que simplesmente nascemos por nascer, tampouco acredito que após a morte, a vida acaba. Minha fé em Deus e na vida após a morte me impossibilita crer numa vida tão ínfima como esta.

Nós nascemos livres (supostamente, claro, afinal, não existe liberdade com governo, mas não vou entrar nesse mérito agora) e, por conseguinte, temos a escolha sobre como vamos lidar com a vida e com as pessoas que nos cercam. Estamos sempre tão preocupados em mudar o mundo que nos esquecemos que o mundo começa conosco, com nossos amigos e familiares, com as pessoas que, de fato, podemos influenciar positivamente.

As pessoas pararam de agradecer, de pedir favores, de se desculparem; deixaram de desejar um bom dia sincero, de perguntar ao outro como vai a vida, de mostrar o quanto elas são importantes e fazem falta. Não temos mais paciência, não sorrimos, não deixamos pequenos problemas por menos, tudo é motivo para brigas e intrigas. E para que? O que nós ganhamos com isso?

O que ocorre no mundo é um espelho dos nossos atos. Se existe tanta imprudência, tanto rancor, tanta violência, talvez devamos parar e analisar nossas ações. Toda ação causa uma reação. A forma com que você trata uma pessoa na fila da padaria vai influenciar na forma com que ela vai tratar a filha que a está esperando no carro que, por sua vez, vai influenciar a professora e os colegas de sala, que influenciarão os pais na hora do almoço, que vão pro trabalho e agem de forma a influenciar os colegas do escritório e assim por diante, criando uma cadeia, onde tudo está interligado.

A vida aqui na terra é muito curta, portanto, potencialize-a ao máximo. Tente mudar o ambiente que está a sua volta e você terá contribuído de forma singular para o mundo. Você já agradeceu a alguém hoje? Já abraçou, beijou, demonstrou carinho?Você já se colocou no lugar de alguém? Já ajudou um amigo? E um desconhecido, no meio da rua, que pediu uma informação, você ajudou ou fingiu que não sabia e foi embora? Já disse um “eu te amo” sincero?

O mundo precisa mais é de amor e empatia. Vale a pena viver. Desperdiçar uma dádiva tão divina quanto a vida e o poder de mudança é que não vale.

domingo, 8 de novembro de 2009

Você é um Bom Administrador?


Se você é o tipo de pessoa que pensa que sem você seu negócio não anda, reveja a forma com que seus negócios são administrados e como seus colaboradores são liderados.

Um bom administrador não fica com todos os afazeres para si, ele delega. Para delegar, um bom administrador não deve ter medo de contratar alguém mais inteligente que si, pelo contrário, deve ter humildade o suficiente para saber que outra pessoa é melhor do que ele em certa área e contratá-lo. Contratando-o, valorize-o. As pessoas gostam de se sentir importantes, não custa nada elogiar.

Transparência é fundamental. Faça reuniões periódicas, estabeleça metas e analise os meios para alcançá-las, dê satisfação de cada ação sua para todos, mostre suas conquistas, isso motiva as pessoas ao redor a terem suas prioridades para com a empresa também.

Trabalho em equipe é fundamental. Dê todas as funções a uma única pessoa, e ela fará tudo e não fará nada. Delegue as funções a cada pessoa de acordo com sua especialidade, e todos farão um pouco que, junto, será tudo.

Falando dos negócios, do financeiro, há aqueles que se empolgam muito com o resultado do final do mês e acham que podem gastar o dinheiro da empresa, como se fossem recuperar tudo no outro mês sem problemas.

Muita calma nessa hora. Nem todo empreendimento possui um lucro linear, constante. Muitos sofrem com a sazonalidade, portanto, na época de vacas gordas, não esbanje. Guarde, invista. Dessa forma, quando chegarem os dias de vacas magras, você não precisará ficar louco atrás de uma forma milagrosa para obter lucro.

Você não sabe se é um bom administrador? Então pergunte a si mesmo: se eu morrer hoje, meu negócio permanecerá funcionando bem? Se a resposta for ‘não’, então busque ajuda. Você pode saber administrar, mas não sabe delegar. E bons administradores delegam.

sábado, 24 de outubro de 2009

Inglês: Diferencial ou Obrigação?


Foi-se a época em que falar inglês era um diferencial entre as pessoas. Agora é obrigação.

Quem não tem um segundo idioma perde oportunidades, diminui as opções de emprego e é facilmente deixado para trás.

Quando viajei à Costa Rica para estudar espanhol, mantive contato com várias pessoas da Europa. Todas elas falavam ao menos três idiomas, muitas falavam quatro ou cinco. Claro que o fato de países como Suíça e Bélgica terem mais de um idioma oficial ajuda nesse dado, mas isso não justifica a precariedade dos brasileiros quando se trata dessa questão.

É inadmissível chegarmos a um hotel e a recepcionista falar um inglês completamente incompreensível ou viajarmos de avião e a aeromoça balbuciar em algum dialeto pessoal e chamar aquilo de inglês.

Se você não fala inglês, comece um curso. Antes tarde do que nunca.
Se você já fala inglês, parta para um segundo idioma, depois para um terceiro.
Não se nivele pela maioria. A exceção é a mais cobiçada no mercado de trabalho, não a regra.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O Mercado Não É Deus


Em todo canto encontramos pessoas escoronas. Não fazem nada e nós fazemos tudo.

Vão à faculdade ou à escola para passar o tempo. Não estudam e colam a prova inteira; não fazem os trabalhos e pedem para você colocar o nome delas no seu; só falam de festa, enchem a cara, no outro dia faltam a aula e levam um atestado pra se safar.

Às vezes, certas situações nos parecem injustas, principalmente quando professores tem ciência do que está ocorrendo e não fazem nada, passam a mão na cabeça dos alunos. Chegamos até a nos questionarmos se não estamos sendo trouxas. Não, não estamos.

Se quiserem passar cola para outra pessoa ou colocar o nome de alguém nos trabalhos, eu já não me importo. Muito pelo contrário: agradeço. E muito! É um favor que fazem.

As pessoas que estão cursando o mesmo curso que o seu são suas concorrentes. Se elas não fazem as coisas do jeito certo, se não estudam ou se empenham nas atividades, melhor para você, pois estará um passo à frente delas. Um concorrente a menos para se preocupar.

Toda vez que vir alguém fazendo algo que lhe pareça injusto, alegre-se: quanto menos conteúdo seu concorrente tiver, melhor para você. O mercado decidirá quem é bom o bastante: você ou ele.

Como diz Abdon Barretto Filho, diretor de marketing da rede Plaza de Hotéis, "o mercado não é Deus. O mercado não perdoa".

Deixe o futuro para o mercado. O mercado sabe das coisas.